Trump diz a Hassett que quer mantê-lo onde está; probabilidades de Warsh para presidente do Fed aumentam

Gabriel Piziolo
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Trump sinaliza manter Kevin Hassett na Casa Branca; chances de Kevin Warsh para o Fed disparam

O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira que prefere manter Kevin Hassett como diretor do Conselho Econômico Nacional, reduzindo as expectativas de que ele seja indicado para comandar o Federal Reserve. A declaração mexeu imediatamente com as apostas dos mercados de previsão sobre quem deve suceder Jerome Powell na presidência do banco central dos EUA.

Durante um evento na Casa Branca, Trump elogiou Hassett — “você foi fantástico na TV hoje” — e completou: “Na verdade, quero manter você onde está, para falar a verdade”. A fala foi direcionada também à chefe de gabinete, Susie Wiles: “Não queremos perdê-lo, Susie, mas vamos ver como tudo se resolve”.

Hassett vinha sendo apontado como um dos favoritos ao cargo, em disputa direta com o ex-diretor do Fed Kevin Warsh. Trump tem sido um crítico frequente do Federal Reserve e já indicou que pretende substituir Jerome Powell quando o mandato como chair terminar em maio. Segundo o presidente, o anúncio do sucessor deve sair ainda este mês, sem data definida.

Além de Warsh e Hassett, também são finalistas os atuais diretores do Fed Christopher Waller e Michelle Bowman. O executivo da BlackRock Rick Rieder é citado como candidato com chances menores.

Mercados de previsão reprecificam: Warsh assume a dianteira

Logo após as declarações de Trump, traders no Kalshi elevaram para 60% a probabilidade de Kevin Warsh ser indicado ao comando do Fed, contra 16% para Hassett e 14% para Waller. Até quarta-feira, Warsh e Hassett estavam tecnicamente empatados nas apostas.

Análise de Krishna Guha, chefe de estratégia de política global e bancos centrais da Evercore ISI, reforçou a leitura: apesar de o presidente enviar sinais variados ao longo do processo, Warsh aparece pela primeira vez como o favorito claro.

No Polymarket, a dinâmica foi semelhante: Warsh com 60%, Hassett com 15% e Waller com 13%. Bowman e Rieder aparecem com probabilidades reduzidas.

Por que isso importa para brasileiros nos EUA

A escolha do próximo chair do Fed influencia juros, crédito e a trajetória do dólar. Um presidente mais inclinado a combater a inflação com firmeza tende a manter juros elevados por mais tempo; um perfil mais dovish pode favorecer cortes mais rápidos. Para brasileiros que vivem, investem ou viajam aos EUA, decisões do Fed impactam:

– custo do financiamento imobiliário e de automóveis;
– taxas de cartão de crédito e crédito estudantil;
– desempenho da Bolsa e de ativos de renda fixa;
– câmbio, afetando remessas, viagens e compras.

O que observar nas próximas semanas

– Anúncio oficial de Trump: prometido para este mês, sem data definida.
– Sinais de política: declarações dos finalistas e de assessores econômicos sobre inflação, crescimento e balanço do Fed.
– Reação dos mercados: variação nas apostas do Kalshi e Polymarket, juros dos Treasuries e dólar.

Contexto: o mandato de Jerome Powell termina em maio. A lista curta inclui Warsh, Hassett, Waller, Bowman e Rieder, com Warsh no momento liderando as probabilidades segundo os mercados de previsão. A posição de Hassett como principal conselheiro econômico da Casa Branca ganha força após o aceno público de Trump para mantê-lo no cargo.

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