Trump nomeia Kevin Warsh para presidente do Federal Reserve para suceder Jerome Powell

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Trump indica Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve no lugar de Jerome Powell

Donald Trump anunciou nesta sexta-feira a indicação de Kevin Warsh, 55, para assumir a presidência do Federal Reserve a partir de maio, quando expira o mandato de Jerome Powell. A escolha encerra meses de especulação e ocorre em meio a pressões políticas incomuns sobre o banco central dos EUA.

“Conheço o Kevin há muito tempo e não tenho dúvida de que ele será um dos grandes presidentes do Fed”, escreveu Trump no Truth Social. Warsh, ex-membro do conselho do Fed e com passagem por Wall Street, ainda precisa ser confirmado pelo Senado.

Mercados atentos e transição no comando

A indicação de Warsh não surpreendeu investidores, que o veem como um nome com credibilidade e autonomia. Mesmo assim, os futuros de ações abriram levemente em queda, recuperando parte das perdas após a confirmação do nome.

Se aprovado, Warsh assume o posto em maio e ocupará a cadeira do Board of Governors atualmente preenchida por Stephen Miran, cujo mandato expira neste sábado. Pela regra, Miran pode permanecer até a nomeação formal do substituto.

Warsh chega num momento sensível: inflação ainda acima da meta de 2%, desaceleração do mercado de trabalho e aumento do endividamento público. O mercado precifica, no máximo, mais dois cortes de juros este ano, com a taxa básica convergindo para perto de 3%, nível considerado “neutro” no longo prazo.

Independência do Fed em foco e resistência no Senado

A escolha ocorre após anos de atritos entre Trump e Powell. Desde 2018, o presidente pressionou por cortes mais rápidos de juros e criticou custos da reforma da sede do Fed em Washington. Nas últimas semanas, o Departamento de Justiça intimou Powell por esse projeto, movimento que ele classificou como “pretexto” para forçar afrouxamento monetário. O episódio intensificou o debate sobre a independência do banco central.

No Senado, a confirmação pode enfrentar obstáculos. O republicano Thom Tillis (Carolina do Norte) afirmou que vai bloquear qualquer nomeação ao Fed até que a investigação do DOJ sobre Powell seja “totalmente e transparentemente” encerrada. Por outro lado, o senador Tim Scott (Carolina do Sul), que preside o comitê bancário, elogiou a “profunda compreensão de mercados e política monetária” de Warsh.

Trump disse não ter discutido cortes de juros com Warsh, mas indicou que a disposição para reduzir taxas era um critério na seleção. Em entrevista no ano passado, Warsh defendeu “mudança de regime” no Fed e apontou um “déficit de credibilidade” na atual gestão — postura que pode exigir habilidade para construir consensos dentro do comitê.

Disputa interna e próximos passos

A corrida pelo comando do banco central começou com 11 nomes. Na reta final, os concorrentes incluíam o governador Christopher Waller, o executivo da BlackRock Rick Rieder e o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett. Rieder, considerado favorito até quinta-feira, parabenizou Warsh e disse que ele “servirá bem à instituição e ao país”. Hassett afirmou estar “no emprego dos sonhos” e defendeu a escolha.

Um ponto aberto é o futuro de Powell. Diferentemente do padrão histórico, ele pode optar por permanecer como governador — tem mais dois anos de mandato —, possivelmente como contraponto a tentativas de interferência política. A Suprema Corte analisa, em paralelo, a tentativa da Casa Branca de afastar a governadora Lisa Cook, caso que pode definir limites do poder presidencial sobre o board do Fed.

Para brasileiros nos EUA, o que observar:
– Trajetória dos juros: cortes adicionais tendem a aliviar financiamentos imobiliários, cartões e empréstimos estudantis.
– Mercado de trabalho: sinais de enfraquecimento influenciam contratações, salários e visto de trabalho.
– Dólar e investimentos: mudanças no ritmo de cortes podem afetar câmbio, Bolsa e renda fixa americana.

A confirmação de Warsh definirá o tom da política monetária em um período de inflação ainda resistente e escrutínio político elevado — combinação rara para o banco central mais influente do mundo.

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