Trump sugere novas tarifas na tentativa de adquirir a Groenlândia

Gabriel Piziolo
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Trump cogita impor novas tarifas para pressionar aquisição da Groenlândia; Dinamarca e território rejeitam

Em nova escalada sobre a Groenlândia, o presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira que pode impor tarifas a países que “não forem junto com a Groenlândia”. Segundo ele, a ilha do Ártico é “necessária para a segurança nacional” dos EUA. A fala ocorreu na Casa Branca, durante um evento sobre saúde.

O comentário reforça a estratégia do governo Trump de usar tarifas como instrumento de pressão internacional. A Casa Branca não detalhou quais países poderiam ser alvo nem como a medida seria aplicada. A Groenlândia é um território autônomo do Reino da Dinamarca e já abriga uma base militar americana em Thule.

Por que a Groenlândia entrou no radar

Trump sustenta que os EUA precisam “possuir” a Groenlândia devido a riscos estratégicos envolvendo China e Rússia no Ártico. A administração tem mencionado diferentes caminhos: desde uma oferta formal de compra até o uso do aparato militar para assumir controle do território. Tanto a Groenlândia quanto a Dinamarca têm reiterado que a ilha não está à venda e não pretende ser incorporada aos EUA.

A pressão tarifária surge no rastro de outra frente em que Trump tem buscado vantagem: preços de medicamentos. No mesmo evento, ele disse ter ameaçado líderes estrangeiros a elevarem os valores cobrados por remédios em seus países, como parte de um acordo de “nação mais favorecida”. Caso contrário, advertiu, imporia tarifas pesadas sobre todas as importações desses países para os EUA. “Posso fazer isso com a Groenlândia também”, afirmou.

Tarifas, lei de emergência e batalha na Suprema Corte

Desde que retomou a Casa Branca, Trump ampliou o uso de tarifas em larga escala, elevando a alíquota média dos EUA para cerca de 17%, segundo estimativas. Muitas dessas medidas foram fundamentadas no International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), lei que concede poderes amplos em situações de emergência econômica internacional.

A aplicação do IEEPA pelo governo tem sido contestada e já enfrentou derrotas em tribunais inferiores. O tema chegou à Suprema Corte, que pode decidir em breve sobre a legalidade dos chamados “IEEPA tariffs”. Trump afirma que um revés no tribunal poderia comprometer parte de sua agenda econômica: “Espero que vençamos o caso na Suprema Corte, porque, se não, seria uma pena para o nosso país”, disse.

Reação de Groenlândia e Dinamarca

Autoridades da Groenlândia e da Dinamarca, após reunião em Washington com o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, relataram “discordância fundamental” com a posição de Trump. O recado mantém a linha adotada pelos dois governos: o território não está disponível para negociação de soberania.

Impacto para brasileiros nos EUA

– Comércio e preços: novas tarifas tendem a afetar cadeias de importação e custos ao consumidor. Itens importados de países eventualmente visados podem ficar mais caros.
– Mercado e investimentos: sinal de expansão tarifária aumenta incerteza regulatória e pode gerar volatilidade em ações, câmbio e setores expostos a comércio exterior.
– Relações com a Europa: a Dinamarca integra a UE; retórica tarifária contra aliados pode trazer reações políticas e comerciais, com possíveis contramedidas.

O quadro segue em evolução. A posição firme de Copenhague e Nuuk, a ameaça tarifária de Washington e o julgamento iminente na Suprema Corte criam um ponto de inflexão: ou a Casa Branca sustenta a estratégia via IEEPA, ou terá de recalibrar o caminho para o Ártico. Por ora, a Groenlândia mantém a porta fechada.

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