Um número ‘surpreendente’ de pessoas comprou novos iPhones no último trimestre – será que vai acontecer de novo?

Paulo Sergio
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A Apple encerrou o último trimestre com um salto expressivo nas vendas do iPhone, descrito por Tim Cook como “simplesmente impressionante”. A empresa superou as expectativas de Wall Street e registrou US$ 143,76 bilhões em receita total no período, impulsionada por um avanço de 23% nas vendas do smartphone. Segundo Cook, o iPhone alcançou receita recorde de US$ 85,3 bilhões: “Temos a linha mais forte e a mais popular de todos os tempos.”

Por que as vendas subiram agora

Analistas apontam três forças principais por trás do resultado:

– Efeito “atraso de upgrade”: Muitos consumidores que compraram iPhones durante a pandemia agora estão com aparelhos de 4 anos ou mais e finalmente trocaram. Segundo a Consumer Intelligence Research Partners (CIRP), quase metade dos usuários nos EUA mantém o iPhone por 3 anos ou mais — número que era 24% há cinco anos.
– Linha e preços mais enxutos: Ao descontinuar modelos anteriores ao iPhone 16, a Apple reduziu a vitrine e posicionou o iPhone 17 como a opção “do meio”, favorecendo a escolha. Já os preços dos modelos Pro e Pro Max não ficaram distantes o suficiente do iPhone 17 padrão para afastar upgrades premium.
– Ticket médio maior: Os iPhones 17 Pro e Pro Max responderam por 52% das vendas nos EUA no trimestre, segundo a CIRP. A maior participação dos modelos topo de linha elevou a receita.

Dan Ives, da Wedbush, descreve o momento como um “ciclo de upgrade surpresa”, impulsionado por uma base estimada de 315 milhões de usuários no mundo que estavam há mais de quatro anos sem trocar de aparelho. A boa recepção técnica da nova geração também ajudou, com avaliações positivas sobre desempenho e qualidade.

Vai continuar? O papel da IA e das novidades

O ritmo não está garantido. A maior durabilidade dos smartphones e a evolução “incremental” de recursos podem alongar novamente os ciclos de troca, reduzindo a urgência por upgrades. Para repetir a performance, analistas veem necessidade de saltos reais — como recursos avançados de inteligência artificial e possíveis formatos novos, incluindo um iPhone dobrável em desenvolvimento.

A Apple sinalizou esse caminho: Tim Cook anunciou uma parceria com o Google para reforçar a Siri com recursos de IA que chegam ainda este ano, além da aquisição da startup israelense Q.ai. Para Ives, isso sustenta a demanda no curto prazo: a expectativa é de continuidade do ciclo de upgrades pelos próximos 12 a 18 meses.

Para brasileiros nos EUA, o movimento importa por três motivos:
– Preço e disponibilidade: ciclos fortes podem pressionar estoques dos modelos mais desejados e manter preços elevados por mais tempo.
– Valor de revenda: demanda aquecida tende a segurar o preço de usados, favorecendo quem troca via trade-in.
– Ecossistema e produtividade: novas funções de IA integradas ao iOS e à Siri podem impactar trabalho, estudos e negócios — especialmente para quem depende do iPhone no dia a dia.

Em resumo: a alta reflete uma combinação de atraso de upgrades, estratégia comercial e maior peso dos modelos premium. A próxima perna desse ciclo depende do que a Apple entregar em IA e inovações de hardware — fatores que podem definir se o impulso atual é exceção ou o novo normal.

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