Subtítulo: DOJ divulga 3 milhões de páginas, 2 mil vídeos e 180 mil imagens; sobreviventes dizem que expõe vítimas e protege abusadores
O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) divulgou nesta sexta-feira mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados a Jeffrey Epstein, além de mais de 2.000 vídeos e 180.000 imagens, segundo o vice-procurador-geral adjunto Todd Blanche. A liberação ocorre sob a exigência do Epstein Transparency Act, lei aprovada em novembro que determinou a publicação dos arquivos.
Apesar do volume, o DOJ afirmou que não tornará público o restante do material identificado — ao todo, mais de 6 milhões de páginas foram consideradas potencialmente abrangidas pela lei. Em coletiva na sede do órgão, em Washington, Blanche disse que mais de 500 servidores trabalharam nos últimos 75 dias para revisar e identificar o que deveria ser publicado. “Estamos divulgando mais de 3 milhões de páginas hoje, e não os 6 milhões coletados”, afirmou. “Isso significa que o departamento produziu aproximadamente 3,5 milhões de páginas em conformidade com a lei.” Ele disse que não haverá novas liberações.
Vítimas contestam: “Transparência que expõe sobreviventes”
Um grupo de vítimas de Epstein criticou o DOJ, chamando a liberação de “incompleta”. Em nota obtida pelo MS Now, as sobreviventes afirmam que seus nomes e informações identificáveis estão sendo expostos, enquanto abusadores e facilitadores seguem “protegidos”. “Isso é uma traição às pessoas que esse processo deveria servir”, diz o comunicado.
As vítimas cobram a divulgação integral de todos os documentos exigidos por lei e a identificação completa de abusadores e cúmplices. O grupo pede respostas diretas da procuradora-geral Pam Bondi em audiência no Comitê Judiciário da Câmara, marcada para 11 de fevereiro. “Não vamos parar até que toda a verdade venha à tona e cada perpetrador seja responsabilizado. Isso não é sobre política. Esperamos que democratas e republicanos apoiem as sobreviventes pela liberação total dos arquivos.”
O que ficou de fora e o que foi divulgado
Segundo o DOJ, o material retido se enquadra em quatro categorias: duplicatas entre investigações de Nova York e Flórida; documentos protegidos por sigilo advocatício e outros privilégios; arquivos com representações de violência e dados pessoais de vítimas; e itens que não fazem parte dos autos de Epstein e de sua cúmplice condenada, Ghislaine Maxwell. Maxwell cumpre pena federal de 20 anos por crimes ligados ao recrutamento de menores para Epstein, que morreu em uma prisão federal em Nova York em agosto de 2019, semanas após ser preso por tráfico sexual de menores.
Blanche declarou que o departamento cumpriu integralmente a lei e negou proteção a figuras públicas. “Nós cumprimos o estatuto. Não protegemos o presidente Trump… ou qualquer pessoa”, disse. Trump foi amigo de Epstein por anos antes de um rompimento em meados dos anos 2000. “Não há um lote de documentos supersecretos sobre Jeffrey Epstein que estamos retendo”, afirmou.
A divulgação desta sexta-feira ocorre semanas após uma liberação menor em 19 de dezembro. Para a comunidade brasileira nos EUA, o caso segue relevante por seu impacto em transparência institucional, confiança pública e eventuais desdobramentos jurídicos que podem atingir nomes de alto perfil. As próximas movimentações no Congresso e possíveis contestações legais à decisão do DOJ devem manter o tema em pauta.
