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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram neste domingo (18) de seu primeiro encontro direto na campanha presidencial, em um debate realizado nos estúdios da Band, em São Paulo. O evento, com cerca de duas horas de duração, teve mediação dos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue e foi transmitido em pool com TV Gazeta, TV Cultura, Jovem Pan e o jornal O Estado de S. Paulo.
Foi a primeira participação de ambos em um debate nesta eleição. Nenhum dos dois esteve presente no único debate presidencial do primeiro turno, também promovido pela Band. Flávio chegou a anunciar que não compareceria ao encontro deste domingo, mas voltou atrás um dia depois, quando Lula confirmou presença.
O debate ocorre em meio a um cenário de empate técnico entre os candidatos. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (15) mostrou Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Já o levantamento da Quaest, divulgado na quarta-feira (14), apontou 46% a 44% a favor do senador. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio terminou à frente por uma margem inferior a dois pontos percentuais.
Segurança pública abre o debate
O primeiro bloco temático tratou de segurança pública. Flávio defendeu classificar o PCC, o Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, prometeu a construção de mais de meio milhão de vagas no sistema prisional e disse que endureceria penas, incluindo a redução da maioridade penal para crimes graves e a adoção de castração química para estupradores.
Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, já enviada pelo governo ao Congresso, e afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública assim que a proposta for votada pelo Senado. O presidente argumentou que os estados, isoladamente, não conseguiram resolver o problema da violência e cobrou maior integração entre União, estados e municípios.
Propostas econômicas divergem
No bloco sobre economia, Flávio apresentou uma proposta de o governo federal comprar, com desconto e carência, dívidas de famílias e empresas junto aos bancos. O senador também anunciou a criação de um Ministério da Prosperidade e disse que pretende transformar a Caixa Econômica Federal em um banco voltado a pequenos empreendedores de periferias.
Lula defendeu a manutenção da política de valorização do salário mínimo, a ampliação do crédito e investimentos em indústria e tecnologia, afirmando que o caminho para reduzir o endividamento das famílias é fazer a economia crescer. O presidente ainda questionou se o adversário adotaria o modelo econômico do presidente argentino Javier Milei, pergunta à qual Flávio não respondeu diretamente.
Saúde e lembranças da pandemia
Na área da saúde, Flávio prometeu levar ao SUS um padrão de atendimento semelhante ao da rede privada, com prontuário eletrônico integrado, telemedicina e uso de inteligência artificial. O senador disse ainda ter convidado Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para assumir o Ministério da Saúde em um eventual governo seu. Lula questionou se essa proposta abriria caminho para a privatização do sistema público de saúde.
Ao ser cobrado por Lula sobre a condução da pandemia de covid-19 durante o governo de seu pai, Flávio reconheceu que a saúde não foi a área de melhor desempenho da gestão Bolsonaro e fez um mea-culpa, mas sustentou que Jair Bolsonaro agiu da melhor forma possível diante de uma crise sem precedentes.
Acusações pessoais marcam os confrontos diretos
Parte significativa do tempo livre do debate foi tomada por ataques pessoais entre os candidatos. Lula cobrou explicações sobre recursos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, destinados à produção de uma cinebiografia de Jair Bolsonaro, e desafiou o senador a abrir seus sigilos bancário e telefônico. Flávio, por sua vez, questionou uma reunião que Lula teria tido com Vorcaro em 2024 e acusou o presidente de proteger o filho, Fábio Luís, o Lulinha, nas investigações sobre fraudes no INSS. Ambos negaram qualquer irregularidade.
O tom da discussão subiu em diversos momentos. Lula chamou o adversário de "malandro carioca", e Flávio respondeu dizendo que o presidente havia ofendido os moradores do Rio de Janeiro. Houve interrupções, pedidos de direito de resposta negados pela mediação e ao menos uma advertência feita ao senador durante o programa.
Relação com os Estados Unidos entra em pauta
Lula também questionou a relação da família Bolsonaro com o governo do presidente americano Donald Trump, mencionando as tarifas impostas a produtos brasileiros e possíveis acordos envolvendo minerais críticos e terras raras. Flávio negou ter atuado em favor da aplicação das tarifas e defendeu a adesão do Brasil ao Escudo das Américas, aliança de segurança contra o narcotráfico liderada pelos Estados Unidos.
Considerações finais
Nas falas de encerramento, Lula defendeu a continuidade das políticas sociais do governo e a manutenção de estatais como Petrobras e Eletrobras sob controle estatal. Flávio reafirmou o Ministério da Prosperidade como uma de suas prioridades, dirigiu-se diretamente aos moradores de favelas e periferias e agradeceu aos mais de 56 milhões de eleitores que votaram nele no primeiro turno.
A TV Globo já marcou um novo debate entre os candidatos para a sexta-feira (23), dois dias antes da votação do segundo turno.
