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Debate na Band: os principais momentos entre Flávio Bolsonaro e Lula

12 min de leitura
Nesta matéria

Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente e candidato à reeleição, fizeram no domingo, 18 de outubro de 2026, o primeiro debate do 2º turno da eleição presidencial, nos estúdios da Band, em São Paulo. Os temas principais foram segurança pública, economia, as fraudes no INSS, saúde e a relação com os Estados Unidos. O 2º turno é no domingo, 25 de outubro de 2026.

No 1º turno, em 4 de outubro de 2026, Flávio teve cerca de 56,1 milhões de votos (47% dos válidos) e Lula, cerca de 53,8 milhões (45,2%), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O debate foi promovido pela Band em parceria com a TV Cultura, o jornal O Estado de S. Paulo, a TV Gazeta e a Jovem Pan News. A mediação foi dos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue.

O formato teve três blocos:

  • uma pergunta dos mediadores para os dois candidatos em cada bloco, com dois minutos para cada resposta;
  • confrontos diretos: no 1º bloco, com banco de 15 minutos para cada um; no 2º e no 3º, com pergunta, resposta, réplica e tréplica;
  • considerações finais de dois minutos.

A ordem das falas foi definida por sorteio. Houve pedidos de direito de resposta dos dois lados; um, de Flávio, foi concedido no 1º bloco.

Segurança pública

A primeira pergunta, da mediadora Adriana Araújo, citou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública: segundo o anuário, foram 40.775 mortes violentas em 2025, o menor patamar desde 2012, e o tráfico avançou em 25 estados. A mediadora perguntou sobre o impacto da redução da maioridade penal e sobre o combate ao domínio de territórios pelo crime organizado.

Flávio respondeu primeiro. Disse que, a partir de janeiro de 2027, vai "classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas" e prometeu "recuperar cada território que foi tomado do povo brasileiro", inclusive as cadeias. Afirmou que vai construir "mais de meio milhão de vagas no sistema penitenciário" e criticou o que chamou de "política de desencarceramento" do atual governo.

Lula disse que Flávio poderia ter votado a proposta de emenda à Constituição da Segurança Pública, enviada pelo governo, e que a Constituição de 1988 deixou a segurança a cargo dos estados. Afirmou que já sancionou a lei antifacção e que o governo combate o crime organizado "da esquina ao andar de cima". Prometeu criar o Ministério da Segurança Pública se o Senado aprovar a PEC.

O tema voltou nos confrontos. No 2º bloco, Flávio citou o assassinato de Renata Teles, em 24 de dezembro de 2023, por um preso beneficiado pela saída temporária, e perguntou: "Lula, por que você está sempre pensando nos direitos dos bandidos e não está pensando nos direitos das vítimas?". Lula defendeu a saída para presos com bom comportamento e disse que condenados por crimes violentos não têm o benefício. No 3º bloco, Flávio prometeu aprovar a castração química para estupradores e defendeu a maioridade penal de 14 anos para crimes hediondos. Lula respondeu citando o programa Celular Seguro e a compra de dívidas de pessoas físicas pelo governo.

Flávio Bolsonaro, de terno azul e camisa branca, responde à pergunta sobre segurança pública
Flávio Bolsonaro, de terno azul e camisa branca, responde à pergunta sobre segurança pública. Foto: Reprodução/TV Band

Economia e renda

O mediador Eduardo Oinegue perguntou que medidas cada um adotaria para tirar o país da "armadilha" de crescimento baixo, dívida em alta e juros reais elevados, lembrando que o Brasil está sem grau de investimento há mais de dez anos. Pela ordem invertida, Lula falou primeiro.

Lula disse ter sido o primeiro presidente a conseguir o grau de investimento, entre 2007 e 2010 (as agências S&P e Fitch deram o selo em 2008, e a Moody's, em 2009), citou a criação do MEI e afirmou que seu primeiro governo pagou a dívida com o FMI e formou reservas de "270 bilhões". Prometeu investir na economia digital, na economia verde e na economia criativa.

Flávio afirmou que o PT governa o país "há 20 anos, dos últimos 24" e perguntou ao eleitor se a vida melhorou, citando o preço do arroz, do feijão e da carne. Mencionou a dívida pública de "11 trilhões de reais" (segundo o Banco Central, a dívida bruta do governo geral era de R$ 11,1 trilhões, 82,9% do PIB, em agosto de 2026) e disse que, com ele na Presidência, haveria "um espaço no orçamento de mais de 200 bilhões de reais" para ajudar famílias e o governo a pagar dívidas.

Propostas para o endividamento, ao longo do debate:

  • Flávio: disse que vai "comprar a sua dívida dos bancos" e congelar as dívidas por seis meses para pessoas físicas e por um ano para empresas.
  • Lula: disse que vai continuar aumentando o salário mínimo acima da inflação e citou o leilão de dívidas com desconto de até 92%.

No 3º bloco, sobre produtividade, Lula citou o programa Nova Indústria Brasil e os data centers; Flávio prometeu o "maior programa de mobilidade social da história" e o Ministério da Prosperidade, com a Caixa como "banco da prosperidade".

Aposentados e o INSS

As fraudes nos descontos de aposentadorias e pensões do INSS dominaram parte do primeiro confronto. Flávio disse que aliados do governo comemoraram o fim da CPI do INSS e afirmou que o esquema lesou 5 milhões de aposentados: "Você não poupou nem os aposentados velhinhos do INSS. Isso é um nojo". Disse ainda que, em seu governo, "ninguém vai roubar aposentado" e atribuiu à bancada do PT uma emenda que, segundo ele, favoreceu os sindicatos na medida provisória de Jair Bolsonaro contra fraudes no INSS.

Lula afirmou que a quadrilha foi montada no governo anterior e que o atual governo a desmontou: "Com dois anos de trabalho, nós conseguimos debelar essa quadrilha e prendemos muita gente". Disse que o governo "já pagou 3 bilhões e meio aos aposentados".

Os números citados pelos dois sobre o INSS foram analisados na checagem da TV Connect USA sobre o debate.

Saúde

No 2º bloco, Adriana Araújo lembrou que o Brasil gasta o equivalente a 4% do PIB com o Sistema Único de Saúde (SUS) e perguntou como ampliar o atendimento e de onde viria o dinheiro. Flávio respondeu primeiro. Disse que escolheu Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para o Ministério da Saúde, e prometeu:

  • um prontuário único eletrônico ligado ao CPF;
  • telemedicina;
  • o "SUS padrão Einstein".

Lula disse que Flávio "não entende de saúde", citou as mortes na pandemia de Covid e perguntou se o adversário pretende privatizar o SUS. Afirmou ter "muito orgulho" do trabalho para recuperar o sistema e lembrou que 18 de outubro é o Dia do Médico.

No confronto que veio em seguida, Lula perguntou: "Vocês não gostam do SUS?". Flávio disse que a saúde "não foi uma área que a gente teve o melhor resultado" no governo de Jair Bolsonaro, por causa da pandemia, e afirmou que Lula tomou a vacina comprada naquele governo. Na réplica, Lula citou a ampliação do programa Mais Médicos e a meta de iniciar o tratamento de câncer em até 30 dias após o diagnóstico.

Lula, de terno escuro e gravata verde e amarela, responde à pergunta sobre saúde e o SUS
Lula, de terno escuro e gravata verde e amarela, responde à pergunta sobre saúde e o SUS. Foto: Reprodução/TV Band

Perguntas diretas: o que um perguntou ao outro

Nos confrontos, cada candidato fez perguntas ao adversário. A seguir, na ordem em que aconteceram, com o contexto e a posição pública de quem foi citado.

  • Lula a Flávio, licença-maternidade: Lula perguntou sobre um voto de Flávio em 2009, como deputado estadual no Rio, contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras: "O que você tem contra as mulheres?". Flávio respondeu que não tem "absolutamente nada contra as mulheres" e citou a mulher e as filhas.
  • Flávio a Lula, Roberta Luchsinger: "Lula, você conhece Roberta Luchsinger?". A empresária é investigada pela Polícia Federal no caso das fraudes no INSS e nega ter repassado dinheiro a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Lula disse que o caso é "da Polícia Federal".
  • Flávio a Lula, o filho: "Quem é que está sustentando o seu filho?", sobre Lulinha, que vive na Espanha. Lula disse que o filho abriu os sigilos bancário e telefônico; Lulinha nega irregularidades.
  • Lula a Flávio, os R$ 134 milhões: Lula pediu que Flávio explicasse R$ 134 milhões que, segundo Lula, o senador negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio disse que já explicou o caso, que se trata de um filme e que não recebeu dinheiro. Lula também citou a compra da casa de Flávio, que disse ser de "10 milhões"; a escritura de 2021 registra R$ 5,97 milhões, com R$ 3,1 milhões financiados pelo BRB, e Flávio nega irregularidades.
  • Flávio a Lula, a reunião com Vorcaro: Flávio perguntou o que Lula prometeu a Vorcaro numa reunião com o ministro Fernando Haddad e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Lula respondeu: "Vocês fizeram ele um banqueiro e eu fiz ele um prisioneiro". Flávio rebateu que a prisão do banqueiro foi determinada pelo ministro André Mendonça, do STF.
  • Lula a Flávio, escala 6×1: Lula perguntou se Flávio vai apresentar proposta para reverter o fim da escala de seis dias de trabalho para um de folga. Flávio disse que "é óbvio que não" e, no 2º bloco, afirmou que votou a favor do fim da escala 6×1.
  • Lula a Flávio, os Estados Unidos: no 3º bloco, Lula perguntou sobre as tarifas americanas, as terras raras e o Escudo das Américas. As respostas estão na matéria sobre o que Flávio e Lula disseram sobre os EUA.

No fim do último confronto, Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico dos dois e das famílias antes da eleição. Flávio respondeu que não tem "absolutamente nada a esconder".

Flávio Bolsonaro e Lula lado a lado no palco durante o primeiro confronto direto
Flávio Bolsonaro e Lula lado a lado no palco durante o primeiro confronto direto. Foto: Reprodução/TV Band

Considerações finais

Pela ordem sorteada, Lula falou primeiro. Agradeceu a quem "tem ido para as ruas" e disse que, quando assumiu pela primeira vez, o país "estava quebrado" e que o deixou com "quase 270 bilhões de reservas" (segundo o Banco Central, as reservas eram de US$ 288,6 bilhões no fim de 2010). Afirmou que "o país está preparado para muito mais agora", citou a recuperação da indústria naval e de fertilizantes e criticou a privatização da BR Distribuidora e da Eletrobras. Atribuiu a Flávio a intenção de privatizar "95% das estatais brasileiras".

Flávio abriu dizendo que Lula repetiu a palavra "sabe" e, segundo ele, isso indica mentira. Disse que vai se comprometer a não "prometer aquilo que não pode cumprir", a "trabalhar duro" pela prosperidade e a tratar a segurança "de uma forma séria". Pediu voto: "Pode votar com tranquilidade, porque o voto é secreto". Agradeceu aos "56 milhões de brasileiros" que votaram nele no 1º turno, número que bate com o resultado do TSE.

O 2º turno é no domingo, 25 de outubro. Brasileiros que vivem nos EUA e têm título de eleitor no exterior votam nos locais definidos pelos consulados, das 8h às 17h no horário local, segundo o TSE e o Itamaraty. Veja como votar no exterior.

Perguntas frequentes

Quando é o 2º turno da eleição presidencial de 2026?
No domingo, 25 de outubro de 2026, segundo o calendário do TSE.

Quem participou do debate da Band?
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os dois candidatos mais votados no 1º turno, em 18 de outubro de 2026, com mediação de Adriana Araújo e Eduardo Oinegue.

Quais foram os principais temas?
Segurança pública, economia e dívidas, as fraudes no INSS, saúde e o SUS, a saída temporária de presos e a relação com os Estados Unidos.

O que os dois disseram sobre os EUA?
Lula perguntou sobre as tarifas americanas, as terras raras e o Escudo das Américas; Flávio disse que foi aos EUA "defender as empresas" brasileiras. Os detalhes estão na matéria sobre os EUA no debate.

Como votam os brasileiros que moram nos EUA?
Quem tem título de eleitor no exterior vota no dia 25 de outubro de 2026, nos locais definidos pelos consulados, segundo o TSE e o Itamaraty.

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