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ICE detém 50 pessoas em Danbury, incluindo pais na saída da escola

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Autoridades e lideranças comunitárias de Connecticut denunciaram nesta quarta-feira uma onda de detenções realizadas pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos) na cidade de Danbury, que incluiu pais e responsáveis abordados durante o horário de entrada e saída das escolas.

A denúncia foi feita durante uma coletiva de imprensa no Kennedy Park, que reuniu o governador Ned Lamont, o senador Chris Murphy, a deputada federal Jahana Hayes, a vice-governadora Susan Bysiewicz, o prefeito de Danbury Roberto Alves e representantes do grupo Danbury Unites for Immigrants (DUFI). O aumento da atividade do ICE ocorreu nos primeiros dias do ano escolar na cidade.

Segundo Bysiewicz, 50 pessoas foram detidas pelo ICE em Danbury nesta semana. Já o grupo Danbury Unites for Immigrants apresentou uma contagem própria, informando 16 detenções na segunda-feira, 10 na terça-feira e 25 na quarta-feira, totalizando uma estimativa de 51 detenções ao longo de três dias.

O ICE não confirmou esses números nem identificou as pessoas detidas. Em nota, um porta-voz da agência afirmou que, por segurança operacional e proteção dos agentes, o ICE não divulga nem discute detalhes de operações de aplicação da lei. A agência acrescentou que, sob o governo Trump e o secretário Mullin, quem infringir a lei enfrentará consequências, e que estrangeiros que cometem crimes não são bem-vindos nos Estados Unidos.

Governador e senador criticam operação

Lamont classificou a intensificação da fiscalização como motivo de indignação e disse ter manifestado esse sentimento diretamente ao secretário Mullin. Ele questionou se as operações estavam de fato focadas em pessoas que representam risco à segurança pública, destacando que os agentes patrulharam áreas próximas a tribunais e escolas justamente nos primeiros dias de aula e pedindo que a fiscalização se mantivesse afastada desses locais.

Segundo Lamont, o estado tem autoridade limitada para impedir que agentes federais realizem ações de fiscalização de imigração, mas afirmou que Connecticut continuará trabalhando para proteger os direitos dos residentes e cobrar responsabilidade das autoridades federais. O governador também apontou as eleições de novembro como caminho para mudar a política de imigração em nível federal, defendendo a eleição de um Congresso que possa restringir o financiamento do ICE e insistindo que essa seria a forma de reverter o cenário atual.

O senador Chris Murphy concentrou suas declarações nos relatos de ação do ICE coincidindo com o início do ano escolar, acusando a agência de gerar deliberadamente um clima de medo na comunidade, e não de atuar para proteger Danbury. Ele disse que, junto com a deputada Jahana Hayes, vai exigir informações sobre as pessoas detidas e a base legal das prisões, além de defender que o Congresso suspenda qualquer novo repasse de recursos à agência enquanto essas práticas continuarem.

A deputada Hayes orientou famílias sobre medidas imediatas caso temam que um parente seja detido. Segundo ela, seu gabinete já recebeu diversas ligações de pessoas tentando localizar familiares detidos pelo ICE, e ela recomendou que as famílias preencham com antecedência formulários de autorização de privacidade junto ao Congresso, o que permite atendimento mais rápido em casos assim. Hayes também pediu que os pais atualizem os contatos de emergência dos filhos nas escolas, para que outro adulto de confiança possa buscá-los caso um responsável seja detido, alertando para o risco de uma criança acabar sob custódia do estado por falta de alguém disponível para buscá-la. A deputada afirmou ainda ter solicitado uma reunião com autoridades federais de imigração da região para entender o foco da operação em Danbury e sua duração prevista.

Grupo de defesa de imigrantes relata famílias separadas

Representantes da Danbury Unites for Immigrants descreveram casos de famílias separadas pela ação do ICE. A voluntária Clementina Lunar relatou o caso de uma criança que, segundo contou, viu o próprio pai ser detido pelo ICE no momento em que o entregava a um responsável do transporte escolar, logo depois de colocá-la no ônibus. Lunar disse que voluntários do grupo têm levado alimentos a moradores com medo de saírem de casa e monitorado pontos de ônibus escolar para ajudar crianças a chegarem em segurança.

Juan Fonseca Tapia, imigrante mexicano e cofundador da DUFI, relatou de forma emocionada o que disse ter testemunhado durante as operações, afirmando que pessoas foram levadas em diversos pontos da cidade e descrevendo ferimentos e o uso de correntes, e não apenas algemas, em algumas detenções. Ele também relatou que uma pessoa teria sido borrifada com spray de pimenta e outra hospitalizada após ser atingida por um veículo do ICE. O ICE não confirmou os números de detenções apresentados pelo grupo nem os relatos de ferimentos.

Prefeito pede transparência em meio a tensão na coletiva

O prefeito Roberto Alves pediu mais transparência das autoridades federais sobre quem foi detido e por quais motivos. Segundo ele, a cidade está exigindo a divulgação pública do número de pessoas detidas, a base legal das operações e acesso rápido a assistência jurídica para os detidos, além de uma revisão independente sobre relatos de uso de força por agentes federais.

Alves reforçou que os moradores devem continuar recorrendo à polícia, aos bombeiros e a outros serviços de emergência de Danbury sempre que precisarem, independentemente do status de imigração. Ele também pediu que pessoas que estejam registrando a atuação dos agentes federais mantenham distância segura e não interfiram nas operações. O prefeito lembrou que Danbury foi classificada como a sétima cidade mais diversa dos Estados Unidos em estudo de 2026 do WalletHub, que avaliou mais de 500 cidades, e defendeu a união da comunidade contra a presença do ICE na região, reconhecendo que pode haver divergências sobre estratégias, mas destacando um objetivo comum de afastar a agência da cidade.

Durante a coletiva, o público presente interrompeu os representantes públicos diversas vezes, questionando o que mais poderia ser feito para conter a ação de fiscalização. Lamont chegou a ser pressionado sobre a chamada Trust Act de Connecticut, lei que limita a colaboração de forças policiais estaduais e locais com autoridades federais de imigração. Após tentar responder em meio às interrupções, o governador desistiu de continuar a resposta e se afastou do púlpito.

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