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Imigrantes brasileiros que vivem em Nova Jersey relataram à Folha de S.Paulo que evitam sair de casa para votar no primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para 4 de outubro. O motivo, segundo os relatos, é o temor de ações do ICE, a agência de imigração dos Estados Unidos.
De acordo com a reportagem, em cidades onde há mais operações de fiscalização, parte dos brasileiros passou a evitar sair durante o dia, recorrer a aplicativos de entrega de comida em vez de ir a restaurantes e acompanhar grupos de WhatsApp criados para alertar sobre a presença de agentes do ICE.
Consulado escolhe local pensando em segurança dos eleitores
Ao definir o posto de votação em Nova York, que atende eleitores residentes em Nova York, Nova Jersey e Filadélfia, o Consulado-Geral do Brasil levou esse temor em consideração, apurou a Folha. Diante da repressão contra imigrantes, a expectativa é de que a participação eleitoral de brasileiros nos EUA seja menor neste ano.
Segundo a reportagem, uma das principais preocupações da representação consular foi encontrar um espaço em que os imigrantes se sentissem protegidos, além de reduzir o risco de boca de urna e de confusões entre eleitores de diferentes forças políticas.
O local escolhido foi um complexo educacional na região do Queens, relativamente distante de centros como Manhattan e das cidades de Nova Jersey com maior concentração de brasileiros, como Newark. A estrutura do espaço permite organizar o fluxo de eleitores dentro dos prédios, evitando a formação de filas em áreas públicas.
Agentes do ICE não podem entrar em áreas privadas, como residências ou escolas, sem mandado judicial assinado por um juiz, o que explica por que a maioria das prisões da agência ocorre em locais públicos. Casos isolados, como uma prisão realizada nas dependências da Universidade Columbia, em Manhattan, geraram grande repercussão, segundo o texto.
A preocupação com a segurança dos eleitores brasileiros também partiu da Secretaria de Relações Internacionais da Prefeitura de Nova York e da Polícia de Nova York, que ajudaram a mapear o local considerado mais seguro para a votação, de acordo com a Folha.
Embora o governo federal do republicano Donald Trump promova a repressão contra imigrantes em nível nacional, a cidade e o estado de Nova York, sob administrações democratas, são classificados como "santuários", termo usado para regiões que não apoiam esse tipo de medida, segundo a reportagem.
Por razões semelhantes, o Consulado-Geral do Peru em Nova York também realizou sua votação presidencial, em abril passado, no mesmo espaço. Naquele pleito, foi eleito o candidato de direita Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori.
Consulado brasileiro justifica escolha do espaço
Em nota à Folha, o Consulado-Geral do Brasil em Nova York afirmou que a opção pelo complexo escolar se deu porque as dependências do próprio consulado não teriam capacidade para receber o fluxo de quase 50 mil eleitores da região. Segundo a nota, a escolha evita a formação de filas nas ruas e oferece um espaço mais confortável e seguro aos eleitores.
O Brasil enviou ao Departamento de Estado americano, entre o final de junho e o início de julho, informações sobre todos os postos de votação nos EUA. Além de Nova York, há postos em Atlanta, Boston, Chicago, Hartford, Houston, Dallas, Miami, Los Angeles, Salt Lake City, Orlando, San Francisco e Washington.
O Departamento de Estado americano informou que a polícia dos EUA não será responsável por garantir a ordem pública em locais de votação que não sejam os próprios consulados, como é o caso de Nova York. Nesses casos, a responsabilidade pela segurança ficará a cargo do Brasil.
Baixa adesão eleitoral entre brasileiros nos EUA
De acordo com estimativas mais recentes do Itamaraty, há hoje cerca de 2 milhões de brasileiros vivendo nos Estados Unidos. Já os dados mais atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam cerca de 265 mil eleitores registrados para votar no país, número que evidencia um interesse relativamente baixo em participar do pleito.
Na eleição presidencial de 2022, os brasileiros nos EUA votaram majoritariamente no então presidente Jair Bolsonaro (PL), que buscava a reeleição. O maior bastião da direita brasileira no país ficou em Miami, onde 81,2% dos votos foram para o ex-presidente.
Em apenas três dos dez postos consulares em que houve votação naquele ano o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu vitorioso, com destaque para San Francisco, na Califórnia, onde obteve 60,1% dos votos. A cidade é historicamente uma das mais progressistas dos Estados Unidos e reúne muitos brasileiros ligados à área de tecnologia, segundo a reportagem.
