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O turismo na Flórida registrou queda pelo segundo trimestre consecutivo em 2026, segundo dados divulgados recentemente. No primeiro trimestre do ano, o estado teve uma retração de 2% no número de visitantes, e no segundo trimestre a queda foi de pouco menos de 1%, de acordo com informações da Gray Florida Capital Bureau.
O movimento chamou atenção de autoridades locais, como o senador americano Rick Scott. Após a pandemia, o turismo na Flórida vinha em rápida recuperação, mas os números deste ano indicam desaceleração, especialmente entre os visitantes canadenses.
O turismo canadense para a Flórida caiu 25% em relação à primavera e ao verão do ano passado, segundo dados citados por professores universitários ouvidos pela reportagem. Parte da queda é atribuída a um atrito comercial entre Estados Unidos e Canadá. O premiê de Ontário, Doug Ford, classificou como um ataque não provocado contra os canadenses e contra a soberania do país, mencionando declarações sobre o Canadá se tornar o "51º estado" americano. Ford afirmou esperar que as partes cheguem a um entendimento e que haja um acordo justo para os dois países.
Especialistas avaliam causas da retração
Apesar da queda, professores das universidades do Sul da Flórida (USF) e da Flórida (UF) dizem não estar excessivamente preocupados com o cenário. Segundo eles, o atrito comercial entre EUA e Canadá provavelmente tem alguma influência sobre os números, mas a maior parte da retração, e também da provável recuperação, está sob controle do próprio estado. A avaliação é de que só haveria motivo para preocupação caso a queda se mantivesse por seis a oito meses.
Rachel Fu, chefe do departamento de turismo e hospitalidade da Universidade da Flórida, afirmou que fatores como custo de vida, percepção dos canadenses em relação aos EUA, comportamento de viagem doméstica e dificuldades na entrada de estrangeiros no país criam obstáculos, mas que não haveria motivo para preocupação com apenas dois trimestres de dados. Segundo ela, a Flórida opera dentro de um ecossistema turístico internacional mais amplo, que inclui exigências de visto, processamento de documentos, percepções sobre a entrada no país, taxas de câmbio e a experiência na fronteira, fatores que afetam o estado mesmo quando ele oferece um produto turístico de qualidade.
Brooke Hansen, diretora de gestão de hospitalidade e turismo da Universidade do Sul da Flórida, disse que as pessoas continuam viajando apesar de questões políticas e da inflação, mas de forma diferente. Segundo ela, mesmo com desaceleração em algumas áreas do mercado, há um crescimento expressivo no segmento de turismo de luxo.
Menos turistas, mais gasto
De acordo com os professores ouvidos pela reportagem, parte da indústria do turismo tem buscado atrair menos viajantes que gastem mais, em vez de priorizar apenas o volume de visitantes. Hansen afirmou que muitos destinos turísticos reformularam completamente suas estratégias para atrair viajantes de baixo volume e alto valor, em vez de concentrar grandes multidões em pontos turísticos de massa.
Fu acrescentou que o turismo da Flórida pode voltar a crescer, principalmente se as lideranças estaduais conseguirem superar a percepção de que o estado se resume à Disney World. Segundo ela, é preciso diferenciar quem simplesmente não quer visitar a Flórida de quem tem interesse no destino, mas enxerga a entrada nos Estados Unidos como algo difícil, caro ou incerto, já que essas duas situações exigem estratégias de marketing completamente diferentes.
Senador classifica queda como preocupante
O senador Rick Scott disse, em publicação nas redes sociais, que a queda do turismo por dois trimestres seguidos é preocupante, já que representa menos empregos e menos receita para as famílias da Flórida. Segundo ele, o estado nunca deveria registrar queda no turismo, e o fato de isso ocorrer pelo segundo trimestre consecutivo é motivo de atenção. Na mesma publicação, Scott declarou apoio à candidatura do deputado Byron Donalds ao governo da Flórida.
