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Calor extremo eleva atendimentos de emergência por diversas causas, aponta estudo

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Dias de calor extremo podem provocar muito mais do que casos de desidratação e insolação nas salas de emergência dos Estados Unidos. Um amplo estudo conduzido por pesquisadores da Northwestern University identificou aumento nos atendimentos relacionados a problemas renais, doenças de pele, complicações vasculares, lesões, agressões e até ferimentos acidentais por arma de fogo durante períodos de temperaturas elevadas.

A pesquisa analisou 916.404 atendimentos realizados em salas de emergência e centros de atendimento de urgência de Chicago entre 2011 e 2023. O objetivo era identificar quais doenças e lesões se tornavam mais frequentes nos dias em que a temperatura atingia 92,6°F, o equivalente a 33,7°C, ou mais.

Os resultados, publicados na revista científica Science Advances, mostraram aumento em mais de uma dúzia de grandes categorias de doenças e lesões nesses dias de calor intenso. Entre elas estão condições normalmente associadas ao calor, como problemas renais e alterações ligadas à desidratação, mas também ocorrências menos óbvias.

Ferimentos e agressões aumentam nos dias mais quentes

Um dos resultados que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o crescimento dos ferimentos acidentais provocados por armas de fogo. Segundo o estudo, esse tipo de ocorrência apresentou aumento superior a 30 vezes nos dias de calor intenso, na comparação com dias de temperaturas abaixo de aproximadamente 92°F. Lesões relacionadas a agressões também registraram crescimento expressivo.

Abel Kho, professor de medicina interna da Northwestern University e um dos autores do estudo, afirmou que profissionais que trabalham em salas de emergência já reconhecem, na prática diária, o impacto dos dias extremamente quentes. Segundo ele, quando as temperaturas sobem, aumentam tanto as lesões externas quanto as complicações de determinadas condições médicas.

Os pesquisadores fazem uma ressalva importante: o levantamento identificou uma associação estatística entre temperaturas elevadas e o aumento dos atendimentos, mas isso não significa que o calor tenha sido comprovado como causa direta de cada uma das ocorrências analisadas.

Problemas renais estão entre os principais riscos

Diversas condições que apresentaram aumento nos dias mais quentes estavam relacionadas aos rins e ao sistema renal, o que pode ser explicado, em parte, pelas alterações provocadas pela perda de líquidos. Durante períodos de calor intenso, o organismo precisa trabalhar mais para controlar a temperatura corporal, a transpiração aumenta e, sem reposição adequada de líquidos, a desidratação pode provocar ou agravar diferentes problemas de saúde.

Mudanças na quantidade de líquidos no organismo também podem afetar o sistema cardiovascular, já que o coração precisa se esforçar mais para bombear o sangue e ajudar o corpo a liberar calor pela pele. Chama a atenção, no entanto, que problemas cardiovasculares não tenham aparecido no estudo com o mesmo grau de aumento observado em outras pesquisas sobre calor extremo. Uma possível explicação é que pacientes com problemas cardíacos frequentemente apresentam complicações simultâneas, como alterações renais ou relacionadas à quantidade de líquidos no organismo, o que pode fazer com que esses casos acabem classificados em outras categorias de diagnóstico.

Calor também pode influenciar efeitos de substâncias

Outro resultado observado pelos pesquisadores foi o crescimento de atendimentos relacionados a problemas de saúde mental associados ao uso de maconha. Segundo Kho, médicos já sabem que medicamentos e outras substâncias podem produzir efeitos diferentes quando o organismo está submetido a estresse fisiológico. Em situações de calor extremo, determinadas substâncias podem, portanto, produzir efeitos mais intensos ou contribuir para complicações.

Riscos do calor podem estar sendo subestimados

Especialistas que não participaram da pesquisa afirmam que os resultados reforçam a possibilidade de que os impactos das altas temperaturas sobre a saúde estejam sendo subestimados. Isso ocorre porque muitos estudos anteriores procuravam especificamente diagnósticos classificados como doenças provocadas pelo calor, caso da insolação.

A nova pesquisa adotou uma abordagem diferente: os cientistas analisaram os registros médicos de forma ampla para identificar quais tipos de atendimento aumentavam nos dias mais quentes, mesmo quando o diagnóstico não mencionava diretamente o calor. Embora o levantamento tenha analisado apenas dados de Chicago, especialistas afirmam que as conclusões podem ajudar a compreender um problema muito mais amplo, relevante também para outras cidades dos Estados Unidos que enfrentam ondas de calor.

Ondas de calor estão ficando mais frequentes

O estudo ganha relevância em um momento em que pesquisadores observam ondas de calor mais frequentes, intensas e prolongadas em diferentes regiões do mundo. Daniel Horton, cientista climático da Northwestern University e coautor da pesquisa, destacou que temperaturas extremas não aumentam apenas o risco de morte. Elas também podem elevar a chamada morbidade, ou seja, doenças, lesões e outras complicações que prejudicam a saúde e podem levar pessoas aos hospitais.

O impacto também pode representar maior pressão sobre sistemas de saúde, com aumento da demanda por salas de emergência, profissionais e recursos hospitalares durante períodos de calor intenso.

Especialistas recomendam atenção redobrada

A principal orientação dos especialistas é não esperar pelos sintomas clássicos de insolação para considerar o calor uma ameaça à saúde. Pessoas com condições crônicas, principalmente doenças renais, problemas venosos e outras enfermidades que podem ser agravadas pela perda de líquidos, devem adotar cuidados adicionais nos dias de temperaturas extremas.

Manter uma hidratação adequada, evitar exposição prolongada ao calor e observar alterações no organismo tornam-se ainda mais importantes nesses períodos. Para os profissionais de emergência, a relação entre temperatura e movimento nos hospitais já é bastante conhecida: quando o calor aumenta, a tendência é de uma noite mais movimentada nos pronto-socorros.

Com informações da Associated Press (AP).

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