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Pela primeira vez, os carros movidos só a gasolina viraram minoria nas vendas de carros novos no mundo. No primeiro semestre de 2026, eles foram 49% dos carros novos vendidos, contra 73% em 2021, segundo dados da consultoria Mobility Global (antiga S&P Global Mobility) analisados pelo jornal japonês Nikkei. A conta considera só os modelos a gasolina sem nenhum motor elétrico: os híbridos entram em outra categoria.
Foram 20,25 milhões de carros só a gasolina de janeiro a junho, 10% a menos que um ano antes. Os híbridos convencionais (que não se ligam na tomada) chegaram a 7,27 milhões, 18% do mercado, e os 100% elétricos, a 6,87 milhões, 17%. Segundo o Nikkei, a alta do petróleo com o conflito no Oriente Médio levou mais consumidores para os elétricos. A base de dados exclui alguns veículos grandes, segundo o Seoul Economic Daily.
Os números do semestre
Os dados foram publicados pelo Nikkei em 2 de outubro e repercutidos pelo site Motor1 e pelo jornal sul-coreano Seoul Economic Daily. Pelos números:
- Só gasolina: 20,25 milhões de unidades, 49% das vendas, 3 pontos percentuais a menos que no primeiro semestre de 2025.
- Híbridos convencionais: 7,27 milhões, alta de 10%, 18% das vendas.
- 100% elétricos: 6,87 milhões, alta de 12%, 17% das vendas.
A queda das vendas de carros só a gasolina foi mais forte na China, cerca de 26%, e na Europa, cerca de 13%, segundo o Motor1.
O que a Agência Internacional de Energia diz
A Agência Internacional de Energia (IEA) chega a uma conclusão parecida por outro caminho. No relatório "Electric Car Markets in a Time of Uncertainty", publicado em julho, a agência conta como carro elétrico tanto o 100% elétrico quanto o híbrido plug-in. Por esse critério, os elétricos foram 24% dos carros vendidos no mundo no primeiro semestre.
Segundo a IEA, as vendas de carros elétricos no segundo trimestre foram 35% maiores que no primeiro e 4% maiores que no mesmo trimestre de 2025, mesmo com o mercado total de carros em queda de cerca de 5% no semestre, puxada pela China e pelos Estados Unidos. Segundo a IEA, o conflito no Oriente Médio, a partir de 28 de fevereiro de 2026, e a crise de energia que veio depois renovaram a atenção sobre o petróleo usado no transporte rodoviário, que responde por quase metade do consumo mundial. Em alguns mercados, as vendas de elétricos praticamente dobraram desde o início da crise, segundo a agência. As vendas trimestrais bateram recorde em 50 países, segundo a IEA, citada pela Agence Europe.
A previsão da IEA é que os elétricos cheguem a 29% das vendas mundiais de carros em 2026, cerca de 23 milhões de unidades.

E nos Estados Unidos?
O mercado americano vai na contramão. Segundo o Kelley Blue Book, da Cox Automotive, foram vendidos 262.649 carros elétricos (sem contar os híbridos) no terceiro trimestre de 2026, cerca de 6,4% de todos os carros novos. É 6,1% a mais que no segundo trimestre, mas 39,5% a menos que no terceiro trimestre de 2025, quando os compradores correram para aproveitar os incentivos federais que estavam acabando. O crédito tributário federal para elétricos terminou no fim do terceiro trimestre de 2025, segundo a IEA.
Para quem ainda abastece, o preço da gasolina segue sendo assunto: na Geórgia, uma guerra de preços entre postos chegou a derrubar o galão para menos de US$ 1.

E no Brasil?
A IEA cita o Brasil entre os mercados de elétricos de bom tamanho, ao lado de Austrália, Índia, Coreia do Sul e Vietnã, em que as vendas praticamente dobraram de março a junho, em comparação com o mesmo período de 2025. Na América Latina como um todo, as vendas de elétricos mais que dobraram no primeiro semestre, segundo a agência.
A chinesa BYD vendeu 23.465 veículos no Brasil em julho, mais que o dobro dos 9.680 de julho de 2025, e ficou em quarto lugar no mercado, com 9,1%, segundo a própria empresa, de acordo com a agência Reuters. A fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, foi inaugurada em outubro de 2025.
Perguntas frequentes
Os carros a gasolina estão deixando de ser vendidos?
Não. Os modelos só a gasolina ainda foram o maior grupo, com 49% das vendas no primeiro semestre de 2026, segundo a Mobility Global. A novidade é que, pela primeira vez, ficaram abaixo da metade. Somando os híbridos, que também têm motor a combustão, a maioria dos carros novos ainda usa gasolina de alguma forma.
Por que os números de elétricos variam (17%, 24%, 29%)?
Porque medem coisas diferentes. Os 17% da Mobility Global são só os 100% elétricos no primeiro semestre. Os 24% da IEA incluem os híbridos plug-in no mesmo período. E 29% é a previsão da IEA para o ano de 2026 inteiro.
Quanto os elétricos representam nos EUA?
Cerca de 6,4% dos carros novos vendidos no terceiro trimestre de 2026, segundo o Kelley Blue Book, da Cox Automotive.
