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Por que Kimberly Guilfoyle deixou a Embaixada dos EUA na Grécia

6 min de leitura
Nesta matéria

A Casa Branca pediu, e Kimberly Guilfoyle deixou o cargo de embaixadora dos Estados Unidos na Grécia. O pedido de renúncia foi anunciado na terça-feira, 13 de outubro de 2026, pela então porta-voz da Casa Branca, Katie Zacharia, na primeira coletiva dela. "Pedimos à embaixadora Guilfoyle que renuncie", disse, segundo a CBS News. "Ela foi um ótimo trunfo para a equipe, e desejamos tudo de bom a ela." Guilfoyle saiu no mesmo dia, segundo a agência Associated Press.

A saída veio depois de reportagens do jornal The Wall Street Journal segundo as quais ela teria pedido a um doador do presidente Donald Trump que pagasse uma fatura de US$ 100 mil do cartão de crédito dela. Guilfoyle nega: "Essas acusações são falsas, e pretendo defender com vigor meu nome, minha reputação e minha integridade", escreveu no X.

Zacharia, que fez o anúncio, deixou o cargo de porta-voz na sexta-feira, 16 de outubro, menos de uma semana depois de assumir.

O que o Wall Street Journal relatou

Segundo o Wall Street Journal, citado pela CBS News, mensagens de texto indicam que Guilfoyle pediu US$ 100 mil para pagar a fatura do cartão American Express antes da sabatina no Senado, em julho de 2025. O pedido teria sido feito ao empresário Eric Deters, doador de Trump, que chamou a proposta de "pay to play" (pagar para ter acesso). Deters disse que nunca fez o pagamento, segundo a Fox News.

O jornal também relatou, segundo a AP, que ela promoveu os interesses de uma empresa grega de construção e energia e deixou o lobista dessa empresa participar de reuniões diplomáticas privadas. A Fox News identifica a empresa como Aktor Group. Em janeiro de 2026, ainda segundo o Wall Street Journal citado pela CBS, ela se gabou de "magnatas gregos" que pagavam suas viagens de luxo.

Os advogados dela, David Schwartz e Jesse Binnall, disseram à AP que os US$ 100 mil eram pagamento por aparições e palestras feitas antes da indicação e que não tinham sido pagas, e que ela seguiu as orientações de viagem do Departamento de Estado. Binnall também contesta a autenticidade das mensagens, segundo a Fox News. "Qualquer insinuação de irregularidade por parte da embaixadora não tem fundamento", disse Binnall, segundo a Fox News.

Antes da saída, duas pessoas a par do assunto disseram à NBC News que o Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Estado investiga Guilfoyle e a embaixada. O órgão não confirma nem nega investigações, e outra autoridade americana disse à AP que não sabia informar se há uma investigação formal.

Kimberly Guilfoyle, de terninho escuro, conversa com marinheiros de uniforme branco no convés do destróier USS Oscar Austin, na baía de Souda, na Grécia, em maio de 2026
Kimberly Guilfoyle, de terninho escuro, conversa com marinheiros de uniforme branco no convés do destróier USS Oscar Austin, na baía de Souda, na Grécia, em maio de 2026. Foto: Marinha dos EUA/Christopher William Mazuca (domínio público)

O que disseram Trump, Rubio e Guilfoyle

Antes do anúncio, perguntado se iria demiti-la, Trump disse: "Estamos analisando. Não estamos contentes", segundo a AP. Na terça, afirmou: "Ela estava fazendo um bom trabalho, mas não gostamos do que estávamos lendo", de acordo com a Fox News.

Na semana anterior, em visita a Atenas, o secretário de Estado, Marco Rubio, tinha dito que "nossa embaixadora tem sido uma embaixadora forte". Questionado depois sobre as reportagens, afirmou que elas "não são o evangelho", segundo a AP.

No X, Guilfoyle escreveu que servir como embaixadora na Grécia foi "a honra de uma vida" e que "meu tempo como embaixadora pode estar chegando ao fim". "Não vou permitir que acusações falsas definam minhas décadas de serviço público", afirmou, segundo a Fox News. Ela disse ainda que sua gratidão e seu respeito por Trump e por Rubio "continuam inabaláveis".

Quem é Kimberly Guilfoyle

Guilfoyle foi promotora assistente em San Francisco de 2000 a 2004, foi casada com o hoje governador da Califórnia, Gavin Newsom, de 2001 a 2006, e trabalhou na Fox News de 2006 a 2018, onde apresentou o programa "The Five". Depois, ficou noiva de Donald Trump Jr., filho do presidente; os dois se separaram no fim de 2024.

Trump a indicou para a Grécia em dezembro de 2024. Ela foi confirmada pelo Senado em setembro de 2025 e apresentou as credenciais ao presidente grego, Konstantinos Tasoulas, em 4 de novembro de 2025, em Atenas.

Quem comanda a embaixada agora

Com a saída, o diplomata de carreira Josh Huck, que era o número 2 da embaixada (vice-chefe de missão), assumiu como encarregado de negócios interino, segundo o site Keep Talking Greece. "Os Estados Unidos continuam firmemente comprometidos com a parceria próxima com a Grécia", disse a embaixada em nota. Até a madrugada desta quinta-feira, 22 de outubro, a Casa Branca não tinha anunciado quem vai substituir Guilfoyle. O nome precisa ser aprovado pelo Senado.

O secretário de Estado, Marco Rubio (à direita), posa com Kimberly Guilfoyle e o vice-chefe de missão Josh Huck na entrada da Embaixada dos EUA em Atenas, em 7 de outubro de 2026
O secretário de Estado, Marco Rubio (à direita), posa com Kimberly Guilfoyle e o vice-chefe de missão Josh Huck na entrada da Embaixada dos EUA em Atenas, em 7 de outubro de 2026. Foto: Departamento de Estado dos EUA (domínio público)

Perguntas frequentes

Kimberly Guilfoyle foi demitida ou renunciou?
A Casa Branca pediu que ela renunciasse, e ela deixou o cargo no mesmo dia, 13 de outubro de 2026.

O que foi relatado sobre Guilfoyle?
Segundo reportagens do Wall Street Journal, de pedir US$ 100 mil a um doador de Trump para pagar a fatura do cartão de crédito e de favorecer uma empresa grega. Ela nega, e os advogados dela dizem que o dinheiro era pagamento por palestras. Nenhuma das fontes consultadas relata processo na Justiça.

Quem vai substituir Guilfoyle na Grécia?
Até 22 de outubro, nenhum nome tinha sido anunciado. A embaixada é comandada interinamente pelo diplomata de carreira Josh Huck.

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