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Cientista de Stanford conta aos filhos que ganhou o Nobel de Medicina de 2026

5 min de leitura
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"Pai, você ganhou todos os prêmios!" Foi assim que a filha Sophie, de 10 anos, reagiu quando o psiquiatra e neurocientista Karl Deisseroth, da Universidade Stanford, na Califórnia, contou em casa que tinha ganhado o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026, segundo a ABC News. O prêmio foi anunciado pela Assembleia Nobel do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, na segunda-feira, 5 de outubro de 2026.

Deisseroth, de 54 anos, divide o prêmio com os alemães Peter Hegemann, da Universidade Humboldt, em Berlim, e Georg Nagel, da Universidade de Würzburg, pelas descobertas sobre canais iônicos ativados por luz e a optogenética, técnica que usa luz para ligar e desligar neurônios no cérebro, segundo a Assembleia Nobel. O vídeo da cena em casa foi publicado pela Universidade Stanford e gravado por Dylan Conn.

O post está no Instagram da TV Connect USA.

A cena em casa

No vídeo, Deisseroth conta às filhas Emma, de 13 anos, e Sophie que recebeu uma ligação e que vai dividir o prêmio com outras duas pessoas. As duas gritam "Meu Deus!" e correm para abraçá-lo. Segundo a ABC News, depois da frase de Sophie ele respondeu: "Bom, agora eu posso relaxar!"

Em seguida, ele dá a notícia ao filho, Hudson, que reage: "O quê? Meu Deus, o quê?". E logo depois: "Que demais!"

A ligação de Estocolmo chegou de madrugada no horário da Califórnia. Segundo a agência AP, Deisseroth, que se define como notívago, tinha acabado de se deitar depois de revisar artigos e responder e-mails de alunos. "Não houve sono de verdade", disse ele uma hora depois do anúncio.

Depois de horas de entrevistas, ele pediu à equipe de Stanford uma pausa de uma hora, a partir das 6h30, para preparar o lanche das crianças antes da escola, ainda segundo a AP. A mulher dele, a neuro-oncologista pediátrica Michelle Monje-Deisseroth, também de Stanford, disse não estar surpresa com o prêmio. Sobre a movimentação de madrugada, comentou que "há muitos Nobel na vizinhança".

Arcos do Main Quad da Universidade Stanford, na Califórnia, com a Hoover Tower ao fundo
Arcos do Main Quad da Universidade Stanford, na Califórnia, com a Hoover Tower ao fundo. Foto: Frank Schulenburg / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Quem é Karl Deisseroth

Deisseroth é professor de bioengenharia e de psiquiatria e ciências comportamentais em Stanford e pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes. Em entrevista à AP, ele disse: "Sou psiquiatra. Eu me importo com pacientes, os meus pacientes que têm autismo, que têm depressão." Segundo ele, o que o move é "entender esse órgão incrível, o cérebro".

O Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026 é de 12 milhões de coroas suecas, divididos entre os três vencedores, segundo a Fundação Nobel. A entrega é feita na cerimônia oficial em Estocolmo, tradicionalmente em 10 de dezembro. Deisseroth nasceu em 1971 e fez doutorado e medicina na própria Stanford, onde trabalha hoje, segundo a biografia divulgada pelo Nobel.

Karl Deisseroth, em preto e branco, com a mão apoiada na têmpora
Karl Deisseroth, em preto e branco, com a mão apoiada na têmpora. Foto: Christopher Michel / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O que é a optogenética

Segundo o comunicado da Assembleia Nobel, Hegemann e Nagel descobriram no início dos anos 2000 a canalrodopsina, uma proteína da alga unicelular Chlamydomonas que abre um canal na membrana da célula quando recebe luz azul e gera um impulso elétrico. Deisseroth colocou o gene dessa proteína em neurônios de ratos e mostrou, em 2005, que a luz podia disparar um sinal nervoso. Dois anos depois, fez a técnica funcionar no cérebro de camundongos vivos.

Ainda segundo a Assembleia Nobel, a optogenética já revelou circuitos do cérebro ligados a memórias, emoções e comportamentos relevantes para doenças neurológicas e psiquiátricas, e é testada em tentativas de devolver a visão a pessoas com deficiência visual.

O presidente do Comitê Nobel de Fisiologia ou Medicina, Per Svenningsson, disse que a optogenética oferece oportunidades de "mapear o cérebro de um jeito com que antes só podíamos sonhar".

Ilustração em inglês que explica a descoberta da canalrodopsina na alga Chlamydomonas e o uso da luz para ativar neurônios no cérebro de camundongos
Ilustração em inglês que explica a descoberta da canalrodopsina na alga Chlamydomonas e o uso da luz para ativar neurônios no cérebro de camundongos. Foto: Hegasy (Guido4) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Perguntas frequentes

Quem ganhou o Nobel de Medicina de 2026?
Karl Deisseroth, da Universidade Stanford, nos EUA, e os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel, anunciados em 5 de outubro de 2026.

Por que eles ganharam o Nobel?
Pelas descobertas sobre canais iônicos ativados por luz e a optogenética, técnica que usa luz para ligar e desligar neurônios, segundo a Assembleia Nobel.

Quando é a entrega do Nobel de 2026?
A cerimônia em Estocolmo é tradicionalmente realizada em 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel.

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