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Ações da Tesla caem 9% em três meses sob efeito da IPO da SpaceX

4 min de leitura
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Nos três meses seguintes à oferta pública inicial (IPO) da SpaceX, as ações da Tesla caíram 8,9%, segundo dados citados pela Bloomberg. No mesmo período, o índice S&P 500 teve alta de 2,7%, enquanto os papéis da SpaceX são negociados 9,8% acima do preço de estreia, de US$ 135, registrado em 11 de junho.

Durante quinze anos, a Tesla foi a única empresa de capital aberto ligada a Elon Musk. Com a entrada da SpaceX no mercado acionário, investidores passaram a ter um segundo parâmetro para medir o sentimento em relação aos negócios do empresário, o que teria contribuído para o desempenho mais fraco das ações da fabricante de veículos elétricos.

"Os investidores têm encarado a SpaceX como a história de crescimento mais limpa e a Tesla como a aposta de recuperação mais arriscada", disse Lale Akoner, estrategista de mercado global da Etoro, à Bloomberg.

Preocupação antecipada por analistas

Segundo a reportagem, analistas de mercado já discutiam esse cenário desde as primeiras notícias, ainda em 2026, de que a SpaceX buscaria abrir capital. A avaliação era de que a presença simultânea das duas empresas de Musk na bolsa poderia diluir o chamado "prêmio Musk", termo usado para descrever o valor extra que investidores atribuem à Tesla exclusivamente por causa da liderança do empresário.

A Bloomberg observa que a Tesla resistiu à abertura de capital da SpaceX melhor do que muitos temiam, mas que a própria empresa deu poucos motivos para atrair novos investidores nesse período.

Resultados e lançamento decepcionam investidores

O balanço divulgado pela Tesla em julho provocou uma queda de mais de 20% nas ações em cinco sessões seguidas, em meio a preocupações crescentes com os gastos de capital da empresa. Já o lançamento do Cybercab, veículo autônomo aguardado pelo mercado, também frustrou expectativas na semana anterior à reportagem e motivou a abertura de uma investigação regulatória federal, segundo a Bloomberg.

Mesmo um resultado de entregas de veículos no segundo trimestre bem acima do esperado não foi suficiente para impulsionar as ações, que seguem em dificuldade.

Apesar desse cenário, a Tesla continua sendo a empresa mais cara do S&P 500, negociada a 177 vezes o lucro projetado. Em comparação, as outras sete gigantes de tecnologia do índice têm relação preço/lucro média de 23, segundo os dados citados.

Indicadores técnicos reforçam cautela

De acordo com a reportagem, os indicadores técnicos também sugerem um cenário desafiador para a Tesla, que está em tendência de baixa desde dezembro e é negociada abaixo das principais médias móveis. Rich Ross, chefe de análise técnica da Evercore ISI, apontou que o fechamento de US$ 374 registrado em 22 de julho, véspera da divulgação de resultados, tem funcionado como nível de resistência de curto prazo para as ações.

"Não se pode dizer que as ações da Tesla estejam em uma posição forte", afirmou Ross à Bloomberg.

Futuro das duas empresas ainda é incerto

A reportagem ressalva que a vantagem da SpaceX sobre a Tesla não é uma conclusão definitiva. Ambas as empresas ainda precisam comprovar que seus produtos anunciados, como os carros autônomos e os robôs Optimus, no caso da Tesla, ou os data centers orbitais, no caso da SpaceX, podem gerar receita concreta.

"Agora, a SpaceX precisa provar que uma receita anualizada de US$ 100 bilhões é real, e a Tesla precisa provar que é mais do que as ações de Musk que as pessoas detinham antes da SpaceX estar disponível", disse Dave Mazza, diretor executivo da Roundhill Financial, que mantém posições nas duas empresas, à Bloomberg.

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