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A briga do Flamengo por uma vaga na final da Libertadores 2026 segue nos tribunais. O clube carioca aguarda o julgamento da Corte Arbitral do Esporte (CAS) sobre a escalação do zagueiro Marcos Rojo pelo Estudiantes na semifinal, e espera reverter a eliminação sofrida nos pênaltis. Não há data para o caso ser julgado. A final está marcada para 28 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai, e o Estudiantes, se mantiver a vaga, enfrentará o Palmeiras.
Segundo o ge, o clima nos bastidores é de otimismo nos dois lados. A imprensa argentina destaca que a diretoria do Estudiantes não teme perder a vaga, enquanto o Flamengo se diz internamente confiante em obter os pontos da segunda partida da semifinal.
O que diz o documento do CAS
O ge teve acesso à última página da medida cautelar (decisão provisória, tomada antes do julgamento final), assinada por Antonio de Quesada, do CAS. O texto concede o pedido do Estudiantes apenas em parte. Na avaliação do órgão, o interesse do jogador em preservar uma oportunidade esportiva de especial relevância, que talvez não volte a ter, prevalece, para efeitos cautelares, sobre os interesses contrários à sua participação.
O documento também afirma que a aparência de bom direito da apelação pesa em favor do jogador. Diante das normas da própria Conmebol e das dúvidas que a entidade manifestou sobre sua aplicação, o CAS entendeu que permitir cautelarmente a participação de Rojo não compromete a integridade da competição.
A parte rejeitada é um ponto central para o Flamengo. O Estudiantes havia pedido que a participação do jogador não pudesse ser usada pela Conmebol como base para sanção esportiva ou disciplinar contra o clube ou o atleta. O CAS negou, por considerar que o pedido trata de uma situação hipotética, já que nenhuma sanção foi aplicada. O texto ressalta que a rejeição não significa reconhecer que uma sanção seria cabível, nem antecipa a análise de eventual punição. Ao fim, o documento afirma que cabe ao Estudiantes e ao jogador avaliar os riscos caso o laudo final do CAS não confirme a elegibilidade de Rojo.
A posição do Flamengo e os precedentes
O Flamengo foi citado no processo pelo próprio Estudiantes antes da semifinal. O clube enviou ao CAS e ao Estudiantes uma resposta contrária à escalação de Rojo, em documento do dia 21. Nele, registrou que a eventual participação do zagueiro ocorreria por conta e risco exclusivos do clube argentino, sem prejuízo dos direitos do Flamengo, entre eles o de apresentar reclamação por escalação irregular, com base no artigo 24.1.b do Código Disciplinar da Conmebol, e o de obter as consequências esportivas cabíveis conforme a decisão final.
O artigo 19 do mesmo código prevê que a equipe responsável por uma escalação indevida será considerada perdedora da partida por 3 a 0. O Flamengo avisou que reivindicaria os pontos do jogo se Rojo fosse escalado, e ele foi titular na lateral esquerda.
Para sustentar o pedido, o clube se apoia em precedentes da Conmebol envolvendo clubes brasileiros. Em 2018, o Santos foi eliminado nas oitavas de final após escalar o meia Carlos Sánchez. Já a Chapecoense perdeu pontos pela escalação do zagueiro Luiz Otávio e ficou sem chances de avançar da fase de grupos.
Após a vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-MG, no Maracanã, o técnico Jardim foi questionado sobre o tema na entrevista coletiva de segunda-feira. "Eu acredito que é possível, mas essa situação está no departamento jurídico e eu não vou me alongar", disse.
Como Rojo chegou ao Estudiantes
O Estudiantes contratou Rojo depois do fim da janela de transferências na Argentina. O jogador estava no Racing e teve uma saída conturbada, com rompimento de relações com o presidente Diego Milito. Segundo o ge, o clube de La Plata estava sem dois titulares da defesa, Pirez e Tomás Palacios, suspensos para o primeiro jogo da semifinal, e pagou US$ 500 mil (cerca de R$ 2,5 milhões) para fechar o negócio. Também assumiu bônus de US$ 250 mil (R$ 1,2 milhão) em caso de classificação à final e de US$ 450 mil (R$ 2,2 milhões) se for campeão.
A Associação de Futebol Argentino (AFA) permitiu a inscrição do zagueiro no campeonato nacional, na vaga do lesionado Gabriel Neves. A Conmebol, porém, recusou duas vezes a inscrição para a Libertadores, o que levou o Estudiantes a recorrer ao CAS para poder escalá-lo no Maracanã.
O jogo terminou em 0 a 0, e o Estudiantes avançou nos pênaltis por 3 a 2.
