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A prefeitura de Limoges, no centro da França, ficou de pé durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Na noite de sábado, 17 de outubro de 2026, foi destruída em grande parte por um incêndio criminoso, depois de um dia de protestos contra o custo de vida que terminou em saques e ataques a prédios públicos em várias cidades do país. Segundo o préfet da Haute-Vienne, Maurice Barate, representante do governo francês no departamento, o prédio está "em grande parte perdido", e o fogo foi provocado por "casseurs", como os franceses chamam os vândalos que agem em manifestações.
O edifício foi construído entre 1879 e 1883 e é monumento histórico protegido desde 1975. O campanário de 43 metros, símbolo da cidade, desabou durante a noite. Ninguém morreu. Na manhã desta terça-feira, 20 de outubro, um homem de 34 anos suspeito de envolvimento no incêndio foi preso pela unidade de elite da polícia RAID, segundo a promotoria de Limoges, citada pela France 3. No domingo (18), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu prometeu, em carta ao prefeito, que a prefeitura "será reconstruída".
Como foi a noite do incêndio
De acordo com a cronologia apresentada pelo préfet e publicada pela rádio pública ICI, os atos começaram às 11h de sábado, sem aviso prévio às autoridades. Por volta das 17h30, policiais cercados por cerca de mil pessoas recuaram para dentro da prefeitura. Às 18h, um grupo entrou no prédio e ateou fogo no subsolo, no térreo e nos andares de cima.
O campanário caiu por volta das 20h30. O fogo foi controlado antes das 9h de domingo. Segundo o préfet, o telhado desabou sobre os andares de baixo, exceto na ala oeste, e dois terços da fachada foram destruídos. A ala administrativa dos fundos foi salva, e o arquivo municipal está sendo retirado do prédio.
"Eles puseram fogo sabendo que havia vereadores e público dentro do prédio", disse Barate. Ainda de acordo com ele, 31 policiais ficaram feridos e cinco viaturas foram queimadas.

Quem está sendo investigado
A procuradora de Limoges, Émilie Abrantes, abriu uma investigação criminal, conduzida pela divisão de crime organizado da polícia. Os investigadores analisam câmeras de segurança, imagens de drones e vídeos das redes sociais. Os autores podem pegar até 20 anos de prisão por destruição com meio perigoso, em bando organizado.
Na terça-feira, 20 de outubro, a promotoria de Limoges confirmou a prisão de um homem na investigação do incêndio, feita pela unidade RAID de Bordeaux, de acordo com a France 3. Segundo a emissora, ele tem 34 anos e foi detido em Val d'Issoire, vilarejo no norte da Haute-Vienne, a cerca de 40 quilômetros de Limoges. O nome não foi divulgado, e até a tarde de terça a promotoria não tinha detalhado qual teria sido o papel dele no incêndio.
A France 3 e a franceinfo informam que a investigação o apresenta como "ativista de ultraesquerda" e "fiché S", a ficha dos serviços de inteligência franceses para pessoas vistas como possível ameaça à segurança. Segundo a franceinfo, os investigadores acreditam que ele é o homem que aparece em imagens do incêndio vestido de preto, agachado no parapeito de uma janela, que recebe uma tocha acesa e a joga para dentro da prefeitura. Um amigo de infância ouvido pela France 3 negou qualquer ligação dele com a ultraesquerda e o descreveu como alguém "muito calmo, pacífico", que defende a ecologia e os direitos humanos.
A subdireção antiterrorismo da polícia (SDAT) passou a atuar no caso ao lado da divisão de crime organizado, mas a promotoria de Limoges continua à frente da investigação, segundo a France 3. O porta-voz do Ministério da Justiça, Sacha Straub-Kahn, disse que a promotoria nacional antiterrorismo ainda não assumiu o caso, mas "acompanha" a promotoria local para decidir se deve assumir. "Temos certeza, pelas imagens, de que essa pessoa não agiu sozinha", afirmou à rádio ICI. De acordo com a franceinfo, havia buscas no acampamento onde o suspeito morava e entre pessoas próximas a ele, e outras prisões podem acontecer.
Os 17 detidos respondem por saques
As 17 pessoas detidas em Limoges depois dos protestos, entre elas menores de idade, respondem por outro caso. Segundo a procuradora Émilie Abrantes, elas foram presas por saques a lojas do centro e, por enquanto, não são suspeitas de participação no incêndio.
Em 19 de outubro, a promotoria informou que, das 17 detenções, 15 resultaram em apresentação à Justiça (10 adultos e 5 menores). Todos os adultos foram condenados a penas de prisão, com ou sem conversão para regime alternativo, de acordo com o balanço publicado pela France 3. Para os menores, a promotoria pediu medidas de controle judicial, com proibição de participar de manifestações e toque de recolher.

O que dizem o prefeito e o governo
"Foi tudo perfeitamente organizado", disse o prefeito Guillaume Guérin, do partido Os Republicanos (LR), à TV local 7ALimoges. "Policiais municipais contra 700 vândalos não aguentam muito." Ele contou que um jovem guarda municipal lhe disse: "Senhor prefeito, eu me vi morto". Guérin estima o prejuízo entre dezenas de milhões e mais de 100 milhões de euros e disse que está pronto a renunciar, junto com a equipe, se o Estado não apresentar um plano específico para a cidade. Depois da prisão do suspeito, o prefeito pediu, em nota, "sanções penais exemplares" à altura da gravidade do crime.
Na carta de domingo, Lecornu escreveu que a prefeitura "é o símbolo de uma nação que não se deixa abater nem intimidar" e que "os contribuintes de Limoges sozinhos não podem arcar com o custo" da destruição. Ele prometeu ajuda financeira do Estado, sem dizer quanto, e uma visita à cidade nos próximos dias.
Perguntas frequentes
O que aconteceu com a prefeitura de Limoges?
O prédio, de 1883 e protegido como monumento histórico desde 1975, foi incendiado na noite de 17 de outubro de 2026. O campanário de 43 metros desabou e a parte histórica ficou em grande parte destruída.
Alguém foi preso pelo incêndio?
Sim. Em 20 de outubro de 2026, a promotoria de Limoges confirmou a prisão de um homem de 34 anos suspeito de envolvimento no incêndio, segundo a France 3. As 17 pessoas detidas antes em Limoges foram presas por saques e, segundo a procuradora Émilie Abrantes, não são, por enquanto, suspeitas do incêndio.
A prefeitura será reconstruída?
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu prometeu a reconstrução e ajuda financeira do Estado, sem valor definido.
