Pular para o conteúdo
Connect ID

Entre ou crie seu Connect ID

Notícias, vídeos e suas preferências. Tudo conectado.

Carregando Connect ID…

Piketty diz à BBC que nacionalismo de Trump no Brasil seria ruim para o mundo

4 min de leitura
Nesta matéria

O economista francês Thomas Piketty, de 55 anos, afirmou à BBC News Brasil que seria "muito triste" tanto para o Brasil quanto para o mundo se o país seguir na direção do que ele chama de "nacionalismo trumpista" nas eleições que se aproximam. Segundo ele, o Brasil tem papel central na construção de um sistema econômico internacional mais inclusivo e precisa continuar contribuindo nesse sentido.

Piketty afirmou que, nos últimos cinco anos, a situação global "piorou em muitos sentidos". Ele havia defendido anteriormente que o mundo vivia condições parecidas às que antecederam a Revolução Francesa, marcadas por desigualdade extrema entre elites muito ricas e uma multidão de pessoas em situações precárias. Para o economista, essa comparação funcionava mais como alerta do que como equivalência histórica direta, já que, segundo ele, esse tipo de cenário costuma desembocar em crises políticas capazes de mudar o rumo dos acontecimentos.

Ao avaliar o momento atual, Piketty disse à BBC que o mundo vive "um período repleto de distopias", com "tecnobilionários" e "tecnonacionalistas" elaborando o que classificou como "visões malucas sobre o futuro". Ele criticou o que chamou de "visão trumpista do futuro", afirmando que ela "não está funcionando" e não resolve problemas de desenvolvimento nem ambientais que, na sua avaliação, precisam ser enfrentados.

Relatório propõe moeda única e imposto sobre bilionários

Piketty voltou ao centro do debate internacional em junho, com a divulgação do Relatório de Justiça Global, elaborado por uma equipe de cerca de 50 pessoas sob sua liderança no World Inequality Lab, ligado à Paris School of Economics. O estudo analisou dados sociais e econômicos de diversos países ao longo dos últimos anos e reúne uma série de propostas consideradas ambiciosas.

Entre as sugestões está a criação de uma moeda única internacional, administrada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que substituiria o dólar. O relatório também defende políticas globais voltadas a nivelar a renda per capita mundial em 5 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 29 mil pela cotação de final de setembro, até o ano 2100.

Outra proposta prevê a redução, até essa data, da média internacional de horas trabalhadas para menos da metade do patamar atual, com deslocamento de mão de obra do setor de produção de alimentos para as áreas de educação e saúde. O documento também retoma bandeiras historicamente associadas às pesquisas de Piketty, autor de "O Capital no Século XXI", como a criação de um imposto global sobre grandes fortunas, com foco especial na tributação de bilionários.

Papel do Brasil nas discussões sobre tributação global

Segundo Piketty, o Brasil ocupa posição central nesse debate. Em 2024, durante a reunião do G20 no Rio de Janeiro, o país conseguiu incluir, pela primeira vez, uma menção sobre a importância de tributar os super-ricos no comunicado final da cúpula, apesar da resistência da Argentina.

Desde então, a diplomacia brasileira tem mantido esse projeto em pauta nas rodadas de negociação promovidas pela ONU para discutir um sistema tributário internacional. A próxima reunião do grupo está prevista para ocorrer entre novembro e dezembro, no Quênia.

É nesse contexto que Piketty afirma esperar a continuidade da participação brasileira nas discussões. "Precisamos do Brasil contribuindo para reconstruir o sistema monetário, econômico internacional em um sentido mais inclusivo, igualitário, democrático e consciente sobre o clima", disse à BBC.

Role para carregar a próxima matéria.