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Os principais jornais do mundo voltaram as atenções neste domingo para as eleições brasileiras de 2026. Veículos como The Guardian, The New York Times, Le Monde e a agência Reuters destacaram a importância do pleito para a América Latina e chamaram atenção para como o resultado pode influenciar a relação do Brasil com os Estados Unidos.
As reportagens também mencionaram a ausência dos dois principais candidatos, o presidente Lula e Flávio Bolsonaro nos debates televisivos, além do peso que os escândalos de corrupção ligados ao Banco Master tiveram ao longo da campanha.
The Guardian destaca importância regional
O jornal britânico The Guardian trouxe a eleição brasileira como manchete em seu site na manhã deste domingo, com o título "Brasil vai às urnas em eleição decisiva para o futuro da América Latina". A publicação descreveu a disputa como um confronto entre "o presidente de esquerda e o filho de extrema-direita do ex-presidente preso", referindo-se a Lula e Flávio Bolsonaro.
Segundo o texto, o pleito é "altamente polarizado" e de "grande importância", já que pode alterar os rumos não apenas do Brasil, mas de toda a região. O jornal observou que o país é um dos poucos da América Latina a manter um governo de esquerda, em meio a uma onda de vitórias de direita e extrema direita na região, citando também a "tomada do poder pelos EUA na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro".
Sobre a relação com os Estados Unidos, o The Guardian apontou que Lula se posiciona como um dos últimos líderes regionais dispostos a confrontar Donald Trump, tendo acusado o presidente americano de tentar interferir nas eleições brasileiras em favor de Bolsonaro. Já Flávio, de acordo com o jornal, segue a mesma linha do pai: "elogia frequentemente o presidente americano e prometeu se juntar à coalizão liderada pelos EUA contra os cartéis de drogas, que já matou dezenas de pessoas em ataques aéreos e realizou operações militares em toda a região".
New York Times fala em teste para a direita latino-americana
O New York Times classificou a eleição como "o maior teste até agora para a direita em ascensão na América Latina" e como um pleito "crucial". Segundo o jornal, a disputa carrega "consequências profundas para os planos de Washington de dominar a região", colocando frente a frente um presidente de esquerda que já desafiou Trump repetidamente e um aliado de direita alinhado ao líder americano em temas como crime organizado e ideologia woke.
O veículo americano também mencionou preocupação de que Trump possa tentar influenciar o resultado das eleições. Além disso, destacou o impacto do escândalo de corrupção envolvendo o Banco Master sobre o entusiasmo dos eleitores, descrevendo-o como "um vasto escândalo de corrupção envolvendo grande parte da elite judicial e política, incluindo o próprio Bolsonaro".
Le Monde cita campanha "sem brilho" sob sombra da interferência americana
O francês Le Monde descreveu a campanha presidencial como "sem brilho" e "altamente incerta sob a sombra da interferência americana". O jornal destacou o acirramento entre Lula e Flávio Bolsonaro e observou que, apesar das "implicações geopolíticas sem precedentes" da eleição, o resultado seguiu incerto até o fim, moldado principalmente por questões internas.
Dias antes da votação, o Le Monde havia publicado um manifesto assinado por mais de 30 personalidades, entre elas o cantor e compositor Chico Buarque, o ex-jogador Raí, o economista Thomas Piketty e os ganhadores do Nobel de Economia Joseph Stiglitz e Philippe Aghion. No texto, os signatários citaram medidas do governo Trump contra o Brasil e acusaram Flávio Bolsonaro de ser "cúmplice" da influência americana nas eleições, afirmando que o pleito definiria "se a maior democracia da América Latina continuará a ser uma democracia".
Reuters menciona escândalos e ausência de debates
A agência Reuters publicou que "brasileiros vão às urnas em eleição crucial e polarizada", destacando que a disputa foi "dominada por escândalos de corrupção, ansiedade econômica e acusações de interferência dos EUA". Segundo a agência, uma vitória de Flávio Bolsonaro ampliaria a onda de vitórias de candidatos de direita alinhados a Trump na América Latina, enquanto a reeleição de Lula poderia representar uma dificuldade adicional para Washington, já em atrito com o governo brasileiro em temas de comércio e segurança.
A Reuters também citou a ausência dos dois principais candidatos nos debates televisivos e a consequente falta de debate político ao longo da campanha, "apesar das crescentes preocupações com as finanças públicas do Brasil e do lento crescimento econômico".
A agência resgatou ainda o episódio em que Trump chamou a condenação de Jair Bolsonaro, no ano passado, de "caça às bruxas", impondo tarifas ao Brasil em resposta. Segundo o texto, Lula classificou a medida como tentativa de influenciar as eleições e acusou a família Bolsonaro de estar disposta a agradar Washington "às custas do Brasil".
Brasileiros nos EUA acompanham a disputa
A repercussão internacional ocorre no mesmo dia em que brasileiros residentes nos Estados Unidos também participam da votação. A eleição é acompanhada de perto por parte da comunidade brasileira no exterior, dado o peso que o resultado pode ter nas relações entre Brasília e Washington nos próximos anos.
Fonte original: oglobo.globo.com
