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Brasileiro que a PF liga ao PCC pega 12 anos nos EUA como gerente de rede de lavagem

7 min de leitura
Nesta matéria

O brasileiro Ygor Fokin Saviolli, de 35 anos, foi condenado na sexta-feira (16 de outubro de 2026) a 12 anos de prisão nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Justiça (DOJ), ele foi gerente e supervisor de uma rede que lavou mais de US$ 30 milhões, incluindo dinheiro do tráfico de drogas. O caso correu na Justiça Federal do Distrito Sul da Flórida.

No Brasil, a Polícia Federal aponta Saviolli como coordenador logístico de um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo a Agência Brasil. O comunicado do DOJ sobre a condenação não menciona a facção.

O que diz o Departamento de Justiça

De acordo com o DOJ, a organização atuava em todo o território americano e se estendia por vários países. Mensageiros nos EUA recebiam dinheiro vivo da venda de drogas e depositavam os valores em bancos pelo país, para esconder os lucros e devolvê-los, entre outros, a fornecedores de droga que operavam fora dos Estados Unidos.

Dezenas de coletas pelo país foram combinadas em grupos de WhatsApp, e os mensageiros buscavam o dinheiro em cidades como Atlanta, Charlotte, Chicago, Cleveland, Minneapolis, Rochester (Nova York) e Tampa. Segundo o DOJ, Saviolli adiantava o dinheiro para bancar as operações e supervisionava o recebimento e a lavagem do dinheiro vivo do tráfico. Ao longo da conspiração, a rede escondeu mais de US$ 30 milhões em espécie.

Trecho do comunicado do Departamento de Justiça de 16 de outubro de 2026 com o título em inglês sobre a condenação do brasileiro a 12 anos e o parágrafo inicial grifado em amarelo
Trecho do comunicado do Departamento de Justiça de 16 de outubro de 2026 com o título em inglês sobre a condenação do brasileiro a 12 anos e o parágrafo inicial grifado em amarelo. Foto: Reprodução: Departamento de Justiça dos EUA (grifo da TV Connect)

O FBI investigou o caso, com apoio da DEA, a agência antidrogas americana, e do Homeland Security Investigations (HSI), incluindo a adidância do HSI em Brasília. O DOJ informa que o processo faz parte da Homeland Security Task Force, força-tarefa federal criada por ordem executiva para combater cartéis e organizações criminosas transnacionais.

Os outros cinco condenados

Em 24 de setembro, outros cinco réus do mesmo processo receberam penas de 94 meses a 12 meses e 1 dia de prisão, segundo o DOJ:

  • Gabriel Cezar Menezes, 29 anos, brasileiro: 94 meses. Atuava como facilitador, orientando os mensageiros, e buscou dinheiro pessoalmente várias vezes.
  • Omar Aliperti De Mello Correa, 34 anos, cidadão americano: 30 meses.
  • Leandro De Avila Goncalves, 43 anos, brasileiro: 24 meses.
  • Joao Andrade De Mello, 29 anos, e Tadeu Sebastiane Rabelo Alves Barbosa, 30 anos, brasileiros: 12 meses e 1 dia cada.

Correa, De Mello, Barbosa e Goncalves eram mensageiros. Segundo o DOJ, os réus brasileiros estavam em situação irregular nos EUA quando foram presos.

Culpa admitida em junho e prisão em janeiro

Os seis se declararam culpados de conspiração para lavagem de dinheiro, crime com pena máxima de 20 anos de prisão. Em comunicado de 24 de junho, o DOJ informou que Saviolli tinha se declarado culpado na véspera e que a Justiça aceitou a declaração naquele dia; as dos outros cinco tinham sido aceitas em 1º de junho. Segundo esse comunicado, os réus brasileiros, entre eles Saviolli, moravam em Orlando em situação irregular, e Correa, cidadão americano, também morava na cidade.

Registros da Justiça Federal mostram que Saviolli foi preso em 21 de janeiro de 2026 no Distrito Médio da Flórida e passou por audiência na Justiça Federal em Orlando antes de ser transferido para o Distrito Sul, em Miami, onde teve, em 18 de fevereiro, a primeira audiência e a leitura da acusação. O processo tinha sido aberto em dezembro de 2025.

A Gazeta do Povo informou, em 21 de outubro, que não localizou as defesas dos acusados.

A ligação com o PCC, segundo a PF e o Tesouro

Segundo a Agência Brasil, Saviolli é apontado pela PF como um dos coordenadores do esquema investigado na Operação Exchange, deflagrada em 3 de julho de 2026 contra o braço financeiro da facção, de acordo com o Estadão. Segundo o jornal, a PF o aponta como coordenador logístico de um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões da facção e diz que ele divide a liderança do esquema com Victor Henrique de Oliveira Shimada. Ainda segundo o Estadão, Saviolli foi detido no aeroporto de Fort Lauderdale em 2023 e teve o celular apreendido; o material foi analisado pelo HSI, que compartilhou as provas com a PF, e a investigação deu origem à operação.

Dois dias antes, em 1º de julho, o Tesouro dos EUA afirmou que a rede de lavagem do PCC operava de dois lugares: a Flórida e São Paulo. No mesmo comunicado, o Tesouro disse que o FBI prendeu em janeiro seis integrantes do grupo baseado na Flórida, indiciados por lavagem no Distrito Sul da Flórida. O Tesouro não cita nomes desses seis.

Trecho do comunicado do Tesouro dos EUA de 1º de julho de 2026, sob o título "DOJ and Treasury coordinate to disrupt a PCC money laundering network", com a frase sobre a Flórida e São Paulo grifada em amarelo
Trecho do comunicado do Tesouro dos EUA de 1º de julho de 2026, sob o título "DOJ and Treasury coordinate to disrupt a PCC money laundering network", com a frase sobre a Flórida e São Paulo grifada em amarelo. Foto: Reprodução: Departamento do Tesouro dos EUA (grifo da TV Connect)

Naquele dia, o Tesouro sancionou o braço paulista da rede, que, segundo o órgão, era liderado por Shimada. Segundo o órgão, a organização de Shimada lavou mais de US$ 30 milhões gerados em cidades americanas e usava criptomoedas para mandar o dinheiro de volta ao Brasil em nome do PCC. O Tesouro também afirma que operadores da facção lavam dinheiro do tráfico em todo o território americano, em especial na Flórida.

Alerta: cuidado com quem pede para movimentar dinheiro

Em página sobre "laranjas" (money mules) usados em fraudes, o Departamento de Justiça avisa que movimentar dinheiro para atividades ilegais, sabendo disso, pode levar a acusação criminal. As orientações do órgão:

  • Desconfie de pedidos para receber e repassar dinheiro, pacotes, cartões-presente ou moeda virtual.
  • Ofertas de emprego que exigem abrir conta bancária ou que se resumem a enviar e receber dinheiro merecem atenção redobrada.
  • Se cair nessa: pare de falar com a pessoa, avise o seu banco e denuncie às autoridades.

A TV Connect também mostrou o caso de seis americanos acusados de vender casamentos falsos, a maioria para brasileiros, em Massachusetts.

Perguntas frequentes

Quem é o brasileiro condenado nos EUA por lavagem?
Ygor Fokin Saviolli, de 35 anos. Segundo o Departamento de Justiça, ele foi gerente e supervisor de uma rede que lavou mais de US$ 30 milhões.

Qual foi a pena?
Doze anos de prisão, anunciados em 16 de outubro de 2026. Os outros cinco condenados no processo receberam de 12 meses e 1 dia a 94 meses.

O Departamento de Justiça liga o caso ao PCC?
Não. O comunicado da condenação não cita a facção. A ligação com o PCC é atribuída à Polícia Federal, segundo a Agência Brasil e o Estadão, e o Tesouro dos EUA associou ao PCC uma rede de lavagem baseada na Flórida e em São Paulo.

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