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A eleição presidencial brasileira é apontada por analistas como um momento decisivo para testar a estratégia do governo de Donald Trump de ampliar sua influência sobre a América Latina. A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição para um quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, acontece em meio a uma guinada à direita observada em diversos países da região.
Segundo o analista político Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quarterly, uma eventual vitória de Bolsonaro representaria a consolidação desse movimento e da influência regional de Trump, já que significaria o triunfo de um aliado político do republicano no maior país da América Latina. Em entrevista à BBC News Brasil, Winter descreveu o cenário como a possível "peça fundamental" de uma onda de líderes alinhados a Trump que tem ganhado força na região.
"O Brasil é o maior prêmio. É pessoalmente importante para Trump. Ele tem uma relação com a família Bolsonaro que remonta a muitos anos", afirmou Winter à BBC News Brasil.
Vitória de Lula geraria reação diferente da Casa Branca
Na avaliação do analista, uma vitória de Lula teria outro efeito: solidificaria o legado do petista como figura histórica da esquerda no Sul Global, mas criaria, segundo suas palavras, uma "dor de cabeça no curto prazo" para Trump, dada a relação entre os dois que Winter classifica como marcada por "altos e baixos".
"Acho que a Casa Branca provavelmente reagiria com decepção caso Lula vença. E então buscaria algum tipo de entendimento pragmático com Lula", disse Winter à BBC News Brasil.
Trump diz acompanhar eleição "de perto"
Na quinta-feira (1º), três dias antes do primeiro turno, Trump afirmou a jornalistas que está acompanhando "de perto" o pleito brasileiro. "O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante", disse o presidente americano, sem citar nominalmente nenhum dos candidatos.
Na sexta-feira (2), questionado se apoiaria Bolsonaro, Trump voltou a dizer apenas que está acompanhando a eleição de perto. As falas ocorrem em meio ao receio do governo brasileiro de que o republicano tente interferir no processo eleitoral do país.
Ainda na sexta, Estados Unidos e Austrália anunciaram o fechamento de suas embaixadas e consulados no Brasil. O governo americano não detalhou os motivos da decisão, afirmando apenas que tem como prioridade máxima "a segurança e a proteção dos cidadãos americanos".
Padrão de apoio a candidatos de direita na região
Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro do ano passado, Trump declarou apoio aberto a diversos candidatos de direita ao redor do mundo, incluindo na América Latina. Entre os exemplos recentes estão Abelardo De La Espriella, eleito em junho na Colômbia, e Nasry Asfura, vencedor do pleito do ano passado em Honduras.
Na Argentina, a coalizão do presidente Javier Milei, que assumiu em 2023, antes do retorno de Trump à Casa Branca, teve uma vitória expressiva nas eleições legislativas do ano passado depois de Trump sugerir que o auxílio financeiro ao país dependeria do resultado nas urnas.
As manifestações de apoio de Trump ocorrem em meio a uma sequência recente de vitórias da direita na América Latina. Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador e Peru também estão entre os países da região cujas eleições presidenciais recentes foram vencidas por candidatos conservadores.
Oscilações políticas são recorrentes na região
Analistas lembram que movimentos de guinada à direita ou à esquerda são comuns e ocorrem periodicamente na América Latina. Um exemplo citado é a chamada "Maré Rosa", guinada à esquerda do início dos anos 2000, além das próprias vitórias de candidatos esquerdistas em vários países, incluindo o Brasil, no início desta década.
Para o professor Carlos Gustavo Poggio, especialista em relações Brasil-EUA da universidade Berea College, no Kentucky, o fenômeno atual também é impulsionado pelo sentimento de insatisfação com os governos em exercício, independentemente de ideologia. "Acho que é uma questão menos ideológica e mais das pessoas insatisfeitas com os atuais mandatários", disse Poggio à BBC News Brasil.
Fonte original: g1.globo.com
