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Apostadores do Polymarket dão 92,5% aos democratas na Câmara dos EUA; no Kalshi, 91,5%

10 min de leitura
Nesta matéria

Os apostadores dão vantagem aos democratas na disputa pela Câmara dos Deputados dos EUA nas eleições de meio de mandato (midterms) de terça-feira, 3 de novembro de 2026. Na manhã desta quinta-feira (22), por volta das 9h (horário de Nova York), o contrato de vitória democrata na Câmara estava cotado a 92,5 centavos de dólar no Polymarket e a 91,5 centavos no Kalshi, duas plataformas de mercado de previsão. Na leitura do mercado, isso equivale a 92,5% e 91,5% de chance, segundo os dados públicos das próprias plataformas.

No Senado, a vantagem democrata é menor: 67,5% no Polymarket e 67% no Kalshi, na mesma consulta. Pelas mesmas cotações, a chance de os republicanos ficarem com a Câmara era de 7,5% no Polymarket e 8,8% no Kalshi; no Senado, de 32,5% e 34%. Mercado de apostas não é pesquisa eleitoral: o preço é formado por quem coloca dinheiro e muda a cada minuto.

Câmara: democratas na frente nas duas plataformas

No Polymarket, o mercado "Which party will win the House in 2026?" (que partido vai ganhar a Câmara em 2026?) acumulava cerca de US$ 20,2 milhões em apostas desde a abertura, segundo a plataforma. A cotação democrata estava em 92,5%, o mesmo valor de um mês antes, no registro diário do próprio Polymarket; no período, oscilou entre 90,5% e 93,5%.

No Kalshi, o mercado equivalente, "Which party will win the U.S. House?", tinha o contrato democrata em 91,5% e o republicano em 8,8%.

Há um ano, a cotação era outra. No registro diário do Polymarket de um ano antes, a chance democrata na Câmara era de 60%.

Pelos dados públicos das APIs das plataformas, os números do Polymarket são o ponto médio entre as ofertas de compra e de venda, e os do Kalshi, o último negócio fechado em cada contrato. Por isso, no Kalshi, a soma das opções pode passar um pouco de 100%.

Plenário vazio da Câmara dos Deputados dos EUA, no Capitólio, em Washington (imagem de arquivo)
Plenário vazio da Câmara dos Deputados dos EUA, no Capitólio, em Washington (imagem de arquivo). Foto: Câmara dos Deputados dos EUA / Wikimedia Commons (domínio público)

Senado: vantagem democrata menor

No Polymarket, a cotação democrata para o Senado estava em 67,5% nesta quinta. Um mês antes, no registro diário da plataforma, era de 63,5%; um ano antes, de 25,5%, segundo a série de preços do Polymarket. Nesse intervalo de um mês, a cotação oscilou entre 62,5% e 67,5%. O mercado do Senado no Polymarket acumulava cerca de US$ 7,76 milhões em apostas desde a abertura.

No Kalshi, o contrato democrata no Senado estava em 67%, e o republicano, em 34%.

O Congresso inteiro: as quatro combinações

As duas plataformas também têm um mercado que combina as duas Casas. Na consulta desta quinta, as cotações eram estas:

  • Democratas nas duas Casas: 67,5% no Polymarket; 68% no Kalshi.
  • Câmara democrata e Senado republicano: 23,5% no Polymarket; 26% no Kalshi.
  • Republicanos nas duas Casas: 7,5% no Polymarket; 8,7% no Kalshi.
  • Câmara republicana e Senado democrata: 0,85% no Polymarket; 0,6% no Kalshi.

O mercado combinado do Polymarket, "Balance of Power: 2026 Midterms", era o maior dos três consultados, com cerca de US$ 29,7 milhões em apostas desde a abertura.

O que é mercado de previsão

Mercado de previsão é uma plataforma em que as pessoas compram e vendem contratos sobre o resultado de acontecimentos reais, como uma eleição. Segundo a documentação do Polymarket, os preços refletem a crença coletiva do mercado na probabilidade de o evento acontecer, e a negociação é feita diretamente entre usuários, e não contra a casa.

O Kalshi explica, na sua central de ajuda, que junta compradores e vendedores com opiniões opostas e que a soma do que os dois lados investem tem de ser US$ 1. O preço acompanha a probabilidade que o mercado vê no evento, de 0% (certo que não acontece) a 100% (certo que acontece). No exemplo da plataforma, se o mercado vê 70% de chance, o "sim" é negociado a 70 centavos de dólar e o "não", a 30 centavos.

Isso não é pesquisa de opinião nem previsão de especialista: é o preço que os apostadores aceitam pagar naquele momento.

É legal apostar em eleição nos EUA?

Depende da plataforma e, em parte, do estado. O Kalshi informa ser regulado pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), a agência federal que fiscaliza o mercado de derivativos, na categoria Designated Contract Market (DCM), a de bolsa designada pela agência para negociar contratos. Segundo a agência Reuters, o Kalshi bloqueia apostas eleitorais de políticos e de quem trabalha em campanhas.

Plataformas e estados disputam na Justiça quem pode regular esses contratos. Em março de 2026, a procuradora-geral do Arizona, Kris Mayes, abriu um processo criminal contra o Kalshi, acusando a empresa de violar leis estaduais que proíbem apostas em eleições; em maio, o juiz federal Michael Liburdi barrou o processo, por entender que a supervisão federal da CFTC prevalece sobre as leis de jogo do estado nesse caso, segundo o site Public Gaming. Em outro caso, o Tribunal de Apelações do 9º Circuito decidiu que Nevada pode aplicar suas leis de apostas esportivas aos contratos de esportes do Kalshi, mas não resolveu se os estados podem regular os contratos ligados a eleições, questão que voltou para a primeira instância, segundo o mesmo site, em reportagem de 2 de setembro. Em abril, a principal autoridade de aplicação da lei de Wisconsin processou o Kalshi e o Polymarket, entre outras empresas, acusando-as de facilitar apostas esportivas ilegais, segundo o site Cointelegraph.

O Polymarket funciona com criptomoeda: segundo a documentação da empresa, a plataforma roda na rede de blockchain Polygon e usa como garantia o pUSD (Polymarket USD). As cotações do Polymarket citadas nesta reportagem vêm da API pública da plataforma principal, internacional, que, segundo o Cointelegraph, em reportagem de 29 de abril de 2026, ainda deixava de fora quem está nos EUA, como parte de um acordo de 2022 com a CFTC que incluiu multa de US$ 1,4 milhão. Na mesma reportagem, o site informou, citando a Bloomberg, que por sua vez ouviu pessoas a par do assunto, que a empresa estava em conversas com a CFTC para voltar a aceitar americanos na plataforma principal. Até a manhã desta quinta (22), a TV Connect não encontrou notícia de aprovação.

Para o público dos EUA, a empresa tem uma bolsa separada, o Polymarket US. Segundo o site Covers, a empresa voltou ao mercado americano depois de comprar a QCEX, uma bolsa com licença da CFTC, e em maio de 2026 acabou com a lista de espera do aplicativo para iPhone (iOS). A TV Connect não confirmou se as mesmas cotações eleitorais estão disponíveis no aplicativo americano.

As regras de cadastro (idade, documentos e estados atendidos) são definidas por cada plataforma e constam nos termos de uso de cada uma.

Apostar não é votar. Segundo o site oficial USA.gov, quem não é cidadão americano, inclusive o residente permanente (com green card), não pode votar nas eleições federais e estaduais nem na maioria das locais. A TV Connect mostrou nesta semana o caso de 28 imigrantes acusados na Califórnia de votar sem ter direito.

Fachada oeste do Capitólio dos EUA, em Washington, com o gramado à frente (imagem de arquivo)
Fachada oeste do Capitólio dos EUA, em Washington, com o gramado à frente (imagem de arquivo). Foto: Noclip / Wikimedia Commons (domínio público)

Ressalvas: volume, acerto e risco

O Anti-Corruption Data Collective (ACDC), grupo de pesquisa citado pela Reuters em 14 de outubro, analisou mais de 21 mil mercados das eleições para o Congresso no Kalshi e no Polymarket, com dados até 30 de setembro. Segundo o grupo, os apostadores já colocaram mais de US$ 220 milhões neste ciclo, contra US$ 92 milhões em todo o ciclo de 2024, e a maior parte do volume se concentra em poucas disputas. Segundo a pesquisadora Michelle Kendler-Kretsch, do ACDC, muitos mercados de nicho quase não tiveram negociação. A Reuters também relatou que algumas autoridades e grupos de defesa do interesse público temem que esses mercados abram novos caminhos para o uso de informação privilegiada. As plataformas, por sua vez, dizem que seus mercados ajudam a revelar informação precisa e imparcial, que estão preparadas para coibir irregularidades e que costumam encaminhar casos às autoridades americanas, segundo a agência. Um porta-voz do Polymarket disse à Reuters que os mercados eleitorais da empresa têm 98% de acerto um dia antes da eleição.

O Kalshi anunciou em 6 de outubro que passou a mostrar em cada mercado eleitoral o Brier score, uma medida de acerto que compara as probabilidades previstas com os resultados reais, e etiquetas para identificar mercados de baixo volume. Segundo a própria empresa, o acerto aumenta com o volume de negociação.

Enquanto isso, a votação já começou em vários estados. Na região de Houston, no Texas, quase 300 mil pessoas votaram nos três primeiros dias de voto antecipado.

Perguntas frequentes

Quem é favorito nos mercados de apostas para a Câmara dos EUA?
Os democratas. Na manhã de quinta-feira (22), por volta das 9h (horário de Nova York), o contrato democrata estava cotado a 92,5% no Polymarket e a 91,5% no Kalshi.

E no Senado?
Também os democratas, com vantagem menor: 67,5% no Polymarket e 67% no Kalshi, na mesma consulta. Os republicanos tinham 32,5% e 34%.

Mercado de apostas é pesquisa eleitoral?
Não. O preço é formado por quem aposta dinheiro e muda a cada minuto. Não mede a intenção de voto dos eleitores.

O Kalshi é legal nos EUA?
O Kalshi informa ser regulado pela CFTC, a agência federal que fiscaliza o mercado de derivativos. Há disputas judiciais com estados, segundo o site Public Gaming: no Arizona, um processo criminal por apostas em eleições foi barrado por um juiz federal em maio de 2026; num caso de Nevada, o 9º Circuito decidiu que o estado pode aplicar suas leis aos contratos de esportes do Kalshi, mas não decidiu se os estados podem regular os contratos ligados a eleições.

Quem está nos EUA pode usar o Polymarket?
Pela plataforma principal, internacional, não, segundo o Cointelegraph (reportagem de abril de 2026); até a manhã de quinta (22), a TV Connect não encontrou notícia de aprovação para ela. Os americanos têm uma bolsa separada, o Polymarket US, cujo aplicativo para iPhone acabou com a lista de espera em maio de 2026, segundo o site Covers.

Quando é a eleição?
Na terça-feira, 3 de novembro de 2026.

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