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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, tratou nesta sexta-feira da possibilidade de interferência internacional no processo eleitoral brasileiro. Em entrevista ao SBT, o ministro destacou a presença de observadores internacionais no país e afirmou que nações democráticas mantêm relações de cooperação, não de ingerência.
"É importante dizer que o Brasil e as demais nações democráticas do mundo, historicamente, trocam conhecimentos e contribuem mutuamente para o fortalecimento das democracias. Nações democráticas dialogam, não interferem", declarou Nunes Marques, que também é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Observadores internacionais acompanham o pleito
Na sequência, o presidente do TSE mencionou a presença de missões eleitorais de sete países e organismos internacionais no Brasil. Segundo ele, as delegações representam a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Parlamento do Mercosul (Parlasul), a União Europeia, a Liga dos Estados Árabes (LEA), a Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa (Roaje-CPLP), a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e a Rede Mundial de Justiça Eleitoral (RMJE).
Nunes Marques afirmou ainda que convidados internacionais ligados a instituições eleitorais de mais de 25 países participarão de uma programação voltada à apresentação do funcionamento das eleições brasileiras. De acordo com o ministro, esses representantes poderão observar que a atuação da Justiça Eleitoral está centrada no eleitor e em situações que possam afetar a votação, a apuração e a segurança do processo eleitoral.
Desinformação, IA e violência política de gênero
O presidente da Corte eleitoral citou o que chamou de "desafios próprios dessa eleição", entre eles a desinformação, o uso irregular da inteligência artificial, a violência política de gênero e abusos na propaganda eleitoral. Segundo Nunes Marques, o TSE atua em diversas frentes em cooperação com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), e procedimentos já consolidados estão sendo aperfeiçoados para que o eleitor possa exercer seu direito de voto com liberdade.
"A atuação institucional, respeitando os limites constitucionais, é a nossa premissa. A Justiça Eleitoral, apesar de toda sua ramificação, consegue manter unicidade na missão de ser a justiça da democracia", concluiu o ministro.
Nunes Marques não citou nominalmente os Estados Unidos em sua fala. No entanto, a possibilidade de interferência do país na eleição presidencial brasileira, associada ao governo de Donald Trump, tem sido apontada como um dos principais pontos de atenção da imprensa internacional às vésperas do pleito. Veículos como The New York Times, The Guardian, Le Monde e Reuters publicaram reportagens, editoriais e artigos que abordam desde medidas do governo brasileiro para se proteger de possíveis influências externas até manifestações de autoridades e aliados de Trump sobre os possíveis impactos de uma vitória de Flávio Bolsonaro.
Fonte original: oglobo.globo.com
