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Quem é Renata Mietto, atriz brasileira detida pelo ICE em LA há 1 mês

6 min de leitura
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A atriz brasileira Renata Alves Mietto, de 26 anos, foi detida por agentes do ICE no Aeroporto de Los Angeles em 27 de agosto, quando se preparava para embarcar com a família rumo ao Havaí, viagem que comemoraria o aniversário da mãe. Mais de um mês depois, ela continua sob custódia das autoridades de imigração dos Estados Unidos.

Segundo a mãe, Márcia Rilda Alves dos Reis, Renata passou normalmente pelos procedimentos de segurança e pelo raio-X do aeroporto e já estava na área de embarque quando foi abordada por agentes à paisana e presa. "Nós achávamos que, nessa questão de pegar voo, eles só estavam pegando quem tivesse algum tipo de crime. Mas a gente não sabia que eles estavam prendendo qualquer pessoa. Quando você passa na segurança, eles têm essa ligação direta com o ICE, essa impressão que a gente tem", relatou Márcia.

Carreira nos Estados Unidos

Renata Mietto vive nos Estados Unidos há uma década. Chegou ao país aos 16 anos, concluiu o ensino médio e estudou Artes Cênicas na Utah Valley University. Há pouco mais de três anos, mudou-se para Los Angeles, cidade onde passou a desenvolver a carreira de atriz, participando, entre outros trabalhos, da produção "The Cool Kids". De acordo com a mãe, o objetivo profissional da filha é atuar no cinema.

Além da carreira artística, Renata administra uma empresa de limpeza que, segundo Márcia, emprega atualmente mais de 20 pessoas.

Situação migratória e audiência judicial

De acordo com a mãe, Renata perdeu o status migratório nos Estados Unidos há cerca de dois anos, após seguir uma orientação jurídica que, segundo a família, teria sido equivocada. A versão apresentada é a de que ela permaneceu no país seguindo recomendação de um advogado.

Em audiência realizada em 18 de setembro, a defesa pediu que Renata pudesse responder ao processo em liberdade. O pedido foi negado sob a justificativa de que ela representaria um risco. Márcia afirma que a filha nunca cometeu crime e relaciona a detenção exclusivamente à situação migratória, mas a decisão judicial não estabelece essa como a única razão formal da prisão, e o status migratório anterior de Renata não foi detalhado nas informações disponíveis.

Transferência para o Texas

Após a prisão no aeroporto, Renata foi levada a um centro de detenção em Los Angeles e passou mais de 20 dias em Adelanto, na Califórnia. Em 19 de setembro, um dia após a audiência, foi transferida para um centro de detenção em El Paso, no Texas.

Márcia relata que o deslocamento envolveu muitas horas sob restrição física, com a filha algemada nos pés, na cintura e nas mãos, sem poder urinar ou beber água durante o trajeto em uma van. A mãe também afirma que Renata passou frio durante a viagem e tentou usar um suéter que estava na bagagem, e que a bolsa de mão da jovem desapareceu, junto com documentos, cartão de crédito e joias, enquanto a mala ainda não havia sido localizada.

Segundo Márcia, depois desse período Renata desenvolveu inchaço nas pernas e nos pés, além de dor de garganta, sintomas que a mãe relaciona ao tempo prolongado sentada em um banco pequeno em ambiente frio. Não há, entre as informações apresentadas, avaliação médica independente sobre esses sintomas.

A família tenta obter autorização para visitar Renata no centro de detenção no Texas e busca uma alternativa jurídica para tirá-la da custódia. Márcia afirma que a filha não quer deixar os Estados Unidos, mas estaria seguindo orientação jurídica para solicitar saída voluntária do país, medida que a mãe considera a mais viável, ainda que não corresponda ao desejo de Renata.

"Para mim, como mãe, é um desespero tão grande ver a minha filha passar por isso. Porque ela não cometeu nenhum crime. Ela não tem motivo algum para estar presa só pelo fato de estar sem status. Isso não significa que eles podem fazer essa covardia, e não é só com ela, mas com tantas outras pessoas ali dentro. Ali tem mães, pessoas que estão presas sem motivo. Eles estão pegando todo mundo e fazendo essa covardia. Eu quero tirar minha filha dali, urgente", desabafou Márcia, em choro.

A mãe diz ainda que Renata queria ao menos voltar para casa para buscar seus pertences e cuidar do coelho de estimação, que está com ela há seis anos. Segundo Márcia, a filha está emocionalmente abalada diante do que considera uma situação injusta.

Advogada alerta para aumento de detenções em aeroportos

Gisele Ambrósio, advogada de imigração e também advogada do Consulado de Los Angeles, afirma que as detenções em aeroportos aumentaram bastante desde junho e passaram a atingir também pessoas em voos domésticos. Segundo ela, há uma gama variada de pessoas sendo detidas pelo ICE, incluindo quem está sem status migratório regular, com pedidos de asilo pendentes, extensão de visto ou green card em análise, com ordem definitiva de deportação e até indivíduos com autorização de trabalho enquanto aguardam decisão final do processo.

"Existe uma gama variada de pessoas que estão sendo presas pelo ICE. Por exemplo, pessoas fora de status, com asilo pendente, com pedidos de extensão de visto, pedidos até de green card pendentes, pessoas com ordem de deportação final e até com permissão de trabalho, mas sem aprovação final do caso", relatou Gisele.

A advogada também afirma que a procura por novos pedidos de green card, cidadania e vistos de residência caiu durante o período de endurecimento das políticas migratórias americanas. Segundo dado do governo dos Estados Unidos citado no caso, houve redução de 45% nas solicitações de imigração recebidas pelo USCIS no segundo trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.

Gisele recomenda que imigrantes com processos pendentes consultem seus advogados antes de viajar, mantenham os contatos do advogado acessíveis, deixem cópias de documentos com pessoas de confiança e planejem previamente o que fazer em caso de detenção, especialmente quando houver filhos ou patrimônio nos Estados Unidos.

Fonte original: oglobo.globo.com

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