Pular para o conteúdo
Connect ID

Entre ou crie seu Connect ID

Notícias, vídeos e suas preferências. Tudo conectado.

Carregando Connect ID…

Rússia solta americano, e enviado de Trump chama Putin de “humanitário”

11 min de leitura
Nesta matéria

A Rússia libertou nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, o americano Stephen Hubbard, professor aposentado de Michigan preso desde abril de 2022, e o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, agradeceu a Vladimir Putin chamando-o de "humanitário". A soltura veio à tona durante a reunião dos dois no Palácio Konstantinovsky, em São Petersburgo. Segundo o Kremlin, Putin concedeu perdão a Hubbard, que foi entregue a Witkoff no aeroporto de Pulkovo para voltar aos Estados Unidos.

No Truth Social, Trump disse que pediu a soltura diretamente a Putin, por telefone, na semana passada, e que os Estados Unidos "was not required to give anything in return" ("não precisaram dar nada em troca"). Em outro post, ligou a negociação às sanções contra a Rússia: segundo a CBS News, ele tinha anunciado dias antes a suspensão de algumas delas. A frase de Witkoff sobre Putin foi criticada por senadores do próprio Partido Republicano.

O que Witkoff disse a Putin

Na abertura da reunião, diante da imprensa, Witkoff agradeceu pela soltura. "Because of you, he is going home to his family" ("Por causa do senhor, ele está indo para casa, para a família"), disse, segundo a transcrição oficial publicada pelo Kremlin. Putin respondeu: "He is currently at Pulkovo Airport" ("Ele está agora no aeroporto de Pulkovo").

Antes, Putin tinha dito que a crise na Ucrânia é um tema especial para Trump, "primarily for humanitarian reasons" ("principalmente por razões humanitárias"). Witkoff respondeu com a frase que repercutiu em Washington: "You talk so much about my President, President Trump, being a humanitarian. You are a humanitarian also, sir. I salute that" ("O senhor fala muito do meu presidente, o presidente Trump, como um humanitário. O senhor também é um humanitário. Eu saúdo isso").

Witkoff chegou a São Petersburgo depois de se reunir com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em Oslo, na Noruega, na terça-feira, 20 de outubro, segundo a ABC News. Na reunião com Putin, disse esperar a retomada das negociações entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos. Segundo o assessor do Kremlin Yuri Ushakov, a conversa durou quase três horas, e Putin disse que a Rússia está pronta, em princípio, para retomar as negociações a três por volta de 10 de novembro. Na segunda-feira, 19 de outubro, Trump tinha dito achar que era hora de outra pessoa negociar pela Ucrânia.

Vladimir Putin, à esquerda, e participantes da reunião com Steve Witkoff em volta de uma mesa redonda no Palácio Konstantinovsky, em São Petersburgo, em 21 de outubro de 2026
Vladimir Putin, à esquerda, e participantes da reunião com Steve Witkoff em volta de uma mesa redonda no Palácio Konstantinovsky, em São Petersburgo, em 21 de outubro de 2026. Foto: Kremlin.ru (CC BY 4.0)

O que diz Trump

Às 6h37 (horário de Nova York), Trump escreveu no Truth Social que Hubbard "was just released from prison, at the request of President Donald J. Trump, made directly to President Vladimir Putin in a telephone conversation last week" ("acaba de ser solto da prisão, a pedido do presidente Donald J. Trump, feito diretamente ao presidente Vladimir Putin em uma conversa por telefone na semana passada"). E acrescentou: "There was no 'swap' necessary for this release" ("Não foi necessária nenhuma 'troca' para esta soltura"). O post traz ainda a frase "Welcome home Stephen, it's great to have you back" ("Bem-vindo de volta, Stephen, é ótimo ter você de volta").

Doze minutos depois, Trump ligou o caso às sanções. Segundo a CBS News, a soltura aconteceu cinco dias depois de ele anunciar que suspenderia algumas sanções contra a Rússia pouco antes de entrarem em vigor. "If sanctions would have been placed, certainly those negotiations would have come to a complete and total halt" ("Se as sanções tivessem sido aplicadas, certamente essas negociações teriam parado por completo"), escreveu.

Perguntado, numa mesa-redonda sobre crimes cibernéticos na Casa Branca, se também chamaria Putin de humanitário, Trump respondeu, segundo a CBS: "Well, I guess you have to say for that particular purpose, for the purpose of allowing a man who was thinking he was going to be in prison for life out" ("Bom, acho que dá para dizer, para esse propósito específico, o de deixar sair um homem que achava que ficaria preso para o resto da vida"). E completou: "But I wouldn't say anything one way or the other" ("Mas eu não diria nada nem num sentido nem no outro"). Até as 17h (horário de Nova York), a TV Connect USA não tinha encontrado nota separada da Casa Branca ou do Departamento de Estado sobre a soltura.

Donald Trump recebe Steve Witkoff no palco da Cúpula sobre Opioides, no Salão Leste da Casa Branca, em 1º de março de 2018
Donald Trump recebe Steve Witkoff no palco da Cúpula sobre Opioides, no Salão Leste da Casa Branca, em 1º de março de 2018. Foto: Shealah Craighead / Casa Branca (domínio público)

A versão do Kremlin

Em declaração divulgada pelo Kremlin, Ushakov disse que Trump e membros do governo dele pediram repetidamente, "on humanitarian grounds" ("por razões humanitárias"), a volta de Hubbard, e que Putin "decided to grant him a pardon" ("decidiu conceder-lhe o perdão"). Segundo Ushakov, Witkoff agradeceu pelo "gesture of goodwill" ("gesto de boa vontade").

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse à TV russa Vesti que Putin tomou a decisão "for humanitarian reasons" ("por razões humanitárias") e que o tema "has indeed been raised by the US side for quite some time" ("vinha sendo levantado pelo lado americano havia bastante tempo"), segundo a versão em inglês da agência estatal TASS. O representante especial do presidente russo para investimentos, Kirill Dmitriev, escreveu no X: "Mr. Hubbard is on his way home after a phone call with President Trump arranged by Special Envoy Steve Witkoff" ("O senhor Hubbard está a caminho de casa depois de um telefonema com o presidente Trump organizado pelo enviado especial Steve Witkoff"), também de acordo com a TASS.

Senadores republicanos criticam

A fala de Witkoff provocou reação de republicanos no X, segundo a CBS News. "No. Putin is a stone cold killer" ("Não. Putin é um assassino frio"), escreveu o senador John Cornyn, do Texas. Thom Tillis, da Carolina do Norte, reagiu: "What an embarrassing and outrageous thing to say" ("Que coisa constrangedora e ultrajante de se dizer"). Joni Ernst, de Iowa, escreveu que Putin "is certainly no humanitarian" ("certamente não é um humanitário").

A família de Hubbard agradeceu. Em nota divulgada pelo filho, Joseph Coleman, em nome da família, disse que "this humanitarian move by President Putin in this matter is deeply appreciated" ("este gesto humanitário do presidente Putin é profundamente apreciado"), segundo a NBC News. A irmã, Patricia Hubbard Fox, agradeceu a Trump à ABC News "for being the hand of God and bringing Stephen Hubbard home" ("por ser a mão de Deus e trazer Stephen Hubbard para casa").

Quem é Stephen Hubbard

Hubbard tem 74 anos, segundo NBC News, CBS News e Reuters. É professor aposentado e serviu na Guarda Nacional e na Força Aérea dos Estados Unidos, de acordo com a CBS. Segundo a família, vivia como civil no leste da Ucrânia desde cerca de 2014, onde dava aulas de inglês. Foi detido em abril de 2022, quando tropas russas tomaram a cidade de Izium, de acordo com a NBC.

Segundo a NBC, a promotoria russa o acusou de entrar voluntariamente num batalhão de defesa territorial ucraniano e de receber pagamento regularmente. Em 7 de outubro de 2024, o Tribunal da Cidade de Moscou o condenou a 6 anos e 10 meses de prisão em colônia penal, segundo a TASS e a Reuters, em julgamento a portas fechadas, de acordo com a NBC. A TASS afirma que ele confessou; o advogado dele, Martin De Luca, diz que Hubbard nega as acusações e que não fazia parte de nenhuma unidade de combate, segundo a NBC.

O Departamento de Estado classificava Hubbard como detido injustamente. Ele era o último americano na Rússia com essa classificação formal, segundo a CBS, que diz que até 10 outros americanos, incluindo pessoas com dupla cidadania, continuam presos no país.

Onde Hubbard está agora

Até as 17h (horário de Nova York), nenhuma fonte tinha confirmado o pouso de Hubbard nos Estados Unidos. O advogado disse à NBC que falou com ele quando estava "getting ready to take off" ("se preparando para decolar") e que a família o esperava nos EUA "tonight" ("hoje à noite"). "He was in a fragile state, so it wasn't a long conversation, but he's OK" ("Ele estava frágil, então não foi uma conversa longa, mas está bem"), disse De Luca. Segundo a CBS, Hubbard tem a saúde debilitada e deve ser levado ao Texas para tratamento num hospital militar; a irmã disse à ABC que o destino é San Antonio.

Saguão do aeroporto de Pulkovo, em São Petersburgo, visto do mezanino, em outubro de 2013 (foto de arquivo)
Saguão do aeroporto de Pulkovo, em São Petersburgo, visto do mezanino, em outubro de 2013 (foto de arquivo). Foto: Stefan Krasowski / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Troca ou não? Os casos anteriores

Trump afirma que não houve troca de prisioneiros; o Kremlin fala em perdão e gesto de boa vontade. Veja como outros americanos saíram da Rússia:

  • Brittney Griner: a jogadora de basquete foi libertada numa troca de prisioneiros em dezembro de 2022, segundo a CNN; o governo Biden negociou a soltura em troca de um traficante de armas russo, segundo a NBC.
  • Evan Gershkovich e Paul Whelan: saíram em 2024 numa troca de prisioneiros que envolveu vários países, de acordo com a CBS.
  • Marc Fogel: o professor, que cumpria pena de 14 anos por tráfico de drogas, segundo a Reuters, foi libertado em fevereiro de 2025. Witkoff foi pessoalmente à Rússia buscá-lo, e a Casa Branca chamou o acordo de "exchange" ("troca"), sem dar detalhes, segundo a CNN.
  • Ksenia Karelina: a russo-americana foi libertada em abril de 2025 numa troca pelo empresário russo-alemão Arthur Petrov, nos Emirados Árabes Unidos, segundo a Al Jazeera.
  • Robert Gilman: o ex-fuzileiro naval foi solto em agosto de 2026 com perdão humanitário, depois de um apelo direto de Trump a Putin, segundo a CBS; autoridades americanas disseram à Reuters que não houve concessões.

O alerta para quem mora nos EUA

O Departamento de Estado mantém para a Rússia o alerta de viagem Nível 4, "Do Not Travel" ("Não viaje"), segundo a CBS. O aviso cita o risco de detenção injusta, a aplicação arbitrária de leis locais e a assistência consular limitada.

Perguntas frequentes

Quem é Stephen Hubbard?
É um professor aposentado de Michigan, de 74 anos segundo a imprensa americana, que vivia no leste da Ucrânia e foi detido por tropas russas em abril de 2022. Em 2024, a Justiça russa o condenou a 6 anos e 10 meses sob a acusação de atuar como mercenário, que a defesa diz ser falsa.

Houve troca de prisioneiros?
Segundo Trump, não: os EUA "não precisaram dar nada em troca". O Kremlin diz que Putin concedeu perdão depois de pedidos de Trump e do governo dele. Trump também escreveu que, se as sanções tivessem sido aplicadas, a negociação teria parado; segundo a CBS, ele tinha anunciado dias antes a suspensão de algumas sanções contra a Rússia.

O que Witkoff disse a Putin?
Em 21 de outubro de 2026, em São Petersburgo, Witkoff agradeceu pela soltura e disse a Putin: "O senhor também é um humanitário". A frase foi criticada por senadores republicanos.

Onde Hubbard está agora?
Segundo Trump, Witkoff e o advogado, Hubbard estava a caminho dos Estados Unidos, mas até as 17h (horário de Nova York) de 21 de outubro de 2026 nenhuma fonte tinha confirmado o pouso. Segundo a CBS, ele deve ser tratado num hospital militar no Texas.

Role para carregar a próxima matéria.