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Trump diz que Musk “colocou de volta” a Starlink; Ucrânia diz que limite continua

9 min de leitura
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"Se eu liguei ou se outra pessoa ligou, não faz diferença. Acho que, no fim das contas, ele colocou de volta." Foi assim que o presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu na quinta-feira (22 de outubro de 2026), ao deixar a Casa Branca, quando perguntado se tinha ligado para Elon Musk para trazer de volta a Starlink da Ucrânia, a internet via satélite da SpaceX que teve a velocidade limitada para as forças ucranianas.

Nesta sexta-feira (23), Trump disse que não tinha falado com Musk. "Não falei com ele. Talvez eu tenha que falar, mas não falei. Ouvi dizer que está resolvido. Se não estiver, vou falar com ele", afirmou, segundo o site ucraniano Kyiv Independent. Do lado ucraniano, a resposta foi outra: "Os limites de velocidade na Starlink e na Starshield continuam, e a velocidade não foi restabelecida", disse na sexta o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, segundo a CNN.

O que Trump disse

A pergunta de quinta veio na saída da Casa Branca, antes de Trump embarcar para um comício de campanha em Iowa, segundo a CNBC. Primeiro, ele disse que não queria comentar "nem de um jeito nem de outro", mas que a relação dele com Musk "é muito boa", de acordo com o vídeo oficial da Casa Branca.

Quando um repórter citou a reportagem do jornal Wall Street Journal (WSJ) sobre a ligação, Trump repetiu que não queria comentar e completou: "Se eu liguei ou se outra pessoa ligou, não faz diferença. Acho que, no fim das contas, ele colocou de volta". Na quarta (21), ele tinha dito: "Não sei quem fez isso, mas eu não estive envolvido".

Na sexta, ao falar com jornalistas na saída da Casa Branca, Trump repetiu que não tinha falado com Musk e acrescentou: "Se houver um problema, vou resolver", segundo o Kyiv Independent.

Donald Trump, com o punho erguido, no gramado sul da Casa Branca, com o helicóptero presidencial Marine One e o Monumento a Washington ao fundo, em setembro de 2025 (imagem de arquivo, em preto e branco)
Donald Trump, com o punho erguido, no gramado sul da Casa Branca, com o helicóptero presidencial Marine One e o Monumento a Washington ao fundo, em setembro de 2025 (imagem de arquivo, em preto e branco). Foto: Casa Branca / Patrick Ruddy (domínio público)

O que diz o Wall Street Journal

Segundo o WSJ, citado pela agência Reuters e pela CNBC, Trump pediu a Musk que aliviasse as restrições, e autoridades americanas e ucranianas disseram ao jornal que o sistema estava "funcionando de forma mais normal" na quinta, pouco depois da conversa por telefone. Numa reportagem desta sexta, citada pelo Kyiv Independent, o jornal informou que Trump deu a ordem a Musk na quarta (21) e que o presidente estava frustrado porque a velocidade continuava limitada a cerca de 160 km/h. Uma pessoa a par do assunto também disse à CNN que Trump pediu a Musk, num telefonema nos últimos dias, que restaurasse o acesso total da Ucrânia à Starshield.

Na terça-feira (20), o WSJ tinha noticiado que Musk havia ordenado a redução de velocidade. Segundo a CNBC, duas fontes da reportagem disseram que Trump e Musk conversaram sobre a decisão logo depois que ela veio a público, e uma disse que Musk falou com Trump antes de impor o limite. O jornal disse não ter conseguido verificar se Trump sabia da ordem com antecedência, segundo o jornal Stars and Stripes. A Casa Branca e Musk não responderam de imediato aos pedidos de comentário da CNBC sobre a reportagem da ligação.

O limite de velocidade

Desde a madrugada de 14 de outubro, equipamentos militares ucranianos que passam de cerca de 160 km/h (100 mph) perdem a conexão, segundo Serhii Beskrestnov, conselheiro de tecnologia de defesa do presidente da Ucrânia, citado pela revista Fortune. Segundo ele, a restrição vale para o pacote militar da Starshield. A Starlink é o serviço comercial de internet via satélite da SpaceX; a Starshield é a área da empresa que desenvolve sistemas militares e de inteligência para o Pentágono, usando a mesma rede de satélites da Starlink, segundo a Reuters, citada pela revista Newsweek.

Pilha de satélites da Starlink no topo de um foguete Falcon 9, com a Terra ao fundo, pouco antes de serem soltos em órbita, em maio de 2019 (imagem de arquivo)
Pilha de satélites da Starlink no topo de um foguete Falcon 9, com a Terra ao fundo, pouco antes de serem soltos em órbita, em maio de 2019 (imagem de arquivo). Foto: SpaceX / Wikimedia Commons (CC0)

O limite pesa porque as forças ucranianas usam drones interceptores com Starshield acima dessa velocidade para perseguir os drones russos Shahed, movidos a jato, e porque ele também afeta helicópteros usados para caçar drones, segundo a agência AP, citada pela Newsweek.

De quem é a decisão? Cada lado tem uma versão

  • Elon Musk: diz que não deu a ordem, segundo o Stars and Stripes. Num post na rede X em 14 de outubro, escreveu que "quaisquer limites de velocidade ou de uso são decididos pelos militares dos EUA e, em última instância, pelo presidente". Segundo ele, os sistemas Starshield são de propriedade do governo americano e controlados pelo governo.
  • Donald Trump: disse na quarta (21) que não esteve envolvido e que não sabia quem tinha feito isso.
  • Marco Rubio, secretário de Estado: no sábado (17), disse que "ninguém na Casa Branca mandou ninguém reduzir a internet ou reduzir a velocidade para que certos drones não pudessem usá-la" e que a redução "aconteceu, de certa forma", mas que, pelo que sabia, o serviço tinha sido restabelecido. No mesmo dia, disse que a Ucrânia "não tem a Starshield agora", segundo a Newsweek. Nesta semana, afirmou que a decisão cabe à SpaceX e a Musk. "O presidente não comanda essa empresa e não pode mandar ela fazer nada", disse, segundo o Stars and Stripes.
  • Pete Hegseth, secretário de Defesa: "Não retiramos nada", disse a jornalistas na terça (20). "Há termos de serviço que precisam ser cumpridos. É aí que a Starlink tem a opção de tomar essas decisões", completou, segundo o Stars and Stripes.
  • Volodymyr Zelensky: no domingo (18), disse à rede NBC que "a mensagem veio do governo americano para limitar a velocidade" e que, "tecnicamente, a SpaceX fez isso". "Não sei de quem, de que gabinete", acrescentou, segundo a Newsweek.
  • Reuters: a agência informou, citando dois funcionários dos EUA e um funcionário ocidental, que a ordem partiu de dentro da Casa Branca, sem dizer de quem. Um alto funcionário americano disse à Reuters que "o presidente nunca fez esse pedido".

Como está a conexão na Ucrânia

Na quinta (22), Zelensky já tinha dito que a velocidade não havia sido restabelecida, e autoridades ucranianas ouvidas pelo WSJ afirmaram que a conexão estava mais rápida do que sob o limite, mas sem funcionar por completo, segundo a Reuters.

Nesta sexta (23), uma fonte do Ministério da Defesa da Ucrânia disse à CNN que "não há confirmação de que as restrições foram retiradas" e que ainda há perda de sinal em equipamentos acima de 161 km/h. "Com certeza há limites de velocidade; nada mudou ainda, pelo menos pelo que eu vejo daqui", disse à emissora um oficial das Forças Armadas ucranianas, segundo quem a conexão cai por 10 a 15 segundos. Zelensky disse esperar que "a SpaceX e o governo americano" resolvam a questão.

A TV Connect também mostrou nesta semana o que Trump disse sobre Zelensky e as negociações pela Ucrânia.

Congressistas dos dois partidos pedem explicações

O caso levou parlamentares republicanos e democratas a cobrar respostas. O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, pediu uma investigação do inspetor-geral do Pentágono, e a senadora democrata Jeanne Shaheen, de New Hampshire, escreveu que as restrições "precisam parar imediatamente", segundo a Fortune. Na segunda-feira (19), as deputadas democratas Rosa DeLauro, de Connecticut, e Betty McCollum, de Minnesota, mandaram uma carta a Hegseth pedindo informações, segundo o Stars and Stripes.

No domingo (18), o deputado republicano Mike Turner, de Ohio, do Comitê de Serviços Armados da Câmara, e o senador republicano Kevin Cramer, de Dakota do Norte, defenderam uma investigação no Congresso, em entrevistas ao programa Face the Nation, da CBS, segundo a Newsweek. Cramer disse que pode ter sido "algum tipo de falha técnica". Na quarta (21), o senador republicano John Cornyn, do Texas, disse à CNBC que não acredita que Musk limitaria a Starlink sem "pelo menos a anuência da Casa Branca". Na quinta (22), o senador democrata Richard Blumenthal, de Connecticut, abriu uma apuração sobre o caso, com cartas a Musk e a Hegseth, segundo a CNBC.

Perguntas frequentes

Trump confirmou que ligou para Elon Musk?
Não. Na quinta (22), disse que não queria comentar e que "não faz diferença" quem ligou. Na sexta (23), disse que não tinha falado com Musk e que falaria se o problema continuasse, segundo o Kyiv Independent. O Wall Street Journal noticiou que Trump ligou para Musk e pediu o fim das restrições, e uma pessoa a par do assunto confirmou o telefonema à CNN.

A velocidade da Starlink voltou ao normal na Ucrânia?
As versões divergem. Trump disse que Musk "colocou de volta" e, na sexta, que ouviu dizer que está resolvido. Segundo o WSJ, o sistema ficou "mais normal" na quinta. Zelensky e fontes militares ucranianas ouvidas pela CNN disseram nesta sexta (23) que o limite continua.

O que é a Starshield?
É a área da SpaceX que desenvolve sistemas militares e de inteligência para o Pentágono. Usa a mesma rede de satélites da Starlink, o serviço comercial de internet da empresa, segundo a Reuters.

Qual é o limite?
Equipamentos que passam de cerca de 160 km/h (100 mph), como drones interceptores, perdem a conexão, segundo autoridades ucranianas citadas pela Fortune e pela Newsweek.

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