Nesta matéria
"Vamos cuidar de Cuba na volta do Irã." Foi assim que o presidente Donald Trump respondeu, na sexta-feira (23 de outubro de 2026), a uma pergunta gritada da plateia sobre Cuba durante um comício em Fort Myers, no sudoeste da Flórida. Em seguida, disse: "Vamos dar uma paradinha". Segundo ele, um dos navios vai parar perto da costa cubana, e o secretário de Estado, Marco Rubio, vai "fechar o acordo".
"Ele quer saber de Cuba. Dá um tempo. Dá um tempo. Não se preocupe", disse Trump sobre quem fez a pergunta, segundo a transmissão integral do discurso. "Vamos cuidar de Cuba na volta do Irã (…). Vamos dar uma paradinha."
E descreveu o plano: "Na verdade, o que vamos fazer com Cuba é: vamos voltar do Irã. Esses navios lindos vão passar por Cuba. Vamos fazer um deles parar a umas 50 jardas (cerca de 45 metros) da costa. Eles vão levantar as mãos. E aí vamos mandar o Marco Rubio para fechar o acordo".
Logo depois, completou: "Nem precisamos parar. Podemos só colocá-lo lá, e ele resolve. Ele é um ótimo sujeito". Trump não deu data nem detalhes. Segundo a CBS News, ele se referia aos navios da Marinha americana mobilizados perto do Estreito de Ormuz. Na sequência do discurso, citou a captura do venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro: "Capturamos e levamos à Justiça o ditador fora da lei da Venezuela, Nicolás Maduro, que agora aguarda julgamento".
Rubio chama cubanos a cooperar com a CIA
Na mesma tarde de sexta, Rubio, que é filho de imigrantes cubanos, publicou no X: "Para quem busca criar uma mudança positiva em Cuba: a hora é agora. A decepção das promessas fracassadas, a corrupção e a vida privilegiada de poucos; aproveitem esta oportunidade de criar a mudança que desejam por meio de uma parceria discreta com a CIA".
À noite, a própria CIA publicou o chamado em espanhol no X. Segundo a CBS News, um vídeo mostra os passos para entrar em contato com a agência. De acordo com a Al Jazeera, o vídeo recomenda, antes de tudo, ir pessoalmente a uma embaixada dos EUA, para quem puder viajar com segurança.

A resposta de Havana
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, respondeu no X. "O governo dos EUA deixa claro que não renuncia às suas ambições de dominação sobre Cuba", escreveu, segundo a agência EFE. "É bom lembrar que nós, cubanos, alcançamos desde 1º de janeiro de 1959 a nossa verdadeira independência e estamos decididos a defendê-la."
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, reagiu à fala de Trump no X: "Rejeitamos toda ameaça sobre ambições dos EUA em relação a Cuba. Em nossas costas há belas praias, mas também diente de perro, inóspito para quem chega com fins hostis e ânsia de dominação". Ele encerrou a mensagem com "#CubaNoEsUnaAmenaza El Bloqueo Sí" ("Cuba não é uma ameaça; o bloqueio, sim").
"Diente de perro" (dente de cachorro) é o nome popular, em Cuba, da rocha calcária irregular e cortante do litoral. Num post em inglês publicado depois, o chanceler traduziu a expressão como pontas de calcário "afiadas como navalha".

O vice-chanceler Carlos Fernández de Cossío respondeu ao chamado de Rubio e da CIA. "Agora os Estados Unidos recorrem ao recrutamento público para a CIA", escreveu no X, segundo a Al Jazeera, que publicou a reportagem com informações das agências AFP e Reuters. "Deve haver muito desespero ou miséria dentro da agência para que ela seja forçada a vender seus serviços como um tubo de pasta de dente."
Pressão sobre Cuba
Segundo a AP, Trump já tinha levantado a ideia no começo do ano. Em maio, ele e Rubio falaram na possibilidade de uma intervenção militar em Cuba, e Trump disse no Salão Oval que presidentes anteriores consideraram intervir na ilha por décadas, mas que "parece que serei eu quem vai fazer isso".
Em setembro, dias depois de discursar na Assembleia Geral da ONU, Trump disse esperar que os dois países "vão fazer um acordo". "Não acho que vamos precisar dos militares. Cuba está indo muito mal", afirmou, segundo a AP. Segundo a AP, o governo diz querer resolver as diferenças com Cuba de forma pacífica, mas Rubio já disse duvidar de uma solução diplomática com o governo atual da ilha. "A verdade é que Cuba já caiu", disse Rubio ao apresentador Sean Hannity, da Fox News, em 29 de setembro.
Na semana passada, os EUA anunciaram novas sanções ao banco estatal cubano, que, segundo o governo americano, tem ligações com o Irã, informou a CBS News. Segundo a Al Jazeera, um bloqueio de petróleo imposto pelos EUA no início do ano deixou a população em grande dificuldade, com falta de combustível e apagões. A TV Connect já mostrou que os EUA ampliaram as sanções a Cuba e as detenções de americanos que visitam a ilha.
Nesta semana, os dois países se enfrentaram na ONU, antes da votação anual que condena o embargo econômico americano a Cuba, segundo a AP. A agência lembra que Cuba vive uma crise econômica e energética desde 2020, com apagões, falta de comida e inflação, e que centenas de milhares de cubanos emigraram, muitos para os EUA.
No mesmo comício, o Irã
O discurso foi na Alico Arena, ginásio da Florida Gulf Coast University, em apoio ao deputado federal Byron Donalds, candidato republicano a governador da Flórida, estado com a maior população de origem cubana dos EUA, segundo a Telemundo 51. A eleição de meio de mandato é em 3 de novembro, e a votação antecipada já está aberta.
No mesmo discurso, Trump falou do Irã: "Talvez a gente faça mais uma pequena Epic Fury, ou eles vão aceitar". Epic Fury é o nome da operação militar dos EUA contra o Irã, lançada em conjunto com Israel em 28 de fevereiro de 2026. Antes do comício, na pista do aeroporto, ele disse que não sabia "nada" sobre a fala do embaixador Tom Barrack de que poderia haver um ataque ao Irã neste fim de semana. Leia a matéria sobre o Irã.
Perguntas frequentes
O que Trump disse sobre Cuba?
Num comício em Fort Myers, na sexta-feira (23), disse que os EUA vão "cuidar de Cuba na volta do Irã", que um navio vai parar a umas 50 jardas (cerca de 45 metros) da costa e que Marco Rubio vai "fechar o acordo". Não deu data nem detalhes.
O que Marco Rubio publicou?
No X, chamou quem busca "mudança positiva" em Cuba a agir "por meio de uma parceria discreta com a CIA". A CIA repetiu o chamado em espanhol.
Como o governo cubano respondeu?
O presidente Miguel Díaz-Canel disse que os EUA não renunciam às suas "ambições de dominação" e que os cubanos estão "decididos a defender" a independência. O chanceler Bruno Rodríguez disse rejeitar "toda ameaça" e escreveu que o "diente de perro" do litoral é "inóspito para quem chega com fins hostis". O vice-chanceler Carlos Fernández de Cossío criticou o que chamou de "recrutamento público para a CIA".
