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A OpenAI lançou em agosto uma versão do ChatGPT voltada especificamente para adolescentes de 13 a 17 anos, com proteções adicionais e ferramentas que permitem aos pais definir limites de uso. O lançamento do ChatGPT para adolescentes foi tema de um fórum promovido pela organização Open for Teens, que reuniu especialistas para explicar aos pais como a ferramenta funciona e o que esperar dela.
Durante o encontro, Dr. Michael Rich, diretor e fundador do Digital Wellness Lab do Boston Children's Hospital, mediou uma conversa com Emily Oster, fundadora da ParentData; Stephanie LeBlanc-Godfrey, fundadora da Mother AI; e Dr. Alison Mishkin, chefe de desenvolvimento infantil da OpenAI.
Um dos pontos centrais do debate foi a constatação de que não é possível separar os adolescentes do mundo digital em que já estão inseridos, o que torna necessário pensar em formas saudáveis de uso das ferramentas de inteligência artificial.
Oster defendeu que os pais adotem uma postura de honestidade, reconhecendo que ainda estão aprendendo sobre o tema junto com os filhos. Segundo ela, ainda há muitas incertezas sobre o que o uso excessivo ou a dependência de IA pode representar para os jovens. A recomendação foi estabelecer expectativas claras, criar limites e, principalmente, conversar com os adolescentes sobre para que eles realmente usam a ferramenta.
LeBlanc-Godfrey reforçou a importância de os pais partirem de uma postura de curiosidade, perguntando aos filhos para que usam o ChatGPT, o que consideram útil e em que não confiam. Segundo ela, esse tipo de diálogo facilita a criação de regras familiares sem encerrar a conversa de forma abrupta.
Como funciona o ChatGPT para adolescentes
A versão é voltada para usuários de 13 a 17 anos e vem com proteções adicionais ativadas por padrão. De acordo com a OpenAI, o sistema combina declarações de idade e outros sinais para tentar identificar se um usuário pode ser menor de 18 anos. Quando não há confiança suficiente sobre a idade, a plataforma direciona automaticamente para a experiência mais segura voltada a adolescentes.
A versão para jovens foi projetada para reduzir a exposição a conteúdo sexual ou romântico, violência gráfica, autolesão e atividades perigosas. A ferramenta também não mantém linguagem romântica com adolescentes.
Um dos focos principais da versão para adolescentes é o chamado Study Mode (Modo Estudo), que em vez de simplesmente fornecer a resposta de uma tarefa, decompõe o problema em etapas, faz perguntas e ajuda o estudante a trabalhar o conteúdo. A ferramenta também permite o uso de questionários, upload de anotações e explicações visuais para disciplinas como matemática e ciências.
Os pais podem definir horários específicos de estudo, durante os quais o Study Mode é ativado automaticamente. Também há lembretes que redirecionam o adolescente ao modo de estudo caso o sistema identifique uma tentativa de apenas obter a resposta pronta de uma tarefa.
Outro recurso é o chamado Quiet Hours (horário de silêncio), que permite aos pais definir períodos em que o ChatGPT não pode ser acessado. Há ainda lembretes de pausa, pensados para incentivar os adolescentes a interromperem conversas muito longas.
Controles parentais e privacidade
Pais e adolescentes podem vincular suas contas, o que permite aos responsáveis ajustar configurações como horários de estudo, horário de silêncio, modo de voz, geração de imagens, chats em grupo e memória da ferramenta. A OpenAI afirma que os pais não têm acesso às conversas dos filhos.
Os responsáveis também podem optar por receber notificações de segurança caso os sistemas da OpenAI e revisores treinados identifiquem possíveis sinais de uma preocupação séria. Nesses casos, os pais recebem informações voltadas a ajudá-los a apoiar o adolescente, mas não o conteúdo completo da conversa.
A versão para adolescentes não exibe anúncios. A OpenAI também afirma estar planejando novas ferramentas de apoio ao aprendizado, incluindo um recurso de planejamento universitário que traria informações sobre requisitos de inscrição, prazos e etapas de auxílio financeiro.
O papel dos pais
Um dos pontos levantados no painel foi a importância de lembrar que o ChatGPT não é uma pessoa. Adolescentes podem usar a ferramenta para resolver um problema, pedir conselhos ou até processar um conflito, mas cabe aos pais ajudá-los a entender em que momentos a IA pode ser útil e quando é melhor recorrer a uma pessoa de verdade.
Os participantes do fórum reconheceram que ainda há muitas perguntas em aberto para as famílias, como até que ponto o uso de IA é saudável, quando ela está ajudando no aprendizado ou fazendo o trabalho pelo estudante, e quais regras adotar em relação às tarefas escolares. Segundo os especialistas, não existe uma resposta única para todas as famílias.
Como destacaram os painelistas, os pais não precisam ter todas as respostas prontas. Iniciar a conversa, fazer perguntas e descobrir o que funciona para cada família já é um ponto de partida considerado válido.
