Nesta matéria
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, disse que é preciso acabar com "a história de ladrão ficar chamando gente honesta de ladrão". A frase foi dita na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, em Porto Alegre (RS), num pronunciamento à imprensa antes de um ato de campanha no centro da cidade, segundo a Agência Brasil.
Na frase, Lula não citou nomes. Ele respondia à própria pergunta, "E por que que eu estou fazendo isso?", logo depois de anunciar que entregaria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para abrir os próprios sigilos e de cobrar o mesmo do "candidato adversário". O adversário no segundo turno, marcado para o domingo, 25 de outubro, é o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Onde e quando Lula disse a frase
O desafio sobre os sigilos tinha sido feito por Lula no debate da Band, no domingo, 18 de outubro. No debate, Flávio "não aceitou nem recusou a proposta", segundo o Estadão Conteúdo. Os principais momentos do confronto estão na matéria sobre o debate da Band.
Em Porto Alegre, Lula falou aos jornalistas antes do ato. Segundo a Agência Brasil, milhares de apoiadores se reuniram no Largo dos Açorianos, e de lá Lula seguiu numa caminhada pela Avenida Borges de Medeiros até o centro. "Eu vou entregar isso amanhã, no Tribunal Eleitoral, na expectativa de que o candidato adversário apresente", disse, segundo a Agência Brasil. Em seguida veio a frase sobre "gente honesta". O trecho aparece no vídeo publicado pelo UOL (de 0:43 a 0:56) e no Jornal da Band (de 2:14 a 2:23).

O que mais Lula disse
Na mesma fala, Lula disse que incluiu os filhos na autorização. "Fiz questão de colocar meus cinco filhos porque toda eleição se inventa uma coisa contra minha família", afirmou, segundo a Agência Brasil. "A única coisa que eu estou pedindo é que ele tenha a coragem de provar que é honesto."
Ele também disse, segundo a CNN Brasil: "Não posso permitir que um miliciano fique atrás de mim no debate, com um escrito na mão: 'corrupto'". Segundo a Agência Estado, Lula afirmou ainda: "Essa é a minha última disputa eleitoral, minha última disputa".
O que aconteceu depois
Na terça-feira, 20 de outubro, Lula enviou ao TSE um requerimento que autoriza o levantamento dos seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, e também os da primeira-dama, Janja, e dos cinco filhos, desde que Flávio Bolsonaro faça o mesmo, segundo a Agência Brasil. A petição foi encaminhada ao presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques. A CNN Brasil informou que o documento também foi entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Na quarta-feira, 21 de outubro, Flávio informou ao TSE que autoriza o levantamento dos seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, desde que Lula amplie o alcance do pedido, segundo a Agência Brasil. Ainda segundo a agência, as petições dos dois foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, relator do caso no TSE.
À noite, o coordenador da campanha de Lula, o senador Camilo Santana, disse que Lula aceita "todas as condicionantes" de Flávio, "contanto que ele também cumpra e abra tudo que está no pedido protocolado junto ao TSE", segundo a Agência Brasil. Camilo disse que estaria no TSE na quinta-feira, 22 de outubro, às 11h, para protocolar a resposta de Lula, e deu esse mesmo dia e horário como prazo para Flávio abrir seus sigilos. "Não pode deixar pra depois da eleição", afirmou.

O que diz Flávio Bolsonaro
No mesmo dia da frase de Lula, a segunda-feira, 19, Flávio fez campanha em Marabá (PA), numa motocarreata com apoiadores. "O atual presidente da República tem uma coisa no DNA dele: além da mentira e da corrupção, tem a vingança", disse, segundo o Poder360. A fala também foi exibida pela Band.
Sobre os sigilos, Flávio classificou o pedido de Lula como uma "verdadeira aberração jurídica", segundo a Agência Brasil. Para Flávio, Lula poderia divulgar os próprios extratos sem enviar o caso ao TSE. Entre as condições que ele apresentou ao tribunal, segundo a Agência Brasil, estão a abertura dos dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula, os registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto e os sigilos do irmão de Lula, José Ferreira da Silva, o Frei Chico. Em agenda em Guarulhos (SP), na quarta-feira, ele disse, segundo a CNN Brasil: "Então eu abro meu sigilo do telefone sim, mas o Marcola tem que abrir o dele, concorda?". Marcola, segundo a CNN Brasil, é o apelido de Marco Aurélio Santana Ribeiro. Dirigindo-se a Lula, afirmou: "Pra eu abrir meu sigilo, você vai abrir o sigilo do Instituto Lula".

Como votam os brasileiros nos EUA
Quem tem o título de eleitor transferido para o exterior vota no segundo turno no domingo, 25 de outubro de 2026, das 8h às 17h no horário local, em 11 cidades dos Estados Unidos, segundo o TSE e os consulados do Brasil. No primeiro turno, 71,55% dos 265.022 eleitores aptos nos EUA não votaram, segundo o TSE. O passo a passo está na matéria sobre como votar nos EUA no segundo turno.
Perguntas frequentes
Quando e onde Lula disse a frase sobre "gente honesta"?
Na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, em Porto Alegre (RS), num pronunciamento à imprensa antes de um ato de campanha, segundo a Agência Brasil.
Lula disse a quem se referia?
Na frase, não. Ela veio logo depois de ele anunciar a autorização para abrir os próprios sigilos e de cobrar o mesmo do "candidato adversário".
O que Lula entregou ao TSE?
Segundo a Agência Brasil, em 20 de outubro de 2026, um requerimento que autoriza o levantamento dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele, da primeira-dama e dos cinco filhos, desde que Flávio Bolsonaro faça o mesmo.
O que Flávio Bolsonaro respondeu?
Em 21 de outubro de 2026, ele informou ao TSE que autoriza o levantamento dos seus sigilos dos últimos 20 anos, desde que Lula amplie o alcance do pedido, segundo a Agência Brasil.
