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Um cidadão americano naturalizado compareceu à Justiça em 2 de setembro, na cidade de Reno, no estado de Nevada, após ser acusado de mentir sobre crimes cometidos anteriormente para conseguir a cidadania dos Estados Unidos. As acusações foram anunciadas pelo Gabinete do Procurador dos Estados Unidos para o Distrito de Nevada, em caso investigado pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS).
De acordo com documentos judiciais e declarações feitas em audiência, Kevin Jesus King cometeu agressões sexuais em julho de 2017 e em março de 2018. Nos dois episódios, segundo as autoridades, King penetrou as vítimas à força e usou ameaças de violência física para obrigá-las a praticar atos sexuais.
Pedido de naturalização omitiu os crimes
Segundo a acusação, King apresentou ao USCIS o Formulário N-400, usado para solicitar naturalização, em 23 de janeiro de 2018. No documento, ele não teria informado a agressão sexual de julho de 2017 e teria negado, falsamente, ter cometido qualquer crime pelo qual não tivesse sido preso.
Em uma entrevista sob juramento com um oficial do USCIS, realizada em 4 de junho de 2018, King novamente teria deixado de mencionar o episódio de julho de 2017, além do caso de março do mesmo ano, repetindo a negativa de ter cometido crimes sem prisão associada. Onze dias depois dessa entrevista, ele obteve a cidadania americana por naturalização.
Em 25 de julho de 2024, King admitiu ter cometido as duas agressões sexuais ao se declarar culpado em tribunal estadual de Nevada.
King, que também usa os nomes "Kevin Jesus Lopez Vargas", "Kevin Lopez-Vargas", "Kevin Lopez" e "Kevin Vargas", foi indiciado por uma acusação de fraude em processo de naturalização. A pena máxima prevista é de dez anos de prisão. O julgamento por júri está marcado para 3 de novembro, e o caso segue sob responsabilidade do Distrito de Nevada.
Declarações de autoridades
O diretor do USCIS, Joseph B. Edlow, afirmou que mentir em pedido de cidadania é um crime grave e que, sob o governo Trump, quem fraudar o processo deve esperar consequências. Segundo ele, o USCIS trabalha em conjunto com o Departamento de Justiça para identificar, denaturalizar e responsabilizar pessoas que obtiveram cidadania de forma ilegal.
A primeira assistente do Procurador dos Estados Unidos para o Distrito de Nevada, Sigal Chattah, declarou que a integridade do sistema de imigração legal do país depende de honestidade e transparência. Ela afirmou que quem mente sobre histórico criminal violento ou fraudulento para obter os benefícios da cidadania americana viola a lei federal e desrespeita imigrantes que seguem o processo legal corretamente, acrescentando que o órgão vai investigar e processar com rigor esses casos.
O USCIS reforça que uma acusação formal é apenas uma alegação e que todo acusado é considerado inocente até que se prove o contrário, além do limite razoável de dúvida, em tribunal.
A agência também informou que denúncias de suspeita de fraude em benefícios de imigração podem ser feitas por meio do formulário de denúncias do USCIS, disponível no site oficial do órgão.
