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Um quarto de século depois dos ataques de 11 de setembro, o número de pessoas afetadas pela tragédia ultrapassou em muito as 2.977 vítimas mortas naquele dia. Segundo dados divulgados por autoridades de Nova York, mais pessoas já morreram em decorrência de doenças relacionadas ao 11 de setembro do que no próprio ataque.
A informação veio à tona depois que o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, anunciou na última terça-feira que a cidade liberou documentos detalhando como autoridades da época enganaram moradores sobre a qualidade do ar após os atentados.
"Quase 25 anos depois, mais pessoas morreram de doenças relacionadas ao 11 de setembro do que foram mortas no dia do ataque", afirmou Mamdani em 8 de setembro. "As pessoas adoeceram porque os líderes em quem confiavam mentiram e disseram que era seguro respirar aquele ar tóxico."
O legado tóxico do ataque
Quando os dois aviões colidiram com as Torres Gêmeas, imensas nuvens de poeira tomaram conta do ar, cobrindo centenas de quarteirões de Nova York com cinzas e detritos. Entre os materiais liberados estavam amianto, sílica, metais, concreto e vidro, além de subprodutos gerados pelos incêndios que continuaram a se reacender por meses na área conhecida como Ground Zero.
Segundo os documentos revelados pela prefeitura, outras regiões do baixo Manhattan também registraram, na época, níveis de amianto e outros contaminantes, em alguns casos acima do considerado aceitável.
No dia 11 de setembro, 343 integrantes do Corpo de Bombeiros de Nova York (FDNY) morreram. Nos dez meses seguintes ao ataque, mais de 15 mil pessoas, entre bombeiros, socorristas e funcionários civis, ativos e aposentados, foram expostas a poeira, partículas, gases, produtos químicos e fibras no local do World Trade Center.
Números que continuam crescendo
De acordo com o 9/11 Memorial, 49 mil pessoas já foram diagnosticadas com cânceres relacionados ao World Trade Center, incluindo tumores no sangue, no sistema digestivo, nos ovários, nos pulmões e mesotelioma, entre outros tipos da doença. Pelo menos 140 mil pessoas estão inscritas no World Trade Center Health Program, programa que monitora e trata condições de saúde ligadas aos ataques, mas o número de pessoas elegíveis para assistência é ainda maior.
Segundo estimativas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), 400 mil pessoas foram expostas a contaminantes tóxicos, ao risco de ferimentos físicos e a "condições fisicamente e emocionalmente estressantes" nos dias, semanas e meses seguintes aos ataques.
Neste ano, pela primeira vez, a cerimônia de comemoração do 11 de setembro no Ground Zero incluirá um sétimo minuto de silêncio, dedicado a lembrar os milhares de pessoas que morreram em decorrência de doenças ligadas aos ataques, em reconhecimento à dimensão desse impacto.
Passados 25 anos, os números associados ao 11 de setembro seguem se multiplicando. Um dos dados mais marcantes é o percentual de americanos que dizem conhecer alguém que foi ferido ou morto nos ataques: 20%.
