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Um prédio em construção veio abaixo na sexta-feira (23), por volta das 13h no horário local (6h em Nova York), em Eastleigh, bairro comercial e residencial muito denso de Nairóbi, a capital do Quênia. Vídeos do desabamento mostram a torre de pé, coberta de andaimes, e, segundos depois, uma nuvem de poeira no lugar. Segundo a BBC, as imagens mostram o andar térreo cedendo antes de o resto do prédio desmoronar.
Neste domingo (25), terceiro dia de buscas, as equipes de resgate seguiam escavando os andares de baixo, onde várias pessoas podem estar presas, segundo a China Daily. O número oficial de desaparecidos caiu de sete para cinco depois dos resgates de sábado, segundo o jornal.
Quantos andares e quem estava lá dentro
As fontes divergem sobre o tamanho do prédio: a Africanews fala em 16 andares, a BBC em 16 ou 18, e o governo do condado de Nairóbi citou 18, segundo a rádio queniana Radio Generation. O chefe de polícia de Nairóbi, Issa Mohamud, disse que mais de 10 andares superiores ainda estavam em obra, segundo a Al Jazeera. O desabamento foi na 9th Street.
Havia 67 operários no prédio. Segundo o ministro do Interior, Kipchumba Murkomen, 66 saíram sem ferimentos, e um teve ferimentos que não ameaçam a vida, informou a BBC. Um gesseiro que trabalhava no quinto andar contou à agência AP que foi o último a sair. "A área toda ficou tomada de poeira", disse.
O problema estava embaixo. O subsolo e o térreo tinham sido alugados para uma loja de eletrônicos, um açougue e uma mercearia, segundo a AP. Autoridades disseram que 11 lojas já funcionavam nos andares de baixo, e é ali que estariam os desaparecidos, segundo a BBC.
Sobreviventes e desaparecidos
Na sexta, a polícia resgatou uma mulher e ouvia a voz de outra pessoa sob os escombros, segundo a agência AFP. A Cruz Vermelha do Quênia informou que dois feridos foram levados ao Kenyatta National Hospital, em Nairóbi.
No sábado (24), duas pessoas foram tiradas com vida e levadas ao hospital, segundo a polícia, citada pela BBC. Uma delas é um homem, retirado pelas equipes da Cruz Vermelha. "A busca continua", disse a entidade. A outra é uma mulher, resgatada à noite e levada ao mesmo hospital, segundo o jornal The Star. O jornal The Standard diz que ela estava grávida.
A contagem de desaparecidos mudou ao longo dos dias. Na sexta, Murkomen falou em sete pessoas e disse que cerca de 11 pessoas estavam nas lojas, ainda sem paradeiro, segundo a Al Jazeera. Na sexta, a Cruz Vermelha já tinha localizado 26 pessoas dadas como desaparecidas, segundo a rádio Radio Generation. No sábado, a entidade tinha recebido 31 avisos de desaparecimento, segundo o site Citizen Digital. A entidade atende as famílias no local e pela linha gratuita 1199.
No sábado, o jornal The Standard escreveu que nenhuma morte tinha sido registrada. Até as 10h30 deste domingo (25), horário de Nova York, nenhuma das fontes consultadas pela redação informava mortes confirmadas.
Sem certificado de ocupação
O governador de Nairóbi, Johnson Sakaja, disse que o prédio tinha aprovação para a obra, mas não tinha certificado de ocupação, e por isso as lojas no térreo funcionavam de forma ilegal, segundo a Al Jazeera. "Isso potencialmente custou vidas", disse Sakaja a jornalistas no local, na sexta. Ele afirmou ainda que era possível que "uma ou duas" pessoas tivessem morrido, e que mais informações viriam com o tempo.
Segundo o jornal Daily Nation, Sakaja também disse que o condado não aprovou as plantas apresentadas para ampliar o prédio depois de uma autorização inicial. O governador pediu mais poder de fiscalização para os condados e chamou as punições atuais de "tapinha na mão". Segundo o Citizen Digital, ele disse que multas de 5.000 xelins quenianos não bastam.
Polícia procura dono e empreiteiro
A polícia anunciou no sábado uma caçada ao dono do prédio e ao empreiteiro responsável pela obra, segundo a BBC. O Serviço Nacional de Polícia abriu investigação para descobrir a causa do desabamento e se alguém tem responsabilidade criminal.
A Autoridade Nacional de Construção (NCA) disse ter identificado a empresa responsável, o arquiteto e o engenheiro estrutural, mas não informou se a obra tinha sido inspecionada antes de sexta. Segundo o site The Eastleigh Voice, citado pela Al Jazeera, o projeto foi registrado na NCA em 30 de julho de 2025.
Logo depois da queda, houve saques no local, e a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar curiosos, segundo a imprensa local. Mohamud alertou para o risco de um segundo desabamento, porque o prédio estava apoiado no vizinho.
Não é o primeiro caso
Em 2 de janeiro deste ano, a torre Manzil, de 16 andares, desabou no bairro de South C, também em Nairóbi, e matou duas pessoas. A investigação concluiu que o prédio tinha passado dos 12 andares aprovados, segundo o Daily Nation. No ano passado, a Inspetoria Nacional de Edificações do Quênia concluiu que 87% dos prédios auditados no país não cumpriam as normas ou não tinham as aprovações exigidas, segundo a AFP.
