Pular para o conteúdo
Connect ID

Entre ou crie seu Connect ID

Notícias, vídeos e suas preferências. Tudo conectado.

Carregando Connect ID…

Zelensky diz que apoio dos EUA a Putin seria “um erro histórico”; governo Trump responde

7 min de leitura
Nesta matéria

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que um apoio dos Estados Unidos a Vladimir Putin seria "inacreditável", "uma tragédia" e "um erro histórico". A frase foi dita no domingo, 18 de outubro de 2026, em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC, quando a jornalista Kristen Welker perguntou se a Ucrânia pode vencer a guerra contra a Rússia sem os Estados Unidos.

O que Zelensky disse à NBC

À pergunta sobre vencer sem os EUA, ele respondeu, segundo a transcrição da NBC: "Muito difícil. […] Se for sem o apoio dos Estados Unidos, é muito difícil. Mas se os Estados Unidos apoiarem Putin, quer dizer, é inacreditável. É uma tragédia. É um erro histórico e uma grande tragédia." Mais adiante: "Se os Estados Unidos tomarem oficialmente o lado da Rússia, claro, se esses dois países estiverem juntos, claro que não vamos prevalecer e não vamos conseguir resistir. É compreensível. Por isso, esperamos que o presidente e a equipe dele estejam do nosso lado, no mínimo no meio."

Welker também perguntou o que significa a decisão de Trump de dispensar sanções contra a Rússia. "Fortalecendo a guerra de Putin contra nós", disse Zelensky. Sobre o presidente americano, ele afirmou: "Queremos confiar nele, e espero que ele mude suas decisões, mude sua atitude em relação a Putin." Perguntado se ainda vê Trump como aliado, respondeu: "Espero que sim."

A entrevista incluiu um trecho em que Trump diz: "Não sou um grande fã de Zelensky. Acho Zelensky mais difícil de lidar do que Putin."

Volodymyr Zelensky conversa com o enviado especial Steve Witkoff e o secretário de Estado Marco Rubio no Salão Oval, em agosto de 2025
Volodymyr Zelensky conversa com o enviado especial Steve Witkoff e o secretário de Estado Marco Rubio no Salão Oval, em agosto de 2025. Foto: Casa Branca / Wikimedia Commons (domínio público)

O que a ordem de Trump faz

Em 16 de outubro, Trump assinou a ordem executiva 14436, publicada pela Casa Branca, que dispensa a aplicação de partes da Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã, sancionada em 18 de setembro de 2026. Na ordem, Trump diz ter enviado ao Congresso uma certificação de que a dispensa atende ao interesse nacional dos EUA. O texto afirma que "nada nesta ordem afeta" sanções anteriores baseadas em outras ordens executivas contra a Rússia. Segundo a ABC News, as novas tarifas e sanções entrariam em vigor em 18 de outubro. A ABC também informa que, na semana anterior, o Tesouro autorizou, por licença geral até abril, a venda e a importação de diesel russo pelos EUA.

A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, disse, segundo a ABC, que aplicar as sanções agora "impediria" os esforços dos EUA para negociar um acordo de paz. A medida teve críticas de congressistas republicanos: o senador John Cornyn disse que Graham "ficaria horrorizado", segundo a NBC. O senador James Lankford defendeu a decisão no mesmo programa da NBC: "o presidente tem a possibilidade, pela lei, de olhar os interesses nacionais", disse, citando o preço da gasolina.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também esteve no Meet the Press. "Nenhuma sanção foi retirada na sexta-feira. Nenhuma sanção foi retirada", disse. Em outro trecho, afirmou: "Existe um período de 60 dias para podermos examinar o que está acontecendo. A única coisa que foi retirada é o embargo ao diesel."

A resposta de Trump

Na segunda-feira, 19 de outubro, do lado de fora da Casa Branca, Trump foi questionado sobre as declarações de Zelensky. "Zelensky não sabe do que está falando", respondeu, segundo o vídeo oficial da Casa Branca. Perguntado se apoia Putin ao dispensar as sanções, disse: "Não, eu estou apoiando parar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia." Ele também afirmou que acha "que é hora de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia". A Reuters registrou a frase como "talvez seja hora de Zelensky arranjar outra pessoa para negociar". A cobertura completa está na matéria sobre a fala de Trump sobre Zelensky.

Donald Trump responde a jornalistas cercado de câmeras e microfones na saída da Casa Branca, em 19 de outubro de 2026
Donald Trump responde a jornalistas cercado de câmeras e microfones na saída da Casa Branca, em 19 de outubro de 2026. Foto: Reprodução/Casa Branca

O que aconteceu depois

Na terça-feira, 20 de outubro, Zelensky se reuniu em Oslo, na Noruega, com o enviado de Trump, Steve Witkoff; Jared Kushner participou à distância, segundo a NBC. Um funcionário dos EUA disse à emissora que as conversas foram "muito produtivas e construtivas". O secretário de Estado, Marco Rubio, rejeitou a acusação ucraniana de que os EUA retiraram apoio: "Isso é escandaloso. Isso é ultrajante. Isso simplesmente não é verdade." Zelensky disse, no mesmo dia, que Kiev voltou a receber alertas antecipados de parceiros sobre ataques de mísseis, depois das conversas com os americanos, inclusive uma ligação com Rubio, segundo a NBC.

Na quarta-feira, 21 de outubro, Witkoff se reuniu com Putin em São Petersburgo. Segundo o assessor presidencial russo Yuri Ushakov, em comentário publicado pelo Kremlin, Putin disse que a Rússia está pronta, "em princípio", a retomar as conversas trilaterais com EUA e Ucrânia por volta de 10 de novembro. Ushakov disse que as propostas de Kiev e dos europeus continham pouco que ajudasse a resolver a crise. Zelensky disse que Kiev apoia o encontro e que ele deve ocorrer "o mais tardar no início de novembro", segundo a Al Jazeera. Na mesma reunião, o Kremlin informou que Putin perdoou o americano Stephen Hubbard, tema da matéria sobre a libertação de Hubbard.

Steve Witkoff e Vladimir Putin apertam as mãos no Palácio Konstantinovsky, em São Petersburgo, em 21 de outubro de 2026
Steve Witkoff e Vladimir Putin apertam as mãos no Palácio Konstantinovsky, em São Petersburgo, em 21 de outubro de 2026. Foto: Kremlin.ru (CC BY 4.0)

Perguntas frequentes

Quando e onde Zelensky falou em "erro histórico"?
No domingo, 18 de outubro de 2026, em entrevista ao Meet the Press, da NBC, ao responder se a Ucrânia pode vencer a guerra sem os EUA, segundo a transcrição.

O que o governo Trump respondeu?
Bessent, no mesmo programa, disse que "nenhuma sanção foi retirada" e que a única coisa suspensa é o embargo ao diesel. Em 19 de outubro, Trump disse que "Zelensky não sabe do que está falando" e que apoia "parar a guerra".

Trump retirou as sanções contra a Rússia?
Em 16 de outubro, ele assinou ordem que dispensa partes da nova Lei Graham, com certificação de interesse nacional. A ordem diz que não afeta sanções anteriores baseadas em outras ordens executivas. Bessent afirma que só o embargo ao diesel foi retirado.

O que está previsto para as negociações?
Segundo o Kremlin, Putin aceita, em princípio, retomar as conversas trilaterais por volta de 10 de novembro. Zelensky disse que o encontro deve ocorrer o mais tardar no início de novembro.

Role para carregar a próxima matéria.