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Seiscentos ou cento e vinte? Os Estados Unidos estão enviando soldados ao Panamá, mas as versões sobre quantos são não batem. Na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, o jornal The New York Times informou, com base em militares que não quiseram se identificar, que o Pentágono começou a enviar os primeiros integrantes de um batalhão de cerca de 600 soldados da 10ª Divisão de Montanha do Exército para um centro de treinamento na selva panamenha. Depois, segundo o jornal, eles poderiam fazer exercícios na Colômbia e em Honduras.
No mesmo dia, a Embaixada dos EUA no Panamá chamou a reportagem de "categoricamente falsa". Segundo a embaixada, há 120 militares da 10ª Divisão de Montanha no país, num curso de selva de duas semanas, e eles devem voltar às suas unidades em 25 de outubro.
O que disse o New York Times
Segundo a reportagem, citada pelo jornal colombiano El Tiempo e pelo site Latin Times, os soldados iriam primeiro para uma nova instalação de treinamento na selva do Panamá. Depois, a operação poderia se estender a outros países, como Honduras e Colômbia. De acordo com o relato do jornal reproduzido pela Fox News, as tropas também poderiam apoiar militares de operações especiais dos EUA que assessoram forças locais em ações contra suspeitos de narcotráfico.

O que disse a Embaixada dos EUA no Panamá
A nota da embaixada saiu no mesmo dia da reportagem. "A publicação do New York Times que alega o envio de 600 soldados americanos ao Panamá é categoricamente falsa", diz o texto, segundo o El Tiempo. A embaixada afirma que os militares americanos estão no país a convite do governo panamenho e "trabalham em estreita coordenação com seus colegas panamenhos". Segundo a nota, o centro de treinamento funciona há mais de um ano, com instrutores dos dois países.
"Os participantes americanos não permanecem no Panamá depois de se formar; eles voltam para suas unidades de origem", diz a nota.
O que disseram o Exército e outras autoridades
Outras fontes oficiais deram números diferentes, sem citar o total no Panamá:
- Revista Task & Purpose: o Exército envia cerca de 500 soldados da 10ª Divisão de Montanha à América Latina. Segundo um porta-voz da divisão ouvido pela revista, os soldados da 3ª Brigada, baseada em Fort Polk, na Louisiana, vão para a área do Comando Sul "para cooperação de segurança com os países anfitriões", e cerca de 100, de um elemento de comando, vão para Miami.
- Emissora WWNY, de Nova York: citando a emissora 7NEWS, falou em cerca de 600 soldados da 3ª Brigada. Segundo a WWNY, o Pentágono confirmou o envio ao Panamá para treinamento na selva e exercícios conjuntos posteriores com forças da Colômbia e de Honduras, sem informar número. Autoridades de Fort Drum disseram à emissora que o grupo de Miami vai reforçar a Força-Tarefa Conjunta Hemisfério Ocidental em "comando e controle, inteligência, planejamento, comunicações" e outras funções de estado-maior.
- Uma autoridade americana, ao jornal The Hill: quase 200 soldados iriam para o curso, e eles não fariam treinamento antidrogas, segundo o resumo do site SOFX.
O curso acontece na Base Aeronaval Cristóbal Colón, o antigo Fort Sherman, onde os militares americanos voltaram a treinar com as forças de segurança do Panamá no ano passado, depois de mais de 20 anos, segundo o SOFX. Até a madrugada desta quinta-feira, 22, não havia nota do Pentágono com um número oficial nem manifestação do governo do Panamá sobre a divergência, segundo buscas da TV Connect USA nos veículos que cobrem o caso.

A coalizão e o Brasil
O envio acontece no contexto da coalizão anticartel de Washington, o "Escudo das Américas", lançada numa cúpula do presidente Donald Trump em 7 de março de 2026, no Trump National Doral, perto de Miami, segundo a CBS News. Brasil, México e Colômbia não participaram do encontro. A Colômbia aderiu em agosto, quando Abelardo de la Espriella assumiu a presidência; Brasil e México seguem de fora, segundo a revista Newsweek. A coalizão também foi citada no debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, na Band.
Em 28 de maio, o Departamento de Estado anunciou a designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras, com efeito a partir de 5 de junho, segundo a Agência Brasil. O secretário de Estado, Marco Rubio, descreveu os grupos como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil, segundo a Agência Brasil, que relata que o governo brasileiro tentou evitar a designação. Em maio de 2025, o então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, disse à Reuters que a lei brasileira só considera terroristas grupos que enfrentam o governo com violência por motivos religiosos ou raciais.
Perguntas frequentes
Quantos soldados americanos estão no Panamá?
Depende da fonte. O New York Times fala em um batalhão de cerca de 600; a Embaixada dos EUA diz que são 120, num curso de duas semanas; uma autoridade ouvida pela The Hill falou em quase 200. O Pentágono não divulgou um número próprio até 22 de outubro.
Os soldados vão combater o narcotráfico no Panamá?
A embaixada diz que se trata de um curso de selva, com volta às unidades em 25 de outubro, e uma autoridade disse à The Hill que não haverá treinamento antidrogas. O New York Times relatou que as tropas poderiam, depois, apoiar operações contra narcotraficantes na região.
O Brasil faz parte do Escudo das Américas?
Não. Brasil e México seguem fora da coalizão, segundo a Newsweek. A Colômbia aderiu em agosto.
