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Fazendeiro acha peça de 3 metros em milharal de Minnesota; seria de foguete chinês

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Um fazendeiro colhia milho no centro-oeste de Minnesota quando encontrou, no meio dos pés de milho, um objeto de metal circular com cerca de 11 pés de diâmetro, pouco mais de 3 metros. O xerifado de Stevens County, que recebeu a chamada na quarta-feira (14), descreveu o achado como "presumivelmente um objeto espacial".

Segundo uma análise do site especializado Ars Technica, a peça provavelmente é o estágio superior de um foguete Zhuque-2E, da empresa privada chinesa LandSpace, lançado em 15 de setembro. A origem não foi confirmada oficialmente, e, até quinta-feira (22), a empresa não tinha confirmado que a peça é do seu foguete.

O que o fazendeiro achou

O objeto estava num milharal de Scott Township, a sudoeste da cidade de Morris, e foi achado enquanto o fazendeiro passava a colheitadeira, segundo a Ars Technica. A MPR News, rádio pública de Minnesota, descreve a peça como tendo forma de tigela. O xerifado recebeu a chamada por volta das 15h30 (horário local).

"Ao chegar, os policiais confirmaram que havia no milharal um objeto metálico grande, com aproximadamente 11 pés de diâmetro, presumivelmente um objeto espacial", escreveu o xerifado no Facebook. Segundo o comunicado, o órgão passou a trabalhar com agências estaduais e federais "para identificar e avisar o dono dos destroços e planejar a retirada do campo".

Mapa de Minnesota com os condados, com o condado de Stevens destacado em vermelho, no oeste do estado
Mapa de Minnesota com os condados, com o condado de Stevens destacado em vermelho, no oeste do estado. Foto: Mapa: David Benbennick / Wikimedia Commons (domínio público)

Ninguém se feriu, e as autoridades disseram que não há perigo para a população. Segundo a MPR News, o plantão estadual de emergências de Minnesota foi avisado e órgãos federais foram até o local.

Departamento de Estado assumiu o caso

Nesta semana, o xerifado avisou que não divulgaria mais informações e passou a encaminhar as perguntas ao Departamento de Estado dos EUA, segundo a MPR News. Em nota à rádio na quinta-feira (22), um porta-voz do departamento disse que a peça "foi colocada em segurança e não representa perigo para a população" e que o órgão trabalha com outras agências "para determinar a natureza e a origem dos destroços".

A nota, como a MPR News a reproduziu, não diz onde a peça está guardada nem o que será feito com ela. Também não houve informação sobre se a LandSpace vai tentar recuperá-la, segundo a emissora KSTP.

Por que a suspeita é de um foguete chinês

Em 15 de setembro, um foguete Zhuque-2E decolou de Dongfeng, área de lançamentos comerciais junto ao centro de Jiuquan, no noroeste da China, e soltou 10 satélites da rede Qianfan, ou Mil Velas, a concorrente chinesa da Starlink, da SpaceX, segundo a Ars Technica. O voo durou de 75 a 80 minutos, e o foguete desceu sem completar uma volta inteira em torno da Terra.

Foguete branco com detalhes vermelhos da família Zhuque-2, da LandSpace, decola ao lado da torre de lançamento, em meio a fumaça, na China, em julho de 2023 (foto de arquivo de um voo anterior)
Foguete branco com detalhes vermelhos da família Zhuque-2, da LandSpace, decola ao lado da torre de lançamento, em meio a fumaça, na China, em julho de 2023 (foto de arquivo de um voo anterior). Foto: China News Service / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Naquela noite, vídeos nas redes sociais mostraram rastros de destroços em chamas caindo do céu e seguindo para o norte, do Kansas em direção a Minnesota, e o espetáculo foi visto também de Wisconsin, segundo a Ars. A hora, o local e a direção dos destroços permitiram a especialistas ligar o fenômeno ao lançamento chinês.

O tamanho reforça a suspeita: o estágio superior do Zhuque-2E tem 11 pés, ou 3,35 metros, de diâmetro, "batendo perfeitamente com o tamanho do objeto encontrado em Minnesota", escreveu a Ars. Segundo o site, a peça chama a atenção por ser maior que a maioria dos objetos que sobrevivem à reentrada na atmosfera e por ter vindo, provavelmente, de um foguete que caiu do espaço no mesmo dia em que foi lançado.

Era para ter caído no mar?

Depois de soltar os satélites, o estágio superior fez uma queima para frear e sair da órbita, segundo a Ars Technica. Tirar um estágio usado de órbita é considerado uma boa prática, para não criar mais lixo espacial. Mas o normal é mirar a reentrada sobre o oceano, e, para o site, a queda sobre os EUA talvez tenha sido resultado de uma manobra malfeita. Até a publicação da Ars, em 19 de outubro, a LandSpace não tinha reconhecido publicamente a queda sobre Minnesota.

Lixo espacial raramente fere alguém

Segundo a Ars Technica, ninguém nunca ficou gravemente ferido por lixo espacial, embora haja alguns casos de danos a propriedades. Pelo direito internacional, o país que lançou um objeto ao espaço responde pelos danos que ele causar em solo.

Não é a primeira vez que um foguete intriga quem olha para o céu nos EUA: na Flórida, uma "água-viva" gigante era um foguete da SpaceX. Em Minnesota, até a noite deste sábado (24), nenhum órgão do governo americano tinha confirmado de onde veio a peça.

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