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Neste sábado, 24 de outubro, um sinal de rádio enviado pela Voyager 1 leva 23 horas e 56 minutos para chegar à Terra, segundo cálculos do JPL, o laboratório da NASA na Califórnia. Faltam menos de quatro minutos de luz para um marco inédito: a NASA prevê que, em 18 de novembro, às 5h16 no horário de Nova York, a sonda que decolou da Flórida em 1977 esteja a um dia-luz de distância, a distância que a luz percorre em 24 horas.
Será o primeiro objeto feito pelo ser humano a chegar tão longe da Terra, segundo a NASA. "Nenhuma nave foi mais longe que a Voyager 1", diz a página da missão.
Quanto falta para o dia-luz
Neste sábado, a sonda está a cerca de 25,8 bilhões de quilômetros daqui. Um dia-luz equivale a cerca de 26 bilhões de quilômetros, ou 16 bilhões de milhas, segundo a NASA. A Voyager 1 viaja a quase 61.000 km/h e terá levado 49 anos, dois meses e 11 dias para cruzar essa marca.
Para comparar, a luz leva 1,3 segundo para ir da Terra à Lua e cerca de oito minutos e 20 segundos para chegar do Sol, segundo a agência. Em abril, segundo a NASA, um comando enviado pelos engenheiros levou cerca de 23 horas para chegar à sonda.
Da Flórida para o espaço interestelar
A Voyager 1 decolou em 5 de setembro de 1977, do Complexo de Lançamento 41, em Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Titan-Centaur, segundo a NASA. A gêmea, Voyager 2, tinha saído antes, em 20 de agosto, mas a Voyager 1 seguiu uma rota mais rápida e mais curta.

A sonda passou por Júpiter em 5 de março de 1979 e por Saturno em 12 de novembro de 1980. Em 17 de fevereiro de 1998, ultrapassou a Pioneer 10 e virou o objeto feito pelo homem mais distante da Terra. Em 25 de agosto de 2012, entrou no espaço interestelar, fora da heliosfera, a bolha de partículas e campos magnéticos gerada pelo Sol. As duas Voyagers são as únicas naves que já funcionaram fora dela, segundo a NASA.
Em 14 de fevereiro de 1990, a cerca de 6 bilhões de quilômetros do Sol, a Voyager 1 fez a foto que ficou conhecida como "Pálido Ponto Azul". Nela, a Terra é um ponto de luz menor que um pixel: 0,12 pixel, segundo o arquivo de imagens da NASA. No mesmo dia, as câmeras da sonda foram desligadas para economizar energia. A imagem inspirou o título de um livro do cientista Carl Sagan, que escreveu: "Olhe de novo para aquele ponto. É aqui. É a nossa casa. Somos nós."
Um recado em português a bordo
As duas Voyagers levam o Disco de Ouro, um disco de 12 polegadas folheado a ouro, com imagens e sons da Terra, segundo a NASA. São 115 imagens, sons da natureza, como ondas, vento, trovões, pássaros e baleias, músicas de várias culturas e épocas e saudações em 55 línguas, do acadiano, falado na Suméria há cerca de 6 mil anos, ao wu, um dialeto chinês moderno.
A saudação em português é curta: "Paz e felicidade a todos". Foi gravada por Janet Sternberg, uma americana do Departamento de Línguas Estrangeiras da Universidade Cornell que tinha morado no Rio de Janeiro, segundo o Espaço do Conhecimento da UFMG. Ela foi orientada a ser breve. Nenhuma música brasileira entrou no disco, segundo o mesmo texto.

A energia está no limite
A Voyager 1 funciona com um gerador termoelétrico de radioisótopos, que transforma em eletricidade o calor do plutônio em decaimento, e cada sonda perde cerca de 4 watts por ano, segundo a NASA. Em 27 de fevereiro, numa manobra de rotação de rotina, a energia caiu de forma inesperada. Em 17 de abril, os engenheiros do JPL desligaram o LECP, instrumento que media partículas carregadas de baixa energia e funcionava quase sem parar desde o lançamento. Com o LECP desligado, só dois dos 10 instrumentos da Voyager 1 seguem ligados, segundo a tabela de status da NASA.
"A Voyager 1 ainda tem dois instrumentos científicos funcionando, um que escuta ondas de plasma e outro que mede campos magnéticos", disse em abril Kareem Badaruddin, gerente da missão no JPL. Segundo a NASA, o desligamento dá à sonda cerca de um ano de fôlego.
Nesse tempo, a equipe preparou o "Big Bang", uma troca simultânea de equipamentos por alternativas que gastam menos energia. A operação deu certo na Voyager 2, e em 4 de agosto a NASA anunciou o plano de repetir a troca na Voyager 1 nos meses seguintes. Até a tarde deste sábado, o blog da missão não registrava a conclusão na Voyager 1.
O que vem depois
A Voyager 2, que seguiu outro caminho para visitar Urano e Netuno, só deve chegar a um dia-luz da Terra em novembro de 2035, segundo a NASA. A Voyager 1 segue na direção da estrela AC +79 3888, também chamada de Gliese 445, a mais de 17 anos-luz, e deve passar a cerca de 1,7 ano-luz dela daqui a 40.000 anos.
O marco de novembro também aparece na reportagem sobre o aniversário do JPL. Na página sobre o dia-luz, a NASA chama o 18 de novembro de "um dia que vale ser comemorado".
