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US$ 446 milhões: Musk vira o maior doador da era dos super PACs, diz Washington Post

9 min de leitura
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O bilionário Elon Musk já colocou US$ 446 milhões do próprio dinheiro nas eleições americanas deste ciclo, a maior parte para tentar manter o controle republicano do Congresso, segundo levantamento do jornal The Washington Post atualizado na sexta-feira (23). O valor supera os pelo menos US$ 288 milhões que ele gastou em 2024, quando ajudou a eleger Donald Trump, segundo o mesmo jornal, que também descreve Musk como o maior doador individual da história americana moderna, numa comparação que nas análises anteriores do Post vai de 2010 em diante, ano em que a Justiça americana liberou doações sem limite aos super PACs.

Os super PACs são comitês que podem arrecadar e gastar valores ilimitados a favor de candidatos, desde que não coordenem as ações com as campanhas. Segundo o Post, os republicanos esperam que o dinheiro ajude na reta final, saturando rádio e TV de propaganda e mandando mais cabos eleitorais bater na porta dos eleitores antes da eleição de 3 de novembro, que define o controle da Câmara e do Senado.

Para onde foi o dinheiro

Quase US$ 216 milhões foram para o America PAC, o super PAC do próprio Musk, segundo o Washington Post. O comitê montou de novo uma grande operação para levar eleitores às urnas, como fez na campanha de Trump em 2024, segundo a agência AP. Outros US$ 168 milhões foram para o Senate Leadership Fund, principal super PAC de apoio a candidatos republicanos ao Senado, e US$ 30 milhões para o Congressional Leadership Fund, que se apresenta como dedicado a "conquistar a maioria republicana na Câmara".

Musk também deu US$ 10 milhões ao Lone Star Liberty PAC, que apoia Ken Paxton, candidato republicano ao Senado pelo Texas, segundo a AP. Desde o início de julho, foram pelo menos US$ 355 milhões, segundo o Post.

Os registros da Comissão Federal Eleitoral (FEC) mostram a aceleração na reta final. O Senate Leadership Fund recebeu de Musk US$ 75 milhões em 9 de setembro e US$ 83 milhões em 23 de setembro. No relatório pré-eleição do America PAC, que cobre de 1º a 14 de outubro e foi entregue em 22 de outubro, todos os US$ 76,8 milhões recebidos no período vieram de Musk. No mesmo intervalo, o comitê gastou US$ 42,7 milhões e terminou com US$ 46,5 milhões em caixa.

Por que os números variam

Em 13 de outubro, o jornal The New York Times calculou que Musk tinha dado cerca de US$ 366 milhões a comitês federais no ciclo 2025-26. A maior parte da diferença para os US$ 446 milhões do Post é de calendário, pela conta da redação: o texto do Times saiu antes do relatório pré-eleição do America PAC, com os US$ 76,8 milhões de outubro.

Também pesa o que entra na conta. O total do Post cobre o ciclo eleitoral inteiro, que começa em janeiro de 2025. Pela conta da redação, ele inclui doações em espécie, quando o doador paga despesas no lugar do comitê: sem elas, os registros da FEC mostram cerca de US$ 186 milhões de Musk ao America PAC, e não os quase US$ 216 milhões do Post. Nos registros da FEC, essas doações de Musk ao America PAC somam cerca de US$ 30 milhões, a maior parte, cerca de US$ 27 milhões, lançada em junho de 2025 como "incentivos de petição". Cerca de US$ 73 milhões foram doados em 2025, um ano sem eleição para o Congresso.

Pela conta da redação nos dados da FEC, as doações a comitês federais registradas com o nome de Musk somam cerca de US$ 436 milhões. Além do America PAC, do Senate Leadership Fund e do Congressional Leadership Fund, isso inclui cerca de US$ 22 milhões a outros comitês, como Fight for Kentucky (US$ 10 milhões), MAGA Inc. (US$ 5 milhões) e V-PAC (US$ 5 milhões). Com os US$ 10 milhões ao comitê do Texas informados pela AP, o total chega perto dos US$ 446 milhões do Post.

Recorde desde quando

Segundo o Washington Post, Musk consolidou o posto de maior doador político individual da história americana moderna. A comparação que o próprio jornal usou em 2024, com dados da organização OpenSecrets, começa em 2010 e deixa de fora candidatos que financiam a própria campanha. Naquele ano, Musk já tinha o maior total de um único doador "desde pelo menos 2010", segundo o Post.

A ressalva importa. O ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg colocou US$ 1,09 bilhão na própria campanha à Presidência em 2020, segundo a FEC, mas como candidato, o que fica fora dessa conta. O marco de 2010 é a decisão do caso SpeechNow.org contra a FEC, em 26 de março daquele ano, quando um tribunal federal de apelações derrubou os limites de doação a grupos que só fazem gastos independentes, o que abriu caminho para os super PACs.

Musk não é o único a gastar alto. Segundo o Post, só quatro doadores individuais passaram de US$ 100 milhões neste ciclo. Além dele, estão o casal Richard e Elizabeth Uihlein, com US$ 150 milhões, e o casal Jeff e Janine Yass, com US$ 110 milhões, que apoiam principalmente republicanos. Do lado democrata, o único do grupo é o investidor George Soros, que destinou US$ 102 milhões por meio da empresa Geosor e da Fund for Policy Reform. Bloomberg, agora como doador, deu mais de US$ 84 milhões no ciclo, a maior parte para candidatos democratas à Câmara. Os 50 maiores doadores somam mais de US$ 2,77 bilhões: cerca de US$ 1,67 bilhão para o lado republicano, US$ 832 milhões para o democrata e US$ 264 milhões para grupos bipartidários e de interesses específicos, como os ligados a apostas esportivas e criptomoedas, segundo o jornal.

O que está em jogo em 3 de novembro

Na terça-feira, 3 de novembro, os americanos elegem todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado, incluindo eleições especiais em Ohio e na Flórida. Hoje, os republicanos controlam as duas Casas.

Ala do Senado do Capitólio dos Estados Unidos, em Washington, com a cúpula iluminada pelo sol da manhã e a praça vazia à frente (imagem de arquivo)
Ala do Senado do Capitólio dos Estados Unidos, em Washington, com a cúpula iluminada pelo sol da manhã e a praça vazia à frente (imagem de arquivo). Foto: Architect of the Capitol (domínio público)

Na Câmara, são 218 republicanos, 214 democratas, um independente e duas vagas, segundo o site oficial da Casa. O independente vota com os republicanos, e os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras para ficar com a maioria, segundo a agência Reuters. No Senado, são 53 republicanos, 45 democratas e dois independentes. Os democratas também precisam de quatro cadeiras a mais, porque um empate de 50 a 50 é decidido pelo vice-presidente, JD Vance.

Musk também aparece no debate sobre o pós-eleição. Nesta semana, o site Politico noticiou que democratas avaliam formas de investigar o bilionário caso conquistem o controle de uma ou das duas Casas, com apurações sobre as operações do DOGE, a iniciativa de corte de gastos do governo que Musk assessorou até maio de 2025, contratos federais e supostos conflitos de interesse com as empresas dele, segundo a Fox Business. Musk respondeu no X: "Quem compra briga comigo deve entender que eu vou descobrir quem realmente está puxando as cordas e vou atrás deles, não só dos fantoches".

Os dois lados

"Esses investimentos robustos permitiram ao aparato republicano levar sua mensagem", disse Andrew Romeo, porta-voz do comitê de Musk, ao New York Times, segundo a AP. "Os republicanos esperam comprar estas eleições", afirmou Lauren French, porta-voz do Senate Majority PAC, comitê ligado aos democratas no Senado, também segundo a AP.

Na sexta-feira (23), Trump defendeu o bilionário ao ser perguntado se teme que os democratas vão atrás dele caso ganhem o Congresso, como a TV Connect mostrou em "Temos que proteger nossas pessoas brilhantes; não temos muitas", diz Trump sobre Musk.

Perguntas frequentes

Quanto Elon Musk doou nas eleições de 2026?
US$ 446 milhões do próprio dinheiro no ciclo eleitoral 2025-26, que começou em janeiro de 2025, segundo levantamento do Washington Post atualizado em 23 de outubro de 2026.

Para onde foi o dinheiro de Musk?
Quase US$ 216 milhões para o America PAC, o super PAC dele; US$ 168 milhões para o Senate Leadership Fund, de apoio a republicanos no Senado; US$ 30 milhões para o Congressional Leadership Fund, de apoio a republicanos na Câmara; e US$ 10 milhões para o Lone Star Liberty PAC, que apoia Ken Paxton no Texas.

Musk é o maior doador político da história dos EUA?
Segundo o Washington Post, sim: o jornal diz que ele consolidou o recorde de maior doador político individual da história americana moderna. Na comparação que o Post usou em 2024, a base começa em 2010 e não conta candidatos que financiam a própria campanha. Michael Bloomberg gastou US$ 1,09 bilhão na própria candidatura presidencial em 2020.

Quando é a eleição para o Congresso dos EUA?
Na terça-feira, 3 de novembro de 2026. Estão em disputa as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado.

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