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Protestos terminaram em confronto com a polícia no sábado (24) em quatro cidades europeias: Paris e Nice, na França, Barcelona, na Espanha, e Tirana, capital da Albânia. Os motivos e os organizadores são diferentes. Na França, a mobilização nacional cobra poder de compra e serviços públicos. Em Barcelona, jovens convocados pelas redes sociais se reuniram sem uma reivindicação clara. Na Albânia, estudantes pedem ensino mais barato e a renúncia do primeiro-ministro.
Paris: confronto no fim do cortejo
Na França, o sábado foi de mobilização nacional. Segundo o Ministério do Interior, citado pela agência AFP, os atos se concentraram no poder de compra e na defesa dos serviços públicos. Secundaristas e universitários também participaram, segundo a France 24. Os protestos começaram em setembro com secundaristas do sudeste de Paris e se espalharam pelo país, segundo a CBS News, que aponta o custo de vida e o sistema de ensino como motivos.
O ministério contou 410 mil manifestantes em todo o país, 110 mil deles em Paris, menos que os 550 mil do sábado anterior. A central sindical CGT fala em 800 mil, 250 mil na capital.
Em Paris, o cortejo foi calmo até perto do ponto final, a Porte de Vincennes, no leste da cidade. Ali, manifestantes passaram a jogar objetos na polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e canhão d'água, segundo a France 24. "Mais de 500 vândalos atacam as forças da ordem no cours de Vincennes", informou a Prefeitura de Polícia de Paris. Um grupo tentou arrombar uma concessionária de carros na avenida. No início da noite, a prefeitura anunciou que a manifestação estava "inteiramente dispersada".
Balanço: na manhã de domingo (25), a Prefeitura de Polícia informou 142 pessoas detidas em Paris, 120 delas em custódia, segundo a franceinfo. Na noite de sábado, a Promotoria de Paris tinha contado 64 presos, seis deles menores de idade, segundo a CBS News, com a agência AP. No país inteiro, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, falou em quase mil detidos: "Neste momento em que falo, estamos em quase mil detenções", disse, e previu que o número ainda subiria muito. Nuñez afirmou que os cortejos "correram bem", mas criticou a presença de vândalos. No sábado anterior, no mesmo horário, eram 385 detenções, segundo o ministro. Foi nesse sábado anterior que a prefeitura de Limoges foi incendiada. Os protestos também entraram na agenda esportiva: Trump disse que a NFL podia ter adiado o jogo marcado em Paris.
Nice: ato proibido no centro
Em Nice, na Riviera Francesa, manifestações e aglomerações estavam proibidas no centro pelo préfet dos Alpes-Marítimos, Jean-Marie Girier, representante do governo francês no departamento. Mesmo assim, cerca de 2.300 pessoas se reuniram, segundo a rádio pública ICI; o site Nice Premium fala em mais de 2 mil. Nice esteve entre as cidades com confrontos no dia nacional, segundo a France 24.

A partir das 16h, a polícia usou gás lacrimogêneo e um caminhão lança-água de 6.000 litros para dispersar os grupos, segundo a ICI e o Nice Premium. Um vídeo gravado na cidade mostra clientes de um café recolhendo as bolsas e deixando as mesas no meio da fumaça.
Balanço: às 19h, o préfet anunciou 63 detidos, entre eles 11 militantes de ultradireita que, segundo a préfecture, "procuravam enfrentar os manifestantes"; 56 ficaram sob custódia, segundo a ICI. O Nice Premium contou 61 detidos. Três pessoas tiveram ferimentos leves e dois policiais ficaram feridos, segundo a préfecture. As autoridades avisaram que o esquema de segurança seria mantido no domingo (25).
Barcelona: convocação pelas redes e saques no centro
Em Barcelona, o protesto não tinha uma pauta definida. A convocação circulou nas redes sociais com o lema "Instituts Indignats" ("escolas indignadas", em catalão), referência ao movimento francês de secundaristas "Lycées Indignés", segundo o elDiario.es. Os jovens foram chamados por grupos de WhatsApp e Telegram e não tinham reivindicação clara além de uma faixa com os dizeres "Contra el sistema, instituts en lluita" (contra o sistema, escolas em luta), segundo o jornal El Nacional. O ato não foi comunicado às autoridades.
Os incidentes começaram por volta das 18h na praça Catalunha e reuniram de 500 a 600 jovens no auge, segundo a conselheira de Interior do governo catalão, Núria Parlon. Os Mossos d'Esquadra, a polícia da Catalunha, esperavam de 200 a 300 pessoas, segundo o El Nacional. Num primeiro balanço, Parlon falou em 14 lojas vandalizadas e saqueadas; o elDiario.es, na atualização de domingo, cita 23 lojas saqueadas. Os bombeiros apagaram 33 incêndios em mobiliário urbano e contêineres, segundo o elDiario.es.

A confusão chegou ao Portal de l'Àngel, rua de comércio ao lado da praça, onde um vídeo mostra jovens encapuzados chutando as vitrines de uma loja. A loja de departamentos El Corte Inglés baixou as portas. A polícia catalã descreveu os responsáveis como "grupos violentos de pessoas com o rosto coberto", segundo o elDiario.es, e usou projéteis de espuma para dispersá-los, segundo o El Nacional. Os distúrbios ocorreram perto de um acampamento pelo direito à moradia montado há semanas na praça.
Versão dos Mossos: Parlon disse que os distúrbios foram protagonizados por cerca de 500 pessoas "desordenadas, sem organização", à margem de qualquer protesto amparado pelo direito de manifestação ou de uma causa social, e viu um "efeito espelho" com os protestos estudantis na França, segundo o elDiario.es.
Balanço: os Mossos detiveram 128 pessoas, 72 delas menores de idade, segundo o elDiario.es, com base nos dados da polícia catalã; na primeira contagem da noite eram cerca de 100 detidos. Catorze mossos ficaram feridos, quatro deles em estado grave, segundo o mesmo jornal. O prefeito de Barcelona, Jaume Collboni, disse que a prefeitura vai atuar como acusação particular nos processos e que "terá consequências para os maiores de idade e para os pais dos menores". "Uma pessoa pode ter raiva, ser contra as injustiças, mas nada do que aconteceu tem a ver com isso", disse Parlon. "Protestar é um direito democrático. Agredir, intimidar ou causar destruição não é", afirmou o presidente da Catalunha, Salvador Illa.
Tirana: estudantes contra o governo
Na Albânia, o ato de sábado foi o 12º dia de protestos estudantis e o 147º desde o início dos atos contra o governo, segundo o portal Citizens.al. Os estudantes pedem mensalidades mais baixas, mais investimento do Estado na educação e o fim da corrupção no ensino, segundo a Euronews, e a renúncia do primeiro-ministro socialista Edi Rama. Segundo a Al Jazeera, a onda atual começou em meados de outubro por causa das más condições das escolas e do custo de vida; desde maio, já havia protestos contra um projeto de hotel de luxo ligado à família do presidente americano Donald Trump. Rama atribuiu a violência a "atores estrangeiros".
O ato começou às 14h, diante do Ministério da Educação. Manifestantes jogaram pedras, artefatos pirotécnicos e coquetéis molotov, e a polícia respondeu com canhões d'água, gás lacrimogêneo e balas de borracha, segundo os sites albaneses Publik e Argumentum. Um policial pegou fogo e foi socorrido por colegas, segundo o site inAlbania. Diante da sede do governo, apoiadores do oposicionista Partido Democrático queimaram as almofadas que Rama tinha colocado ali como convite simbólico ao diálogo com os estudantes, segundo a Euronews. Veja o vídeo de Tirana.

Balanço: até as 19h45, 13 pessoas tinham procurado atendimento médico, segundo o Ministério da Saúde: oito manifestantes, três policiais e dois profissionais de imprensa. Até a noite, a Polícia do Estado não tinha divulgado um balanço completo de detidos, segundo o Argumentum.
