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Dengue na Flórida: maior surto em décadas soma 425 casos locais; região de Orlando tem 8

8 min de leitura
Nesta matéria

A Flórida soma 425 casos de dengue transmitida dentro do próprio estado em 2026, segundo o relatório semanal de vigilância de arboviroses do Departamento de Saúde da Flórida referente à semana epidemiológica 41, de 11 a 17 de outubro. Só nessa semana, foram 57 casos novos. O condado de Orange, onde fica Orlando, tem 8 casos de transmissão local, e o condado de Hillsborough, região de Tampa, concentra 346.

Somando os 320 casos de quem se infectou em viagem ao exterior, o relatório registra 745 casos de dengue na Flórida neste ano, pela conta da redação.

Maior surto em décadas

Segundo a agência Associated Press (AP), o surto atual da Flórida parece ser o maior em várias décadas na parte continental dos Estados Unidos. Os dados federais sobre surtos de dengue são limitados, mas as informações de departamentos estaduais de saúde e de revistas médicas indicam que é o maior número de casos em um ano em qualquer estado desde pelo menos a década de 1940, de acordo com a reportagem.

O pior ano anterior da Flórida havia sido 2023, com pouco menos de 200 casos de transmissão local. Segundo a AP, o maior surto em um estado americano desde 2010 havia sido o do Havaí, com 264 casos locais em seis meses, entre 2015 e 2016.

Até o início de outubro, segundo a AP, havia uma morte por dengue na Flórida neste ano: uma idosa de Tampa, que morreu em 4 de setembro. O Departamento de Saúde da Flórida confirmou a morte, sem dar mais detalhes.

Montagem com partículas do vírus da dengue vistas ao microscópio eletrônico, em cores artificiais, e um mosquito Aedes em destaque no canto (imagem de arquivo)
Montagem com partículas do vírus da dengue vistas ao microscópio eletrônico, em cores artificiais, e um mosquito Aedes em destaque no canto (imagem de arquivo). Foto: CDC e NIAID / Wikimedia Commons (CC BY 2.0), recortada

Tampa concentra a maioria dos casos

Pelo relatório estadual, os 425 casos locais estão em 11 condados:

  • Hillsborough (Tampa): 346 casos.
  • Pinellas: 51.
  • Miami-Dade: 9.
  • Orange (Orlando): 8.
  • Pasco: 4.
  • Citrus: 2.
  • Brevard, Broward, Manatee, Palm Beach e Polk: 1 caso cada.

Os primeiros sintomas apareceram em julho (21 casos), agosto (160), setembro (226) e outubro (18 até 17 de outubro). O estado conta cada caso no condado onde a pessoa se infectou, e não onde ela mora, e inclui casos confirmados e prováveis.

Na semana de 11 a 17 de outubro, Hillsborough teve 36 casos novos, e Pinellas, 14, segundo a WUSF, emissora pública de Tampa. Citrus e Manatee registraram os primeiros casos do surto. Os órgãos de saúde lembram que os números ficam abaixo da realidade, porque muitos infectados não têm sintomas.

Na quinta-feira (22), Hillsborough e Pinellas anunciaram a prorrogação do estado de emergência por causa da dengue até 29 de outubro, segundo a WUSF e a emissora 10 Tampa Bay. O vizinho Pasco também declarou estado de emergência local em setembro, segundo a emissora Bay News 9.

Em 17 de outubro, oito condados estavam em alerta de doenças transmitidas por mosquitos, o nível acima do aviso: Alachua, Citrus, Duval, Hillsborough, Miami-Dade, Orange, Pasco e Pinellas. Outros dez estavam em aviso.

Píer de madeira do Ballast Point Park sobre a Baía de Tampa, com os prédios do centro de Tampa ao fundo, em abril de 2024 (imagem de arquivo)
Píer de madeira do Ballast Point Park sobre a Baía de Tampa, com os prédios do centro de Tampa ao fundo, em abril de 2024 (imagem de arquivo). Foto: Trevorrrrvalent / Wikimedia Commons (CC BY 4.0), recortada

Orlando: casos em Apopka e Pine Hills

No condado de Orange, o primeiro caso de transmissão local foi confirmado em 2 de setembro, na região de Pine Hills, segundo o governo do condado. Em 18 de setembro, mais dois casos em Apopka levaram o estado a elevar o aviso para alerta. Em 12 de outubro, dois novos casos em Apopka levaram o total a cinco, segundo o último comunicado do condado. O relatório estadual com dados até 17 de outubro já contava oito casos com infecção no condado, três deles com sintomas iniciados em outubro.

No mesmo dia 12, o controle de mosquitos do condado de Orange anunciou pulverização aérea em Apopka e Pine Hills nas duas a três semanas seguintes, contra o Aedes aegypti, o mosquito que transmite a dengue. Os moradores das áreas tratadas são avisados com pelo menos 48 horas de antecedência pelas redes sociais do condado, pelo site do controle de mosquitos e pelo sistema OC Alert.

"É muito importante que os moradores garantam que não haja água parada nas suas propriedades", disse Steve Harrison, gerente do controle de mosquitos do condado. Ele pediu que os moradores deem uma volta no quintal depois de cada temporal para escoar a água acumulada.

Sintomas e quando procurar atendimento

A dengue não passa de uma pessoa para outra: é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado, segundo o Departamento de Saúde da Flórida no condado de Orange. Os sintomas aparecem em até 15 dias depois da picada e lembram os de uma gripe, mas em geral sem sintomas respiratórios.

Segundo o CDC, o centro de controle e prevenção de doenças dos EUA, cerca de uma em cada quatro pessoas infectadas fica doente. O sintoma mais comum é febre, acompanhada de:

  • dor de cabeça, dor nos olhos (normalmente atrás dos olhos), dor muscular, nas articulações ou nos ossos;
  • náusea ou vômito;
  • manchas na pele.

Os sintomas costumam durar de 2 a 7 dias. Cerca de 1 em cada 20 pessoas que adoecem desenvolve dengue grave, uma emergência médica. Os sinais de alerta costumam surgir de 24 a 48 horas depois que a febre passa, e o CDC orienta a ir imediatamente a uma clínica ou a um pronto-socorro em caso de:

  • dor ou sensibilidade na barriga;
  • vômito pelo menos 3 vezes em 24 horas;
  • sangramento no nariz ou na gengiva;
  • vômito com sangue ou sangue nas fezes;
  • cansaço extremo ou agitação.

Não há remédio específico contra a dengue. O CDC recomenda procurar um profissional de saúde em caso de febre ou sintomas, descansar, tomar bastante líquido e usar paracetamol (acetaminophen, nos EUA) para febre e dor. A orientação é não tomar aspirina nem ibuprofeno.

Como se proteger

As recomendações do Departamento de Saúde da Flórida no condado de Orange e do CDC:

  • Água parada: esvazie pneus, baldes, capas de piscina, caixas térmicas, brinquedos, vasos de plantas e qualquer recipiente que acumule água da chuva ou do irrigador. Um único pneu com água pode servir de criadouro para centenas de mosquitos.
  • Repelente: use repelente registrado na EPA, a agência ambiental dos EUA, na pele exposta e na roupa. Usado conforme as instruções, é seguro inclusive para grávidas e mulheres que amamentam.
  • Roupas: camisas de manga comprida e calças, de preferência largas.
  • Telas: conserte telas danificadas em janelas, portas, varandas e pátios.
  • Atenção o dia todo: os mosquitos picam de dia e de noite, segundo o CDC.

Segundo o CDC, não há vacina contra a dengue disponível nos Estados Unidos.

O tempo mais fresco e seco do outono pode ajudar a frear o surto, porque reduz a atividade dos mosquitos e os criadouros, mas especialistas alertam que a transmissão pode continuar enquanto houver mosquitos infectados e pessoas com o vírus na comunidade, segundo a WUSF.

Perguntas frequentes

Quantos casos de dengue a Flórida tem em 2026?
São 425 casos de transmissão local e 320 de quem se infectou em viagem, segundo o relatório do Departamento de Saúde da Flórida com dados até 17 de outubro.

Tem dengue em Orlando?
Sim. O condado de Orange tem 8 casos de transmissão local pelo relatório estadual com dados até 17 de outubro. Dos cinco anunciados pelo condado até 12 de outubro, quatro são da região de Apopka e um de Pine Hills. O condado está em alerta de doenças transmitidas por mosquitos.

A dengue passa de uma pessoa para outra?
Não. A transmissão é pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado, segundo o Departamento de Saúde da Flórida.

Que remédio tomar para a dengue?
Não há remédio específico. O CDC recomenda repouso, líquidos e paracetamol para febre e dor, e orienta a não tomar aspirina nem ibuprofeno. Em caso de sinais de alerta, como dor na barriga ou sangramento, procure atendimento imediatamente.

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